Dia da Liberdade Religiosa 2022

Arquivo em WORD com o  sermão para o Dia (sábado) da Liberdade Religiosa 2022, com o título: Dimensões Multifacetadas Da Liberdade

Word 1. Sermão – Dia da Liberdade Religiosa 2022 0.51MB Baixar

DIMENSÕES MULTIFACETADAS DA LIBERDADE: NATUREZA E ESCOPO DE UM PRESENTE DIVINO

Introdução

 

A liberdade é considerada a ideia mais complexa da história da filosofia ou da história das ideias.

A liberdade também é difícil de ser totalmente abraçada por causa de suas implicações. Em termos práticos, a liberdade é difícil até de ser aceita.

Porque ela significa perda de poder sobre as pessoas. A maioria das tragédias da experiência humana está ligada ao desejo de dominação, subjugação, submissão e instrumentalização de outros, privando-os assim de sua liberdade.

Abraçar a liberdade significa o fim da manipulação dos outros, por respeito à sua consciência. Significa mostrar solidariedade à humanidade e à dignidade e aos direitos de cada ser humano e de cada grupo de pessoas. Significa o fim da discriminação. Significa também o fim da criminalização de outras pessoas porque são diferentes.

Em última análise, considerando uma das virtudes cristãs essenciais, a retidão, a condição sine qua non para a entrada no reino de Deus, a liberdade não pode se materializar sem se abraçar a liberdade de outras pessoas e sem o esforço para criar condições para sua realização.

Um delineamento do que é liberdade pode ser útil, pois existe mais liberdade religiosa do que os olhos podem ver.

A liberdade religiosa é mais do que aparenta:

  1. Um princípio político (consentimento de quem é governado, governo com limites, estado de direito, democracia e governo representativo).
  2. Uma disposição legal de direito internacional, consagrada na DUDH, União Europeia, União Africana, OEA e nas constituições nacionais.
  3. Uma liberdade composta. Pressupõe liberdade de pensamento, de consciência, de escolha, de expressão, de associação e de reunião.
  4. É um sinal de nossa humanidade, não só de racionalidade, mas também de nossa dimensão ética.
  5. Um símbolo de nossa interconexão, por causa do que temos em comum, não apenas a conscientização, mas também a consciência humana.
  6. Um apelo à solidariedade e ao respeito, de tolerância, portanto, com base na sacralidade de cada ser humano.
  7. Um selo de santidade. No judaísmo e no cristianismo, o ser humano é sagrado porque foi criado à imagem de Deus.
  8. Um imperativo moral.

 

Duas ideias fundamentais são desenvolvidas na reflexão a seguir.

  1. Os adventistas do sétimo dia individualmente devem desfrutar de liberdade interior.
  2. Corporativamente, a Igreja Adventista do Sétimo Dia deve desfrutar de sua liberdade em nossas relações externas.

A reflexão está ligada à distinção feita em referência à liberdade de religião ou de crença entre dois tipos de liberdade. Vou traçar um paralelo e ampliar ainda mais os dois conceitos de direito internacional de liberdade interna e liberdade externa ou forum internum e forum externum.

Mas, primeiro, vamos ver a importância da liberdade na Bíblia.

 

  1. Importância da liberdade na Bíblia

 

A presença difusa da liberdade na Bíblia. Começando com o clímax da fé bíblica, toda a fé cristã é baseada na realidade da liberdade.

 

O apóstolo Paulo em Gálatas 5, duas vezes, nos diz que é para a liberdade que Cristo nos libertou (v. 1) e que somos chamados à liberdade (v. 13).

 

A condição sine qua non para ser cristão é ter o Espírito Santo de Cristo. Em Romanos 8:9, o apóstolo Paulo é muito claro: “Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês”. A habitação do Espírito Santo é a marca registrada do cristão.

Além disso, em 2 Coríntios 3:17, o apóstolo diz que “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.

Não é à toa que em Gálatas 5 ele fala sobre o fruto da liberdade, que é o fruto do Espírito Santo (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio).

 

Ampliando nossa reflexão, podemos dizer o seguinte:

A Bíblia inteira é uma história de liberdade. Também podemos chamá-la de história da salvação.

Deus é o Deus da liberdade.

O povo de Deus experimenta a liberdade.

O êxodo faz parte da história da liberdade.

