Como Meditar na Palavra de Deus

  • ENTENDENDO O CONCEITO

Na sociedade agitada e apressada em que vivemos torna-se cada vez mais difícil desacelerar o passo. A ordem é: “Sejamos rápidos!” Dessa forma, a rapidez passou a ser sinônimo de produtividade e sucesso. Entretanto, a orientação bíblica é que reservemos um tempo para refletir, arrazoar e meditar. E isso certamente não combina com uma vida agitada. O conselho de Deus em Josué 1:8 é muito claro: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido.” Mas o que significa meditar? A palavra hebraica hagah, traduzida em Josué 1:8 como “meditar”, significa literalmente “murmurar”, “balbuciar”. O raciocínio é o seguinte: quando alguém “balbucia” continuamente a Palavra de Deus, pensa constantemente nela. É como se a pessoa estivesse o tempo todo falando das Escrituras num tom baixo, suave. Ao agir dessa forma, o indivíduo articula, fala. Consequentemente, meditar implica estudar, refletir, pensar nas Escrituras e encher a mente e a boca com ela. Podemos, então, afirmar que meditar é:

  • Estudar a Palavra. Isso significa aplicar o intelecto e a memória à aquisição de conhecimento. É o exercício no qual dedicamos todo o nosso raciocínio na compreensão da Palavra de Deus. Estudar é estar aberto às informações, curiosidades, desafios e propostas que o Senhor nos faz mediante a revelação.
  • Refletir na Palavra. Não basta ler ou estudar o que a Bíblia diz; é necessário considerar, ponderar, raciocinar. Refletir é pensar com seriedade a fim de obter prudência e juízo. Refletir é debruçar-se com calma nas orientações divinas, com o propósito de torná-las efetivas na vida diária.
  • Falar da Palavra. Ao estudar a Palavra, refletir em seus ensinamentos e nos imaginarmos em seus cenários, certamente somos levados a querer guardar na memória diversos versículos ou mesmo capítulos. O ato de memorizar porções bíblicas pode ser facilitado pelo processo indicado em Deuteronômio 6:7, verso no qual somos instados a falar e conversar sobre a Palavra. Quanto mais falarmos da Palavra, mais familiar ela se tornará para nós, e será muito mais fácil guardá-la em nossa mente. Esse era o grande desejo do salmista (Sl 119:11).
  • Pensar a partir da Palavra. O resultado final desse processo é que a Palavra se torna uma espécie de “moldura” de nossos pensamentos, um referencial. Nosso modo de pensar passa a ser construído a partir daquilo que lemos nas Escrituras, e logo nossas ações são impactadas por nossos pensamentos.

  • ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

Filhos e filhas de Deus precisam ter familiaridade com a Bíblia, pois ela é sua principal fonte de estudo e reflexão; é a partir dela que surgem os conceitos e temas que nos alimentam diariamente. Ou seja, precisamos ser estudantes dedicados na bela e desafiadora tarefa de compreender a Palavra de Deus. E, mais do que apenas estudá-la, precisamos amá-la a ponto de seguir seus ensinamentos. E como isso é possível? Qual é a melhor maneira de estudar a Bíblia?

James Braga, que por muitos anos foi professor de Bíblia, afirma que “talvez uma das razões de tantas pessoas não tirarem proveito do estudo bíblico seja simplesmente por não saberem como proceder”. Assim, podemos dizer que o estudo proveitoso da Bíblia é também uma questão de método. Alguém, a esta altura, poderia perguntar: Que método posso adotar a fim de que meu estudo seja eficaz e transformador? A verdade é que, independentemente do método que adotarmos, é necessário que compreendamos e vivamos o seguinte princípio: se quisermos ser filhos e filhas de Deus autênticos, precisamos ir muito além de uma leitura descuidada, rápida e superficial da Bíblia. A esse respeito, Ellen G. White, em seu livro Educação, página 189, afirma: “Tome o estudante [da Bíblia] um versículo, e concentre o espírito em descobrir o pensamento que Deus pôs ali para ele, e então se demore nesse pensamento até que se torne seu também.” Nessa curta e extraordinária citação, somos orientados, como estudantes da Bíblia, em alguns aspectos importantes:

  • Prefiramos textos curtos e não longas porções.
  • Evitemos qualquer distração e concentremos nosso intelecto.
  • Exerçamos capacidade analítica com a finalidade de encontrar a ideia contida no verso; esse é o ponto-chave para a reflexão.
  • Não tenhamos pressa; concentremos o intelecto na reflexão sobre a ideia descoberta.
  • Captemos o que está escrito, de modo a fazer parte de nosso sistema de pensamento, isto é, de nossa vida.

