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Deus não tem famílias de segunda categoria

Lições de arrependimento e esperança na conturbada trajetória familiar de Davi. Mesmo em uma família com problemas e erros, é possível encontrar o arrependimento e o perdão.

A Bíblia relata a história de várias famílias que passaram por dramas severos. É muito importante buscar entender por que Deus deixou esses registros preservados. É valioso observar, também, como Ele lidou com as pessoas envolvidas nessas circunstâncias. Além disso, será um exercício precioso extrair lições que sirvam de referência para aqueles que enfrentam desafios para manter sua família sob as bênçãos do Senhor, apesar dos tropeços e falhas.

Davi é considerado o maior rei do povo de Israel. Foi um guerreiro valente, destemido, grande conquistador que consolidou a monarquia. Derrotou o gigante filisteu e era capaz de derrotar e aniquilar seus inimigos sem piedade. Por outro lado, tinha uma alma sensível, uma veia artística que compunha poesias e músicas, amava intensamente seu amigo Jônatas e respeitava o ungido do Senhor, recusando-se a estender a mão contra Saul, apesar de estar jurado de morte por ele.

O sucesso de Davi como estadista, rei e general estava em visível contraste com sua (in)capacidade de liderar sua família que, por sinal, era muito complicada. Ele enfrentou dificuldades com sua primeira esposa, Mical, filha de Saul (2 Samuel 6:16, 20-22) e testemunhou brigas, abuso e morte entre seus filhos, todos meios-irmãos (2 Samuel 13). Tente imaginar as cenas de ciúmes e disputas entre as mulheres e entre os filhos. Realmente devia ter muita confusão naquela família.

Quando Davi cometeu o grave adultério com Bate-Seba, e em seguida ordenou a morte de Urias, o marido traído (2 Samuel 11), as condições em sua casa pioraram muito. Os desdobramentos dessas atitudes foram terríveis. Davi perdeu o respeito de seus filhos, mulheres e súditos. O profeta Natã, ao lhe entregar a repreensão divina, declarou: “Agora, pois, a espada não se apartará jamais da tua casa […]. Eis que da tua casa suscitarei o mal contra ti” (2 Samuel 11:10-11).

Não muito tempo depois, Absalão, o terceiro filho de Davi, deu um golpe para assumir o trono. Davi fugiu e foi perseguido pelo próprio filho, que estava determinado a matar o pai (2 Samuel 15 a 19). Essa sedição acabou com a morte de Absalão, o que entristeceu grandemente o coração do rei. No entanto, apesar de seus erros e escolhas equivocadas, Davi foi chamado por Deus de “o homem segundo o meu coração” (Atos 13:22).

Ellen G. White, escritora e cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, escreveu a respeito desse episódio: “A história de Davi não fornece defesa ao pecado. Era quando ele andava no conselho de Deus que era chamado homem segundo o coração de Deus. Pecando, isto cessou de ser verdade com relação a ele, até que pelo arrependimento voltasse ao Senhor” (Patriarcas e Profetas, p. 641).

Como Deus lida com o pecador

Os dois parágrafos anteriores nos convidam a algumas reflexões. Deus não tolera o pecado, mas ama o pecador. Todas as atitudes e escolhas que contrariam os mandamentos e os preceitos do Senhor são ofensivos a Ele e trazem consequências. Por mais amplos que sejam o amor e o perdão divinos, ainda assim teremos de enfrentar as consequências naturais daquilo que escolhemos fazer e do modo pelo qual agimos.

Davi não foi chamado de homem segundo o coração de Deus por ser rei, pois essa declaração foi feita antes dele ser ungido pelo profeta Samuel (1 Samuel 13:14). Nem porque Deus o tinha como filho predileto que “passa a mão” nos erros cometidos, fingindo que nada aconteceu. A prova disso foi a ordem divina dada ao profeta Natã para que fosse ter com o rei e lhe fizesse saber quão grave era seu pecado (2 Samuel 12:1-15). O coração sensível e pronto a se arrepender de Davi, seu jeito sincero e espontâneo de amar, respeitar e confiar em Deus, lhe reservaram a honra que nenhum outro personagem da Bíblia recebeu.

Ellen G. White escreveu: “Era intuito de Deus que a história da queda de Davi servisse como advertência de que mesmo os que Ele abençoou e favoreceu grandemente não se devem sentir livres de perigo, e negligenciar a vigilância e a oração. E isso tem feito esta história àqueles que humildemente têm procurado aprender a lição que Deus queria dar” (Patriarcas e Profetas, p. 642).

Além dessa razão, acredito que a queda de Davi serve para nos fazer entender que, apesar de nossos erros e acertos, escolhas certas ou equivocadas, Ele ama a todos igual e intensamente. Não creio que o amor de Deus esteja dividido em classes. Não existe graduação do amor divino, em primeira classe, classe executiva ou econômica, como no caso das empresas aéreas.

Todos somos passageiros de primeira classe, não porque temos méritos ou pontos suficientes para fazer uma reserva num assento especial, mas porque “Deus é amor” (1 João 4:8) e Ele “não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). Recordemos quantas encrencas marcaram a vida da família de Davi: poligamia, ciúmes, desprezo, incesto, abuso, adultério, assassinato, sedição, morte, fuga, perseguição, humilhação pública. E mesmo assim, quando ele se arrependeu, Deus o perdoou.

Portanto, o que necessitamos é imitar a Davi, não nos seus erros, mas nas suas reações. Deus nos convida ao arrependimento e a uma busca sincera por perdão. Embora Davi tenha caído, não permaneceu assim porque o Senhor o levantou e ele experimentou uma harmonia mais completa do que havia sentido antes, com Deus e sua família. Quando somos traídos pelo pecado, podemos nos lembrar de que Davi foi aceito por Ele, apesar de ter sofrido por causa de sua transgressão. Só assim poderemos encontrar ânimo e esperança para seguir em frente e permanecer nos caminhos do Senhor. Vamos confirmar nosso lugar na primeira classe.


Hélio Carnassale é teólogo, mestre em Ciência das Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Foi pastor de igrejas e foi orador da Voz da Profecia. Trabalhou na Casa Publicadora Brasileira, Superbom, Centro Universitário Adventista de São Paulo e na sede sul-americana adventista como diretor de Liberdade Religiosa e Espírito de Profecia.

versão original deste artigo foi publicado pela Revista Família Esperança.

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