As festas de Israel são de fato festivais de liberdade.

O sábado é o dia da liberdade. É como se todas as semanas tivéssemos um Dia da Independência (ver Deuteronômio 5).

Mesmo o jejum não é concebido sem a dimensão da liberdade. Isaías 58:6, ao falar sobre o jejum, coloca-o nos seguintes termos: “Será que não é este o jejum que escolhi: que vocês quebrem as correntes da injustiça, desfaçam as ataduras da servidão, deixem livres os oprimidos e acabem com todo tipo de servidão?”

O santuário, suas funções e performances rituais estavam inseparavelmente ligados à ideia de liberdade: liberdade da condenação, liberdade da contaminação e, é claro, em última análise, liberdade para adorar e ter comunhão com Deus.

 

Nossa nomenclatura teológica ou soteriológica (vocabulário) é orientada para a liberdade.

A justificação é a liberdade da condenação.

A santificação é a liberdade da contaminação ou a liberdade da desqualificação para a comunhão com um Deus santo.

A glorificação é a liberdade da vergonha e do desprezo eterno.

 

A salvação é a liberdade total da penalidade do pecado, do poder do pecado e da própria presença do pecado quando Cristo retornar.

O evangelho é a boa-nova da liberdade.

Um Salvador veio para trazer liberdade (primeira vinda).

O Salvador está voltando para completar o que começou. Ele trará a liberdade total final.

Desta vez, incluirá a liberdade dos corpos corruptíveis, na verdade, a liberdade da morte de uma vez por todas, que, claro, incluirá a liberdade das doenças, vírus, patógenos mortais e bactérias nocivas.

As três mensagens angélicas também são sobre liberdade. O evangelho eterno tem dimensões multifacetadas que certamente contém as boas-novas do juízo, pois é-nos dito que a hora do juízo chegou. Esta é uma boa notícia. Por um lado, a Babilônia não teria caído se a hora do juízo não tivesse chegado. Mas não queremos perder as várias dimensões do evangelho eterno. Eu gostaria de destacar uma dimensão abrangente e subjacente do evangelho.

 

O evangelho eterno é sobre liberdade.

O evangelho eterno é fundamentalmente sobre a liberdade, a libertação do cativeiro do desespero e da falta de sentido, dos regimes autoritários e opressores, do dragão e seus aliados, as bestas.

É também sobre a hospitalidade e a introdução ao reino do Filho do Homem, Jesus Cristo.

No contexto das três mensagens angélicas, o evangelho é o seguinte:

É liberdade da idolatria.

É liberdade do cativeiro no Egito e na Babilônia.

É liberdade de compartilhar o destino do inimigo de Deus e evitar a aniquilação total.

 

  1. A mensagem do primeiro anjo

A mensagem do primeiro anjo é, em essência, liberdade da idolatria. Um convite à vida, à consciência de Deus, a estar atento a Deus, viver constantemente na presença de Deus, o que equivale à piedade. Somos convidados a uma vida de afirmação da soberania de Deus, dos direitos de Deus. Damos a Deus toda a glória e toda a gratidão por Ele ser o Criador. Essa é a verdadeira liberdade de estar conectado e adorar o Deus da liberdade.

 

  1. A mensagem do segundo anjo
  • É sobre a liberdade e o fim do exílio, a liberdade da opressão, a liberdade do governo de regimes totalitários, sejam políticos ou religiosos. Liberdade da mensagem, fascínios e milagres da Babilônia.
  • Quando foi dito ao povo de Deus que a Babilônia havia caído, eles entenderam isso como um tempo de êxodo, retorno ao lar e reunião. Foi realmente o advento da liberdade.
  • Finalmente, são as boas-novas de casa.

 

  1. A mensagem do terceiro anjo
  • É um convite para escolher com base na liberdade.
  • É um alerta sobre as consequências de nossa escolha existencial.
  • É também um convite para abraçar a justiça de Deus. É liberdade de ser desqualificado, liberdade de se alinhar-se aos poderes que são hostis à soberania de Deus.
  • É um apelo à dedicação absoluta a Deus, um compromisso de fidelidade inabalável a Deus.
  • É o lado positivo da liberdade. Liberdade para ter comunhão com Deus.

