Conheça princípios da comunicação não violenta para promover diálogo, convivência respeitosa e evitar conflitos. A comunicação respeitosa, que busca avaliar o ponto de vista e as necessidades do outro, abre caminho para que relacionamentos sejam fortalecidos.
Já parou para pensar que conflitos foram iniciados ou evitados devido à qualidade da comunicação dos envolvidos? Separações, amizades, desavenças, ódio e amor — tudo passa pela interação com os outros. O problema é que, muitas vezes, não nos damos conta disso. Por vezes, achamos que estamos sendo claros e gentis quando, na verdade, não estamos. Mas é possível ser franco e respeitoso ao mesmo tempo, sem escorregar para o abuso verbal?
Para saber se você se comunica bem ou se pode aprimorar essa habilidade, reunimos a seguir os princípios da chamada comunicação não violenta (CNV), que se mostra mais útil ainda em tempos de polarização. Essa técnica é aplicável em diversas situações, da resolução de conflitos familiares aos políticos, porque se fundamenta na escuta, no respeito, na empatia e na colaboração.
1- OBSERVE SEM JULGAR
É difícil, mas é possível observar sem julgar automaticamente. Quando fazemos isso, suspendendo nossa avaliação inicial, demonstramos real atenção pela fala do outro. Porém, quando combinamos observação com avaliação, por mais gentil que seja, ainda assim parecerá que estamos criticando ou acusando. E isso faz com que o receptor da mensagem se arme. A linguagem nos denuncia. Observe, por exemplo, o uso do exagero.
Uma coisa é dizer: “Tentei falar com você, mas você estava ocupado.”
Outra coisa é dizer: “Tentei falar com você, mas você está sempre ocupado.”
2 – IDENTIFIQUE SEU SENTIMENTO
É uma grande habilidade expressar de modo adequado os próprios sentimentos. Por essa razão, é importante observar a relação entre as reações fisiológicas do seu corpo (dor no peito, frio na barriga, calor muito forte), que são as emoções, e a interpretação que você faz disso, que são os sentimentos (traição, medo, raiva).
Tendo consciência disso, é importante verbalizar especificamente o que está sentindo, evitando assim palavras vagas ou genéricas. Expressar-se com clareza e tornar-se vulnerável costuma despertar a boa vontade de quem lhe ouve. Isso é eficaz, inclusive, na resolução de conflitos.
Por exemplo, ao discutir com alguém que utiliza muito o celular sem lhe dar atenção, sua tentação é dizer: “Você não sai do celular. Parece que estou falando sozinho.” Quando a melhor alternativa seria dizer: “Mesmo quando estamos juntos, ainda me sinto sozinho. Gostaria de ter mais conexão com você.”
3 – TORNE CLARA SUA NECESSIDADE
Por trás de cada sentimento sempre há um tipo de necessidade. Ocorre que, na maioria das vezes, nós esperamos que os outros adivinhem o que precisamos ou queremos. Perdemos tempo dando dicas e indiretas.
O ideal é que, primeiramente, você identifique sua necessidade e, então, sem medo, expresse isso para quem possa atendê-la. É verdade que expor honestamente as próprias necessidades implica assumir o risco de ser julgado; porém, quanto mais clara for sua comunicação, maior é a chance de receber compaixão de volta.
4 – PEÇA EM VEZ DE CHANTAGEAR
Quando pedidos vêm embalados em linguagem de exigência ou com a intenção de manipular por meio da culpa e do medo, eles tendem a gerar resistência. A solução é substituir a linguagem que comunica falta de escolha por outra que ofereça a possibilidade de escolha.
Quem escuta você precisa compreender que o pedido é motivado por uma necessidade real, mas que é livre para atendê-lo ou não, sem sofrer retaliação. Ao agir assim, você desperta empatia. E, quando a empatia é ativada num relacionamento, todos os envolvidos acabam sendo atendidos.
Ágatha Lemos é jornalista, editora de revista e mestra em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ).
Referências:
Livro Comunicação Não-Violenta: Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais (Ágora, 2010), de Marshall B. Rosenberg;
Neurociência e comunicação não verbal”, diálogo entre Flavia Feitosa e Claudia Feitosa-Santana, divulgado no canal Casa do Saber (YouTube), em 22/11/2016.
A versão original deste artigo foi publicada na revista Conexão 2.0, edição de julho–setembro de 2021, p. 32, e reproduzida na revista Quebrando o Silêncio de 2022.
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