A igreja e as pessoas com deficiência

Cumprir com a missão de pregar o evangelho tem total relação com a inclusão, especialmente de pessoas com deficiência. O desafio de evangelizar implica em compreender que as pessoas com deficiência precisam ser respeitadas e acolhidas integralmente na comunidade de fé.

No dia 03 de Dezembro “comemora-se” o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (PcD), instituído no ano de 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data tem o objetivo de trazer à mente da sociedade a consciência de que as pessoas com deficiência devem ter os mesmos direitos, deveres, privilégios e responsabilidades das pessoas sem deficiência.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seu último censo (2010), quase 25% da população do Brasil possui algum tipo de deficiência. Isso nos leva ao impressionante número de aproximadamente 45 milhões de pessoas. No entanto, em vários locais e contextos, não há muito o que se comemorar, levando em conta que esse grupo, muitas vezes e até mesmo no contexto da igreja, é esquecido e segregado.

O que é deficiência

A mentalidade sobre o que é deficiência precisa ser definida mais claramente. É preciso entender que deficiência é uma ou mais características do ser humano que o torna “incapaz” de desempenhar algumas atividades que são comuns às pessoas ao seu redor. Por exemplo, se uma pessoa não pode correr a uma velocidade maior que 100 km por hora, isso não é uma deficiência, visto que nenhum outro ser humano o pode; porém, se alguém não pode simplesmente andar, algo comum à maioria das pessoas, então isso é uma deficiência.

Os direitos das pessoas com deficiência são relativamente respeitados e protegidos, no que diz respeito às instâncias internacionais e nacionais. Na prática, porém, tais direitos nem sempre são respeitados, trazendo à vida das PcD marcas de desigualdade, preconceito e até discriminação diante de seus pares. Quando trazemos essa discussão para o contexto da igreja, apesar de ser algo triste, precisamos reconhecer que um dos principais motivos de discriminação é uma interpretação teológica completamente equivocada a respeito da forma pela qual a Bíblia (ou Deus?) lida com a questão das deficiências. A esse respeito, trataremos em um futuro artigo.

Inclusão

Diante de tudo que tratamos, precisamos também reconhecer que proporcionar a inclusão das pessoas com deficiência na igreja não é tarefa tão simples como alguns possam pensar. Porque a inclusão não é apenas construir rampas com barras de apoio, adaptar banheiros, instalar piso tátil direcional ou inserir a linguagem braile nas placas de comunicação. Envolve instruir, conscientizar e capacitar pessoas para aprender a lidar com esse público, o que muitas vezes é algo totalmente desconhecido para muitos de nossos membros e líderes.

Mesmo assim, enquanto cristãos, líderes e membros, não podemos nos dar o direito de encontrar desculpas para não sermos inclusivos em nossa realidade congregacional. A mensagem do Senhor Jesus a nós é muito direta: “vocês são o sal da terra… vocês são a luz do mundo” (Mateus 5:13-14). Para que serve o sal, mesmo que acondicionado dentro do mais belo recipiente feito do mais caro dos cristais? Para que serve uma lâmpada escondida debaixo de um cesto, mesmo que produzido artesanalmente pelo melhor de todos os artesãos, tendo como matéria prima a mais nobre das fibras? A resposta para ambos os casos é a mesma: não serve para nada!

Enquanto nossas Igrejas não forem inclusivas, no mais profundo sentido da palavra, e mesmo que com construções belíssimas e até adaptadas arquitetonicamente, nós continuaremos sendo irrelevantes, meramente sal no saleiro e lâmpada debaixo do cesto. Pelo menos para esse grupo de pessoas, que é tão importante para Deus como as que são “perfeitas” física ou intelectualmente.


Julio Cesar Ribeiro é pastor e assistente do Centro de Pesquisas Ellen G. White e do Centro Nacional da Memória Adventista. É conselheiro voluntário do Ministério Adventista das Possibilidades da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a área de pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida.

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