 

A respeito da mensagem do terceiro anjo, Ellen White disse o seguinte:

“A mensagem do terceiro anjo é a proclamação dos mandamentos de Deus e da fé de Jesus Cristo. Os mandamentos de Deus têm sido proclamados, mas a fé de Jesus Cristo não tem sido proclamada pelos

adventistas do sétimo dia como de igual importância, a lei e o evangelho andando de mãos dadas. Não encontro palavras para expressar este assunto em sua plenitude.

“‘A fé de Jesus’. Ela é debatida, mas não compreendida. Que constitui a fé de Jesus, que faz parte da mensagem do terceiro anjo? O ato de Jesus tornar-Se o Portador de nossos pecados para que pudesse tornar-Se o Salvador que perdoa os nossos pecados. Ele foi tratado como nós merecemos ser tratados. Veio ao nosso mundo e levou os nossos pecados para que pudéssemos levar Sua justiça. E a fé na capacidade de Cristo para salvar-nos ampla, completa e totalmente, é a fé de Jesus” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 172).

“Do povo de Deus deve irradiar a luz, em raios vívidos, apresentando Cristo às igrejas e ao mundo. […] Se mediante a graça de Cristo Seu povo se tornar novos odres, Ele os encherá com o vinho novo. Deus dará mais luz, e velhas verdades serão recuperadas e postas na moldura da verdade; e onde quer que forem os obreiros hão de triunfar. Como embaixadores de Cristo, cumpre-lhes pesquisar as Escrituras, procurar as verdades ocultas sob o pó do erro. E todo raio de luz recebido deve ser comunicado aos outros. Um interesse predominará, um assunto absorverá todos os outros — Cristo, Justiça nossa” (Filhos e Filhas de Deus, p. 259).

Ela escreveu o seguinte: “A lei divina deve ser engrandecida; seus reclamos, expostos em seu caráter legítimo e sagrado, para que o povo seja induzido a decidir-se pró ou contra a verdade. Contudo, a obra será abreviada em justiça. A mensagem da justiça de Cristo há de soar desde uma até a outra extremidade da Terra, a fim de preparar o caminho ao Senhor. Essa é a glória de Deus com que será encerrada a mensagem do terceiro anjo” (Testemunhos para a Igreja, v. 6, p. 19).

Ellen White insiste na necessidade de pregar o evangelho como a fé de Jesus Cristo, ou seja, Jesus, Aquele que carregou nossos pecados, o Salvador que perdoa os pecados e o Doador da Sua justiça.

  1. Implicações de abraçar a liberdade interior

 

  1. Liberdade pessoal interior, forum internum: O dom da libertação de Deus

 

Nenhuma pessoa deve ser a consciência de outra pessoa. Se for esse o caso, ela cancela sua própria humanidade. A consciência é o sinal segundo o qual cada pessoa é sagrada. Do ponto de vista da fé, a liberdade interior não é uma receita, mas um fruto da reconciliação com Deus, que resulta em paz.

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual obtivemos também acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm 5:1, 2). O apóstolo Paulo prossegue dizendo que “a esperança não nos deixa decepcionados, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (v. 5).

 

Observe a sequência: reconciliação, liberdade, paz e amor.

 

  1. Levando a questão da liberdade um passo adiante: liberdade do medo

 

No cerne desta reflexão está a seguinte afirmação:

 

Quando deixamos Deus ser Deus, começamos a experimentar a liberdade. Essa liberdade é expressa por meio de uma experiência genuína de liberdade do medo, liberdade de todos os tipos de medos. As garras

do medo, todos os tipos de medos em nossa vida, impedem o cristão de viver no amor de Deus e no amor ao próximo.

Este é nosso abrangente humano mandato que Jesus resumiu de forma eloquente. Amor a Deus e amor ao próximo. Mas o essencial para que esse amor se materialize é a necessidade de se livrar do medo.

 

  1. Liberdade do medo do que outras pessoas podem fazer conosco. Ilustração: O caso de Abraão. Jesus é o melhor exemplo de quem venceu o medo. Mesmo enfrentando os horrores da dor insuportável na cruz, Ele não perdeu Sua liberdade. Ele até mesmo teve tempo para orar por Seus inimigos. Ele é um exemplo supremo de liberdade interior.

