Dia das Crianças – 12 de Outubro 2021

O Dia das Crianças é um dia para celebrar e gradecer a Deus pela bênção que as crianças são. Cada criança é especial para Deus. Jesus abençoava as crianças e gostava de estar com elas. Deus quer que cuidemos das crianças.

As crianças têm um papel bastante significativo na bíblia. Elas aparecem muitas vezes como o exemplo de coração puro que todo cristão deve ter em relação a Deus, para adorá-Lo, poder guardar seus ensinamentos e aplica-los. Além, é claro, de as crianças serem um símbolo de bênção de Deus, conforme dito no Salmo 127.3: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá”. Selecionamos aqui além deste versículo, outros que mostram o valor que as crianças têm na criação Divina:

As crianças nos ensinam a humildade que precisamos para entrar no céu. A criança sabe que é dependente e confia em seu pai para cuidar dela. Da mesma forma, precisamos confiar em Deus e crer que ele vai cuidar de nós.

Roupas, calçados ou brinquedos podem até ser boas opções para presentear os filhos neste Dia das Crianças, mas, em geral, esses mimos, por mais úteis e interessantes que sejam, não impactam de forma profunda a vida deles. Repartir a fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

Estudos indicam que a espiritualidade tem uma relação direta com o desenvolvimento humano. Pesquisas feitas por estudiosos como James W. Fowler, Donna Habenicht, Anne Bell e Alice Lowe, por exemplo, ajudam a compreender como os pequenos lidam com a fé e a encaram, e como é possível, em cada faixa etária, ajudar a criança a desenvolver a vida espiritual. No entanto, é importante considerar que alguns aspectos de cada fase podem se manifestar antes ou depois na vida da criança, dependendo dos estímulos que ela tem.

0-3 anos

Este é um período muito importante para o desenvolvimento da fé. Segundo Ellen White, “as impressões feitas no coração, no princípio da vida, são vistas em anos posteriores. Podem estar sepultadas, mas raras vezes serão removidas” (Manuscrito 57, 1897). É nesse estágio que a criança tem pré-imagens de Deus, a partir de uma relação de confiança com seu cuidador. Ela entende o amor por meio do cuidado que recebe e desenvolve confiança em Deus ao confiar nos pais.

Nessa etapa, o desenvolvimento físico da criança está a pleno vapor. Como ela está aprendendo a controlar o corpo, suas necessidades físicas interferem no humor e no comportamento. Por isso, um ambiente calmo e uma rotina bem estabelecida contribuem para que a criança aprenda e se desenvolva, inclusive espiritualmente.

Nessa fase, o uso de materiais concretos para ilustrar o ensino é muito importante para a assimilação do conteúdo. Em termos práticos, uma criança de dois anos, por exemplo, terá um aproveitamento mais significativo se o pai utilizar objetos ou imagens para ilustrar a história. Quanto mais os sentidos forem explorados, mais a criança se sentirá motivada a prestar atenção, interagir e aprender.

Nesse estágio, a criança tem um período de atenção curto. Por isso, os momentos de ensino das verdades bíblicas devem ser breves e planejados. As orientações devem ser simples e sem abstrações. Pais que desejam ensinar os filhos a orar, por exemplo, devem mostrar como é a posição de oração (e não apenas explicar como orar), usar ilustrações variadas, sem se cansarem de reforçar o ensino com repetições.

Em geral, as crianças têm certa dificuldade de controlar as emoções nessa fase. Então, é preciso que a educação seja pautada pela busca da obediência e pelo controle emocional. Ellen White escreveu: “Uma das primeiras lições que a criança precisa aprender é a lição da obediência. Antes que fique bastante idosa para raciocinar pode ser ensinada a obedecer” (Educação, p. 287). Crianças que não obedecem aos pais terão dificuldades para obedecer a Deus.

Entre zero e três anos, a criança tem uma forte tendência a ser egocêntrica. É por isso que os pais não podem perder a oportunidade de estimular a solidariedade e o amor ao próximo. Isso é básico para um bom desenvolvimento cristão. O encorajamento de atitudes de simpatia pelos menos favorecidos e a vivência do evangelho prático são muito importantes.