Ellen G. White sugeriu que o estudante da Bíblia seja metódico, sistemático e organizado em seu empreendimento. Aliás, ela mesma afirma categoricamente: “O ensino da Bíblia deve ter os nossos mais espontâneos pensamentos, nossos melhores métodos e o nosso mais fervoroso esforço” (Educação, p. 186). Obviamente, só pode ensinar a Palavra quem a estuda. Assim, essas palavras “whiteanas” valem para quem ensina e que estuda a Bíblia:

  • Pensar de modo espontâneo, não necessariamente técnico.
  • Usar um método claro.
  • Dedicar esforço e aplicar tempo e intelecto a essa tarefa.

Com o propósito de ajudar você a praticar uma leitura bíblica mais atenta, proveitosa e reflexiva – fugindo de uma leitura apenas superficial –, sugiro três modelos com os quais cada estudante da Bíblia poderá interagir. O leitor notará que a cada dia há algo para escrever; isso possibilitará crescimento e autonomia no estudo da Palavra, elemento-chave para uma vida devocional madura e ativa.

  • MODELO 1

O primeiro modelo utilizado tem três seções: Deus quer que eu saiba (tem que ver com o assunto básico tratado na leitura; refere-se à informação apresentada no texto); Deus quer que eu sinta (tem que ver com nosso sentimento em relação à leitura, nosso envolvimento além do intelecto; afinal, somos mais do que apenas pessoas que pensam); e Deus quer que eu faça (tem que ver com a ação, a prática que pode resultar da leitura). Ao fim da leitura, escreva uma breve oração como resultado de sua meditação. Esse modelo se sustenta em alguns textos bíblicos, os quais mostram a importância de cada uma dessas três seções:

(1) Deus quer que eu saiba: dirigido pelo Espírito Santo, o discípulo Filipe perguntou ao oficial de Candace se ele compreendia o que estava lendo (At 8:30); diante da resposta negativa, Filipe lhe explicou o significado da profecia de Isaías (v. 35).

(2) Deus quer que eu sinta: Filipense 1:3 a 11 descreve de modo tocante o sentimento do apóstolo Paulo por seus irmãos filipenses. O que vemos, então, é que o teólogo mais eminente da Bíblia utiliza uma linguagem emotiva, sentimental. Como se aproximar de trechos como este apenas com a razão? Como seres integrais, certamente procedemos bem quando nos aplicamos de maneira holística, ou seja, completa, para compreender as orientações divinas.

(3) Deus quer que eu faça: Em textos como Mateus 4:19; 5:48 e 16:24 vemos que Jesus Cristo exige ação de Seus seguidores. Assim, ao ler a Bíblia, precisamos fazer algo em relação ao que foi lido.

  • MODELO 2

O segundo modelo é composto por quatro partes:

(1) Capítulo do dia: consiste em resumir a leitura feita, destacando as ideias principais.

(2) Verso preferido: consiste em escrever em um caderno o verso que mais chamou a atenção do leitor, com o objetivo de memorizá-lo ao longo do dia.

(3) Mensagem para hoje: consiste em o estudante da Bíblia escrever o que entendeu do verso selecionado; e, se alguma parte não foi compreendida, anota-se a observação no caderno para pesquisa posterior.

(4) Aplicação para a minha vida: consiste em um registro de como aplicar à vida os princípios apontados no verso selecionado. Essa parte é essencial na meditação, pois é o momento em que Deus pode falar a nosso coração.

  • MODELO 3

Finalmente, o terceiro modelo usado contém três seções:

(1) Na leitura de hoje aprendi que Deus é (referência à natureza e caráter de Deus).

(2) Na leitura de hoje aprendi que Deus pode (referência ao que Ele é capaz de realizar em nossa vida).