 

  1. Liberdade do medo do que os outros podem dizer sobre nós para destruir nossa reputação. Não se preocupe, apenas Deus pode nos justificar. É fácil se tornar um criminoso quando você se preocupa demais em se defender. Confie em Deus.

 

  1. Liberdade do medo de não receber uma bênção, como no caso de Jacó.

 

  1. Liberdade do medo de perder um privilégio (Davi).

 

  1. Liberdade do medo da morte que nos torna escravos do maligno (Hb 2). A morte não deve cancelar a confiança e o amor de Deus. O amor deve cancelar o medo da morte.

* Morrer é uma experiência mais bem vivenciada quando confiamos voluntariamente nossos cuidados ao nosso Deus, Criador e Aquele que nos ama.

* Isso é morrer com dignidade, não em desespero. Veja o belo exemplo de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Antes de morrer, Ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”

 

  1. Liberdade do medo de ser preso: Paulo e Silas cantaram enquanto estavam na prisão.

 

  1. Liberdade do apego às recompensas, elogios e reconhecimentos mundanos. Veja esse tipo de liberdade no hall dos fiéis de Hebreus 11. Positivamente, essa é a liberdade da fé. Liberdade para manter a fé em todas as circunstâncias. A liberdade acima é o ato de estabelecer em sua mente que devemos apenas lidar com Deus.

 

É um desapego da ilusão de que temos que lutar contra as pessoas e as circunstâncias e que nos tornar vencedores a todo custo. Essa liberdade é um presente de Deus. Isso vem do Espírito Santo. É um dos frutos do Espírito Santo, paz, shalom com Deus, shalom consigo mesmo.

Uma das maiores dádivas desta vida é a paz com Deus (Rm 5). Isso nos leva a ter shalom com os outros. Não temos que lutar contra carne e sangue. Nossos verdadeiros inimigos são os invisíveis, espíritos malignos de Satanás e um terço dos anjos rebaixados, anjos caídos, espíritos malignos, demônios usando pessoas para zombar de nosso compromisso com Deus. Eles usarão qualquer coisa ou qualquer pessoa para abalar nossa confiança em Deus.

O exemplo da esposa de Jó, “amaldiçoe a Deus e morra”, é dito. A realidade de ela perder os filhos pode ter sido insuportável. Trouxe amargura e desespero, sentimento de perda e falta de sentido. Jó se manteve firme. “Embora ele me mate, ainda assim esperarei nele. […] Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 13:15; 19:25, NVI). Ele não está preso nas garras da morte. Ele ressuscitou. Então, você e eu viveremos de acordo com Suas promessas. Por isso, Jó estava livre no meio de suas provações e tribulações.

  1. Liberdade do medo das tribulações do tempo do fim e liberdade do medo dos sinais dos tempos. Em relação aos sinais dos tempos, Jesus disse que, quando você vir essas coisas, deve levantar a cabeça, porque sua libertação se aproxima.

 

  1. Liberdade do ódio. O propósito da libertação do medo é a liberdade para amar. O objetivo da liberdade é o amor. Não é para acertar contas ou odiar nem mesmo os inimigos. Nessa perspectiva, é bom lembrar que nem tudo o que está escrito na Bíblia é prescritivo ou normativo. Os salmos imprecatórios existem para nos dar algumas lições, mas não para serem adotados e desejar o mal aos inimigos. Oramos por nossos inimigos. Não os amaldiçoamos, não os desprezamos, não guardamos rancor ou mostramos desprezo. Não os amaldiçoamos de forma alguma. Oramos para que eles se reconciliem com Deus e voltem a ter a mente sã. Essa é a atitude de Deus. Romanos 5 diz o seguinte: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores. […] Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida!” (Rm 5:8, 10).

 

  1. Liberdade do medo é deixar Deus ser Deus. Nossas orações não são moeda de troca, mas confiança sem reservas e entrega à providência, provisão e proteção de Deus quando Deus achar necessário. “Sua vontade será feita”, nós dizemos. Exatamente como Jesus nos mostrou. É liberdade amar a Deus pelo amor de Deus.

“Para entrar em um relacionamento verdadeiro com Deus, você tem que estar mais interessado Nele do que no que Ele dá, mais no que você é do que no que você faz por Ele” (Jean-Marie Guellette. Laisse Dieu Etre Dieu en Toi: Petit Traite de la Liberte interieure).

