Como a Igreja Adventista aplica disciplinas eclesiásticas

Disciplinas eclesiásticas funcionam como instrumento para contribuir com o desenvolvimento de servidores e o cuidado com o papel da Igreja na sociedade. Decisões são pautadas pela orientação bíblica e no interesse em auxiliar as pessoas em seu crescimento no trabalho para Deus.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul possui uma missão e, para a cumprir, conta com apoio de uma grande estrutura. Para atender os mais de 2,5 milhões de membros, mais de 300 mil alunos, pacientes e pessoas auxiliadas em projetos sociais, sua estrutura conta com mais de 7 mil servidores que atuam em um regime diferenciado de trabalho, conhecidos como obreiros. Isso sem contar os funcionários em regime comum de trabalho.

As atividades dos obreiros são regidas por um manual chamado Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (REA) da Divisão Sul-Americana da denominação, aplicado àqueles que a servem no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.

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Além de outras questões essenciais para o funcionamento da Igreja, esse documento define qual deve ser o procedimento a ser seguido em caso de condutas inapropriadas de obreiros, que são representantes diretos da organização religiosa, o que pode resultar em uma disciplina eclesiástica.

Quanto a isso, cada instância da Igreja Adventista, como Associação, Missão e União, é responsável por seus próprios obreiros. Mas a decisão quanto a uma disciplina não cabe apenas aos gestores da instituição ou sede ao qual os servidores estão ligados. As decisões finais diante de qualquer situação resultam do voto de sua Comissão Diretiva, que é formada não apenas pelos administradores locais, mas também por outros integrantes, inclusive membros regulares da Igreja.

Para validar o resultado não é preciso ter um voto confirmatório da Comissão Diretiva da organização imediatamente superior. Ou seja, há autonomia eclesiástica para que uma Associação, por exemplo, chegue a uma decisão sem que seja necessário o aval da União, instância que gere seu trabalho.

Na prática, como funciona?

Primeiro, a situação reportada é analisada pelos administradores da organização onde o obreiro envolvido atua, os quais são os responsáveis em dar andamento ao procedimento eclesiástico disciplinar.

Para garantir uma análise mais completa e um procedimento transparente, e para que todas as partes envolvidas sejam devidamente escutadas, a Comissão Diretiva nomeia uma Comissão Ministerial, composta por pastores ordenados experientes, para tratar do assunto.

A Comissão Ministerial tem a tarefa de analisar adequadamente o caso com ética, respeito e equilíbrio, dando oportunidade ao próprio obreiro para apresentar seus argumentos. Depois de seguir o processo completo, a Comissão Ministerial aprova uma recomendação para a correspondente Comissão Diretiva, que terá a decisão final, de acordo com as orientações apresentadas nos Regulamentos Eclesiástico-Administrativos.

O REA especifica que a disciplina eclesiástico-administrativa pode variar desde um conselho, exortação, advertência ou admoestação, até uma suspensão corretiva por tempo determinado, de não mais que doze meses, ou até uma medida mais severa, tal como a destituição ou a separação do corpo de obreiros.

Crescimento para o avanço da missão

Há quatro aspectos do relacionamento do obreiro com a Igreja que podem chegar a ser afetados no caso de aplicação da disciplina eclesiástica: sua licença/credencial; sua ordenação, se for pastor ordenado; sua condição de membro da Igreja, e seu vínculo de serviço denominacional.

A aplicação da disciplina em quaisquer destes aspectos gera naturalmente dor na vida do obreiro e da sua família, porém, como acontece com a disciplina aplicada no lar ou na própria igreja local, ela pode contribuir com a restauração e o desenvolvimento da pessoa envolvida. Além disso, a disciplina administrativa oferece proteção à Igreja e fortalece o conceito de santidade que deve caracterizar o serviço feito para Deus.

A Igreja conduz a disciplina eclesiástica administrativa dos obreiros com imparcialidade, justiça, amor e ética, e faz todo o esforço possível para auxiliar no desenvolvimento pessoal. E mesmo que ele seja desvinculado do serviço denominacional, a Igreja o incentiva a continuar a servir a Deus com os seus dons e experiência em seu templo local e no seu novo ambiente de trabalho.

Este procedimento, e todos os outros definidos nos regulamentos, segue um princípio bíblico de disciplina para corrigir e ajudar. É o tipo de medida que dá a oportunidade para os obreiros crescerem no desenvolvimento e aperfeiçoamento do serviço a Deus. Além disso, contribuem para que a Igreja, de forma organizada, pregue o evangelho e cumpra fielmente a missão dada por Jesus.


Edward Heidinger é teólogo, administrador e atua como secretário-executivo da sede da Igreja Adventista do Sétimo Dia para oito países da América do Sul.

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"É um grande privilégio de elaboração do site PORTAL ADVENTISTA DE BAIXO GUANDU/ES, no dia 18 de Setembro 2014 para a divulgação aqui na cidade local, regional e em todos os Países. Nosso Objetivo é divulgarmos os programas, materiais entre outros que se realizam na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em prol do Evangelho Eterno, assim diz o Senhor: “ Breve Jesus Cristo Voltará” Apocalipse 22:1-21. Portanto não será então em benefício próprio, sim a necessidade desse divulgação nessa cidade que todos se entregam sua vida a Jesus Cristo, nosso Salvador. Att: Thiago Amaral de Oliveira - Baixo Guandu/ES."

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