(3) Na leitura de hoje aprendi que Deus quer isto de mim (ações que podem ser implementadas para pôr em prática o que foi lido). Sendo que a Bíblia é a Palavra de Deus e que o apóstolo Paulo nos informa que tudo que sabemos do Senhor é porque Ele Se revela a nós (Rm 1:19), esse modelo busca incentivar o estudante das Escrituras a conhecer mais e melhor a Deus, mediante a revelação. No Salmo 119, o salmista diz “ensina-me os Teus preceitos” (v. 12), “desvenda os meus olhos” (v. 18) e “dá-me entendimento” (v. 125). Esses versos enfatizam um conhecimento teórico. Observemos, porém, que o interesse do autor bíblico no Salmo 119 não era puramente teórico, mas prático. O salmista queria conhecer a verdade divina a fim de que a existência dele pudesse corresponder a essa verdade e viver de acordo com ela (ver v. 1, 2, 5). Também estava interessado na verdade e na ortodoxia (sistema de ideias), não como um fim em si mesmas, mas como meios práticos de aperfeiçoamento da vida, o que refletirá em uma maneira santa de viver. Sua maior preocupação estava em servir ao grande Deus e conhecê-Lo.

  • COMO PROCEDER

Siga essa rotina, preferencialmente, pela manhã:

  • Ore a Deus, pedindo orientação para a leitura e meditação.
  • Leia o texto bíblico do dia, seguindo o projeto Reavivados por Sua Palavra.
  • Em um caderno especialmente separado para o Reavivados, utilize os modelos apresentados acima, um para cada capítulo lido. A sugestão é que você os use na sequência: comece com o primeiro, depois vá para o segundo e, finalmente, para o terceiro; e então os repita. Ao efetuar o preenchimento, faça-o em profunda reflexão sobre o conteúdo, a fim de entender o que Deus quer lhe dizer na Palavra.
  • Uma vez preenchido completamente o modelo, releia-o para interiorizar o que foi escrito. Nesse processo, reflita cuidadosamente na vontade de Deus para seu dia. Medite nas orientações que a Palavra apresenta. Mas não fique apenas no conceito descoberto: torne-o seu, deixe que o Espírito Santo atue em seu coração, saindo da explicação para a aplicação.
  • Assista ao vídeo do capítulo do dia, que estará disponível no aplicativo: Bíblia #RPSP.
  • Termine sua meditação e leitura com uma oração, agradecendo a Deus pela revelação Dele e pedindo poder para aplicar a leitura bíblica à sua vida prática.
  • Durante o dia, tente lembrar o ensinamento principal do texto bíblico estudado.
  • À noite, antes de dormir, releia rapidamente o que escreveu de manhã.

  • LEMBRE-SE

Métodos e técnicas de estudo da Bíblia jamais esgotarão a riqueza de qualquer passagem das Escrituras. Em Isaías 55:8 e 9, lemos a respeito da infinita superioridade dos pensamentos divinos em relação aos pensamentos humanos. E, considerando que a Bíblia contém pensamentos de Deus numa linguagem humana, devemos então admitir que jamais teremos condições de exaurir a riqueza escondida nas palavras que compõem os versos e capítulos das Escrituras.

Claro, isso não deve nos desestimular em seu estudo; ao contrário, deve lembrar-nos de que, por mais que cavemos profundamente em busca de tesouros, ainda poderemos continuar explorando e achando pérolas escondidas nas mesmas histórias, parábolas ou exortações que já lemos e estudamos tantas vezes.

Para o autêntico filho e filha de Deus, o estudo consciente e reflexivo da Bíblia é fundamental, pois permite estabelecer um relacionamento maduro e consistente com Deus e possibilita extrair alimento sólido das Escrituras. É bom lembrar, ainda, que o seguidor de Cristo deverá se transformar em um mestre da Bíblia. E, para sermos mestres das Escrituras, primeiramente devemos ser bons estudantes delas.

  • MÃOS À OBRA

Agora que você já tem as informações suficientes para começar a prática de meditar na Bíblia, desejo que sua aventura com a Palavra o leve a conhecer a vontade de Deus. Acima de tudo, produza em você o desejo de incorporar esses ensinamentos em sua vida. Peça orientação ao Pai e tenha bons momentos de meditação na Palavra de Deus!

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É um grande privilégio de elaboração do site PORTAL ADVENTISTA DE BAIXO GUANDU/ES, no dia 18 de Setembro 2014 para a divulgação aqui na cidade local, regional e em todos os Países. Nosso Objetivo é divulgarmos os programas, materiais entre outros que se realizam na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em prol do Evangelho Eterno, assim diz o Senhor: “ Breve Jesus Cristo Voltará” Apocalipse 22:1-21. Portanto não será então em benefício próprio, sim a necessidade desse divulgação nessa cidade que todos se entregam sua vida a Jesus Cristo, nosso Salvador. Att: Thiago Amaral de Oliveira - Baixo Guandu/ES.

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