 

Para deixar Deus ser Deus, é preciso vencer as três tentações primordiais.

 

  1. Liberdade para superar as três tentações primordiais

 

Toda a humanidade é convidada a se libertar das três tentações primordiais. A chave entre elas é a liberdade do orgulho.

Os problemas da humanidade foram expressos desde o jardim do Éden. “Não amem o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo — os desejos da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida — não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como os seus desejos; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2:15-17).

O livro de Provérbios nos deu uma visão sobre o que deve ser superado. “Seis coisas o Senhor Deus odeia, e uma sétima a sua alma detesta: olhos cheios de orgulho, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que faz planos perversos, pés que se apressam a fazer o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia discórdia entre irmãos” (Pv 6:16-19).

 

Para dizer isso, de acordo com as palavras do profeta Miquéias, somos convidados a andar humildemente na Terra. O mundo inteiro pertence a Deus. Além disso, tudo o que temos é apenas confiado à nossa administração. Tudo pertence a Deus. Com base nisso, nossos relacionamentos também devem ser vistos à luz da soberania de Deus.

O outro aspecto da liberdade: Forum externum

Liberdade em nossos relacionamentos.

 

Relacionamento com o espaço público, a sociedade civil, governantes e lideranças comunitárias, tanto políticas como religiosas.

Liberdade corporativa exterior: Forum externum ou liberdade das reivindicações e hegemonias dos impérios

 

Verdadeira liberdade cristã:

 

  1. O desafio atual: a tarefa urgente de restaurar uma fé crível no espaço público

 

No espaço público, existem poderes globais competindo pela hegemonia, dominação e controle dos recursos.

Os adventistas do sétimo dia foram convidados a uma reconfiguração radical da paisagem das relações humanas, segundo a qual não fazemos diferença e não discriminamos outros seres humanos com base em nacionalidade, cor da pele, posição social, religião, casta ou classe.

“Mas Cristo comissionou Seus discípulos a proclamarem uma fé e um culto que nada encerravam de segregação ou nacionalismo; uma fé que se adaptaria a todos os povos, todas as nações, todas as classes de homens” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 578).

“Nos dias de Cristo, o egoísmo, o orgulho e o preconceito haviam construído um alto muro de separação entre os indicados guardiões dos sagrados oráculos e qualquer outra nação do globo. Mas o Salvador viera mudar tudo isto. As palavras que o povo Lhe estava ouvindo dos lábios eram diversas de tudo quanto sempre tinham ouvido dos sacerdotes e rabis. Cristo derriba a parede de separação, o amor-próprio, o separatista preconceito de nacionalidade, e ensina amor a toda a família humana. Ergue os homens do estreito círculo que lhes prescreve o egoísmo; elimina todos os limites territoriais e as convencionais distinções da sociedade. Não faz diferença entre vizinhos e estrangeiros, amigos e inimigos. Ele nos ensina a considerar a toda alma necessitada como nosso semelhante, e o mundo como o nosso campo” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 42).

Esta visão de uma família humana é severamente testada. Os adventistas do sétimo dia têm uma contribuição única e decisiva a dar.

Uma obra de restauração é necessária hoje. O cristianismo do século 21 enfrenta um desafio decisivo devido ao emaranhado de igrejas cristãs com ideologias políticas que instrumentalizam a religião para posicionamentos políticos, controle e imposição de sua moral e agendas sociais.

A tentação mais profunda é confundir ou fundir impérios humanos, arranjos sociais humanos com o reino de Deus.

A tarefa da Reforma incluiu despojar a teologia, a soteriologia e os valores éticos das ideologias do império. Valorização humana, racismo, conquistas, subjugações, submissões, explorações da vulnerabilidade ou fragilidade das pessoas contrárias à justiça e retidão de Cristo foram acomodados à fé de Jesus. Ideologias de destino manifesto para subjugar pessoas ou dizimar sua existência e saquear seus recursos foram legitimadas no cristianismo.

