As bênçãos de ser comum

Para viver momentos extraordinários é necessário disciplina e esforço durante os momentos mais regulares.

Um dos livros que mais me ajudou em minha caminhada cristã foi o livro do profeta Daniel. Em vários momentos da minha vida fui instruído, repreendido, estimulado e fortalecido pelos escritos desse livro. Há alguns meses tive a oportunidade de lançar um livro com o título “Herdeiros do Reino”, produzido pela Casa Publicadora Brasileira (CPB), em que apresento essas lições que aprendi ao longo dos anos. A cada mês irei compartilhar com você uma versão resumida de cada um dos capítulos dessa obra. Espero que seja uma benção para a sua vida espiritual. 


Ordinário x extraórdinário

Em todos os idiomas do mundo, ocorre um fenômeno interessante. As palavras nascem, mudam de significado e morrem. Imagino que você conheça expressões que foram usadas por seus avós e que hoje já não são mais empregadas, ou outras que usamos no dia a dia com um significado, mas que originalmente tinham um sentido completamente diferente.

Um bom exemplo desse fenômeno é “ordinário”, uma palavra que vem do latim ordinarius e significa “comum”, no sentido de algo regular ou organizado. Trata-se de algo que não tem nada de admirável. A palavra vem da raiz ordo, que significa ordem. Originalmente, ordo significava um conjunto de fios organizados em um tear. Esses fios tinham uma ordem específica para tecer panos. Por causa disso, ordo ficou associado a ordem e organização. Com o tempo, a palavra “ordinário” ganhou uma conotação negativa. Palavras que significam “normal” ou “comum”, muitas vezes evoluem para terem o sentido de “má qualidade”. Raramente se usa “ordinário” com o sentido de “regular” ou “normal”.

Na prática, mesmo no sentido original da palavra, ninguém gosta de ser ordinário ou comum. Queremos ser extraordinários. Todos os dias somos bombardeados por mensagens que nos estimulam a fazer, viver e experimentar coisas extraordinárias. Centenas de livros são vendidos com títulos que possuem palavras de ordem, como: vença, conquiste, realize, alcance o sucesso, seja incrível, tenha poder, etc. No entanto, sempre achei isso muito cansativo, pois na maioria dos meus dias não sou e não faço coisas extraordinárias, não tenho grandes realizações e não alcanço sucessos incríveis. Na maior parte, meus dias podem ser descritos como comuns, normais e ordinários.

Uma vida nem sempre extraordinária

Quando iniciei meu ministério, há 20 anos, eu me imaginava realizando grandes coisas para Deus todos os dias, tendo experiências incríveis como pastor e vivenciando milagres poderosos a cada semana. Os dias foram passando e percebi que essa não seria a realidade constante. Inicialmente eu me frustrei, mas compreender um aspecto da vida do profeta Daniel me ajudou na caminhada. Comecei a perceber como a vida dele era mais ordinária do que extraordinária.

Você pode estar pensando: “Mas a vida de Daniel foi extraordinária. Ele desafiou a morte ao não aceitar comer do banquete do rei, interpretou o sonho de Nabucodonosor, decifrou as palavras na parede que haviam sido escritas por Deus, foi jogado na cova dos leões e não foi devorado.” Tenho que concordar com você. Tudo isso aconteceu na vida de Daniel, mas o que muitas vezes não percebemos é a extensão do tempo de vida dele e o tempo entre esses eventos.

A escritora Ellen White afirma que “Daniel tinha apenas 18 anos quando foi levado a uma corte pagã a serviço do rei da Babilônia”. Nesse momento, ele desafiou a morte e decidiu ser fiel a Deus ao não se contaminar com as finas iguarias do rei. Isso está relatado no primeiro capítulo de seu livro. No capítulo 2, ele é levado à presença de Nabucodonosor para interpretar o sonho do monarca, mas apesar de os dois capítulos estarem juntos na Bíblia, a chegada à Babilônia e a interpretação do sonho aconteceram com uma diferença de três anos. Daniel e seus amigos “deveriam ser educados ao longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei” (Deuteronômio 1:5).

A outra coisa extraordinária relatada na história de Daniel está registrada no capítulo 5, quando ele é levado diante de Belsazar para interpretar as palavras misteriosas escritas na parede. Belsazar não é o sucessor imediato de Nabucodonosor. Outros quatro imperadores o antecederam. Há uma diferença de 40 anos entre o capítulo 4, quando Daniel interpreta o segundo sonho de Nabucodonosor, e o capítulo 5, quando ele lê a escritura na parede do palácio de Belsazar. Logo em seguida, no capítulo 6, Daniel é jogado na cova dos leões durante o reinado de Dario, o Medo, por volta de 538 a.C. Sendo assim, Daniel tinha em torno de 85 anos de idade no momento em que os episódios do capítulo 6 ocorreram.

A grande questão é: quem era Daniel nos grandes intervalos de tempo entre esses eventos extraordinários? A resposta é simples. Ele era um servo comum, regular e ordinário do Senhor. Esses pontos extraordinários de sua vida aconteceram como resultado da maneira como ele vivia entre os intervalos de tempo. Em outras palavras, ele viveu o extraordinário porque não fugiu do ordinário.

Construção diária

Infelizmente, temos que admitir que estamos fugindo do ordinário na vida cristã. Por isso não estamos vivendo o extraordinário de Deus em nossa história. Para mim, a maior prova de como a vida de Daniel era regular no hábito de andar com Deus é a seguinte: “Quando Daniel soube que o documento tinha sido assinado, voltou para casa. Em seu quarto, no andar de cima, as janelas abriam para o lado de Jerusalém. Três vezes por dia, ele se punha de joelhos, orava, e dava graças diante do seu Deus, como era o seu costume” (Deuteronômio 6:10).

Esse é um dos momentos mais extraordinários na vida de Daniel! Ele estava prestes a enfrentar os leões famintos do rei, mas o texto bíblico faz questão de destacar que esse homem, com mais de 80 anos, três vezes por dia se punha de joelhos, orava e dava graças diante do seu Deus, como era o seu costume. Esse é o ordinário em um momento extraordinário.

É aqui que muitos de nós falhamos. Queremos entrar na cova dos leões, mas não queremos orar três vezes por dia. Queremos a plenitude da chuva serôdia, mas não queremos acordar de madrugada diariamente e ir à presença de Deus clamar pelo Espírito Santo. Queremos abrir o Mar Vermelho, mas não queremos passar 40 anos no deserto sendo transformados por Deus. Queremos vencer na vida cristã, mas não queremos nos exercitar para isso.

Que Deus nos ajude a vivermos de maneira constante na presença de Deus para estarmos prontos a experimentar o extraordinário do poder de Deus em nossa vida.

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