 

  1. Implicações para abraçar a liberdade exterior

Os adventistas do sétimo dia são chamados a serem diferentes ao viver os valores do reino de Jesus Cristo. As soluções para higienizar a fé são as seguintes:

 

  1. Descolonizar o cristianismo e dissociá-lo da busca de poder sobre as pessoas. A liberdade de consciência e as escolhas de todas as pessoas devem ser respeitadas. Acabou o tempo em que a igreja governava as sociedades ou era parceira do império para colonizar as pessoas. Embora algumas versões das religiões continuem a dominar populações inteiras, isso não deve ser a norma para a igreja. As resistências que levaram ao secularismo e à laicidade foram a recusa do domínio da igreja sobre a sociedade. A descristianização das sociedades ocidentais anda de mãos dadas com a rejeição da mentalidade de império, um ethos de conquista, dominação e subjugação que são uma antítese dos anseios mais profundos do ser humano: liberdade, igualdade e autodeterminação.

 

  1. Não imperializar o cristianismo. Os cristãos do século 4 permitiram que a mentalidade e o ethos do império se infiltrassem na fé cristã. O resultado foi catastrófico para a identidade, a mensagem e a missão da igreja que Jesus fundou. A fusão que se seguiu de igreja e estado durante a Idade Média desacreditou a separação entre igreja e estado que Jesus promoveu. Essa fusão levou à legitimação da violência.

 

  1. Não racializar, mas descentralizar etnicamente a fé cristã. O cristianismo dos séculos 15 a 19 acomodou-se com a escravidão dos descendentes de africanos e o genocídio dos nativos americanos. Essa traição da mensagem do Príncipe da paz foi até vista como um endosso divino. Foi até embasado na má interpretação e na instrumentalização de textos bíblicos como a chamada maldição de Cam ou a marca de Caim para justificar a escravidão e a subjugação dos negros. Há uma necessidade urgente de mudar isso, não racializando e descentralizando etnicamente as comunidades cristãs, a fim de realizar o sonho da única humanidade que Deus imaginou. A desracialização do Cristianismo não deve se limitar a seus vários contextos. Ela também deve se expandir para outras crenças, religiões e filosofias do mundo.

 

  1. Desnacionalizar a fé cristã. O cristianismo dos séculos 19 e 20 continuou a abraçar os conceitos de destino manifesto, eleição, excepcionalismo e triunfalismo religioso para enquadrar a narrativa da missão cristã. Até hoje, vestígios dessa época passada ainda são visíveis na igreja por meio de hinos de conquista, linguagem militarizada e forma de arte nacionalista ou etnocêntrica cooptada para representar o divino como uma cobertura para promover a superioridade étnica. Mensagens subliminares da chamada superioridade racial são, portanto, perpetradas de forma insensível. Muitas pessoas rejeitam a mensagem cristã por causa de sua politização e mensagens de supremacia cultural.

 

  1. Despolitizar a fé cristã e restaurar a realidade da separação entre religião e estado, igreja e estado.

 

  1. Deslegitimar a violência. É necessário hoje tirar nossa leitura da Escritura do quadro de legitimação da violência e da valorização e hierarquização humana. Os primeiros cristãos viveram no Império Romano brutal e violento; no entanto, seguindo os passos de Jesus, pregaram paz e bênçãos aos pacificadores.

 

  1. Retomar/restabelecer os valores universais inerentes à fé cristã (fé, esperança e amor). A fé cristã é inseparável do universalismo, dos princípios e valores universais. Os interesses nacionais não devem nos fazer sacrificar princípios, valores e normas universais.
  1. Voltar a centrar-se no princípio bíblico e da Reforma de “tudo para a glória de Deus”. Esse foco inclui buscar a vontade absoluta de Deus nas Escrituras reveladas. Ao longo da história, a condescendência complacente de Deus se manifestou para encontrar a humanidade onde ela estava. Nossos vários arranjos sociais não devem ser confundidos com a vontade de Deus ou o ideal de Deus. O único modelo perfeito de arranjo social de Deus é o reino de Deus. Essa é a razão pela qual oramos “venha o Teu reino”. Além disso, a adaptação de Deus aos nossos arranjos sociais sempre teve o propósito de nos levar gradualmente aos ideais de Seu reino, como Jesus ensinou claramente.

 

  1. Restaurar a missão de pacificação, construção da paz e reconciliação inseparável da pessoa, ensinamentos, reino e justiça de Cristo.

 

  1. Restaurar o primado do amor de Deus. O amor de Deus é o que todos os corações humanos anseiam. Até que as pessoas vejam sua demonstração em nossa vida, elas presumem que não funciona.

 

As religiões podem aproveitar o tempo atual de vários cálculos para recuperar seu projeto inicial de funcionar como ligamentos, o ato de unir a comunidade humana.

Essa mistura não significa aderir a uma uniformidade de crenças ou fusão de igrejas e religiões. Isso seria o mesmo que alianças sincréticas e portas abertas para a heresia.

 

O papel fundamental da liberdade religiosa

 

A liberdade é mais do que visível. A liberdade religiosa permite a dignidade da diferença enquanto encontra interseções de valores para melhorar a condição de coexistência entre os seres humanos em paz e na artilha equitativa do meio ambiente e dos recursos terrestres.

A verdadeira liberdade cristã é construída sobre essas premissas ou pré-requisitos. Nesse contexto, nós, adventistas do sétimo dia, compartilhamos com o mundo inteiro nossa fé, nossa esperança e nosso amor.

A liberdade importa

 

Nosso nome, adventista do sétimo dia, tem dois componentes, ambos relacionados à ideia de liberdade.

O sábado do sétimo dia não é apenas a comemoração da criação e uma celebração da salvação, mas também a prefiguração da liberdade na eternidade. Da mesma forma, o nome adventista é um anúncio profético da iminente liberdade total quando Jesus Cristo voltar.

A liberdade é tão importante que Deus escolheu Se revelar por meio de um nome relacionado à liberdade: Yahweh.

O nome de Jesus também está relacionado à liberdade.

O Espírito Santo é o Deus da liberdade, pois onde o Espírito está, há liberdade.

Que o Deus da liberdade, Aquele que disse: “Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres” (Jo 8:36), venha e nos livre de todos os vírus e doenças, e nos conceda corpos incorruptíveis. Venha, Senhor Jesus. Maranata!

Gostaria de deixar um texto muito conhecido que, de fato, nos ajuda a compreender melhor a profundidade da liberdade. No contexto da nossa meditação, gostaria de chamar sua atenção para a oração

das orações, “O Pai Nosso”, pois ela é uma oração de liberdade e não apenas porque a expressão “livra-nos” é mencionada nele.

“Pai nosso” é em si uma libertação do tribalismo, do etnocentrismo.

“Santificado seja o teu nome” é a libertação da idolatria.

“Venha o Teu reino” é a libertação do território ocupado.

“Seja feita a tua vontade” é a liberdade do caos.

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje” é a liberdade da necessidade.

“Perdoa-nos as nossas dívidas” é a libertação da culpa, libertação da condenação.

“Assim como nós perdoamos aos nossos devedores” significa libertação dos rancores, liberdade da hostilidade contra os outros, liberdade do ódio dos outros.

“Não nos deixes cair em tentação” é a liberdade do desamparo, a liberdade da fraqueza da vontade, a liberdade da impotência diante das tentações: tentações dos olhos, tentação da carne, tentação do orgulho.

“Livra-nos do mal” é a libertação do abandono nas mãos do mal.

“Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre”. Esta é a liberdade da tentação de usurpar as prerrogativas únicas de Deus: o reino, o poder e a glória.

 

Ganoune Diop, Ph.D.

Diretor de Relações Públicas

Sede Mundial da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia

Secretário Geral da IRLA

 

 

 

Facebook Comments Box

sobre Portal Adventista Baixo Guandu

Avatar
"É um grande privilégio de elaboração do site PORTAL ADVENTISTA DE BAIXO GUANDU/ES, no dia 18 de Setembro 2014 para a divulgação aqui na cidade local, regional e em todos os Países. Nosso Objetivo é divulgarmos os programas, materiais entre outros que se realizam na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em prol do Evangelho Eterno, assim diz o Senhor: “ Breve Jesus Cristo Voltará” Apocalipse 22:1-21. Portanto não será então em benefício próprio, sim a necessidade desse divulgação nessa cidade que todos se entregam sua vida a Jesus Cristo, nosso Salvador. Att: Thiago Amaral de Oliveira - Baixo Guandu/ES."

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

2 × dois =

×

Sejam Bem-Vindos!

Sejam Bem Vindos ao Nosso Portal Adventista de Baixo Guandu/ES. Estamos a Disposição 24 Horas.

× Fale Conosco 24 horas!