Nesse período, a criança está desenvolvendo o senso do sagrado, que é base para a futura reverência com as coisas de Deus. Por isso, os pais devem mostrar que a Bíblia é importante e deve ser cuidada e respeitada. O nome de Deus não pode ser pronunciado em vão pela criança ou por seus cuidadores. Os locais de culto, principalmente a igreja, são especiais. Levar a criança com uma roupa adequada para a igreja, não permitir que ela coma dentro do templo ou que brinque com brinquedos da rotina semanal, ajudam-na a adquirir o senso de reverência. A presença nos cultos também é extremamente importante. A criança só vai saber como se comportar na igreja se ela vivenciar essa realidade sempre. Além disso, é importante que a família faça o culto em casa e que as coisas de Deus sejam vistas como sagradas.

4-6 anos

Nessa fase, ocorre uma ampliação entre a comunicação da criança e o adulto, e isso também é sentido no relacionamento com Deus. É nesse estágio que a criança começa a ter suas próprias experiências espirituais, passa a entender por ela mesma que Deus existe e aprende a desenvolver uma comunicação mais direta com Deus por meio da oração. Por isso, um ambiente familiar espiritual é fundamental.

Apesar de gostar de movimento, ela já consegue permanecer sentada por mais tempo na igreja. Porém, ainda precisa de recursos que possam ajudá-la no processo de reverência. Levar uma bolsa para o culto com materiais bíblicos, como livros, revistas e desenhos para colorir, pode ajudar nesse sentido.

Entre quatro e seis anos, em geral, a criança é falante e gosta de aprender novas palavras. Contudo, pode confundir termos e conceitos. Então, os pais devem ficar atentos e corrigir os usos incorretos de expressões que envolvam o vocabulário bíblico. Elas necessitam aprender as verdades dentro do seu próprio nível de ensino e não meias-verdades.

Além disso, nesse período as crianças são curiosas e fazem muitas perguntas. Dessa forma, aproveitar os questionamentos infantis para ter conversas espirituais, fazer comparações entre a vida dos filhos e dos profetas, mostrar como Deus trabalha na vida de outras pessoas e contar pequenas histórias sobre o cuidado de Deus na vida dos pais pode contribuir para que a criança entenda melhor o plano divino para a humanidade.

Em geral, a criança é ciumenta, geniosa e medrosa nessa etapa do desenvolvimento. É preciso ter cuidado para não potencializar medos que são comuns nessa fase. Salientar o cuidado de Deus e não enfatizar o poder do mal é muito importante.

7-10 anos

Este estágio é caracterizado pela avaliação constante entre as palavras e as atitudes dos adultos. Coerência é a palavra-chave. A criança precisa ver atitudes coerentes dos pais em relação ao discurso e prática da fé. É a partir dessa fase que a criança começa a desenvolver uma fé mais abstrata.

Os pais precisam aproveitar todas as oportunidades para estimular o estabelecimento de compromissos com as coisas espirituais. Entretanto, isso só ocorrerá se houver um envolvimento e motivação da família. Esse é o período de estimulação do desenvolvimento dos dons e habilidades a serviço de Deus e do próximo.

Nessa fase, a criança é ainda um pouco literalista. Contudo, consegue, com ajuda, fazer associações mais abstratas, distinguindo o fato da fantasia. Esse é o momento de introduzir ensinamentos doutrinários mais sólidos. Porém, o ensino deve sempre estar adequado à realidade do pensamento infantil. As palavras também devem ser de fácil compreensão.

Nesse período, a criança entende que as histórias da Bíblia são reais e que é possível aplicar os ensinamentos cristãos na vida prática. Esse é o momento de incentivar a leitura de bons livros. A autonomia em relação à devoção pessoal também precisa ser trabalhada.

11-16 anos

Nessa fase, o indivíduo duvida de si, dos pais, da religião e de tudo o que já lhe foi transmitido. Passa por muitas transformações no corpo que evidenciam a chegada da puberdade. Precisa sentir-se amado e acolhido, pois, nesse estágio, vivencia muitos problemas, como baixa autoestima e insegurança.

É fundamental uma religião realista e prática nesse estágio. A atmosfera do lar precisa estar envolvida em assuntos religiosos. Os adultos precisam ajudar os juvenis e adolescentes a encontrar respostas bíblicas para os dilemas da vida. Estudos proféticos ligados aos acontecimentos atuais despertam o interesse desse grupo.

Às vezes, faltam-lhe vocabulário para expressar seus sentimentos. O diálogo e amizade com os pais são fundamentais para amenizar essa dificuldade. Porém, eles não gostam de receber ordens e são sensíveis a críticas. Por isso, precisam ser liderados com amor e firmeza.

Deus entregou a atual geração de crianças e adolescentes em nossas mãos. Seremos capazes de fazer nossa parte? A tarefa dos pais, da comunidade e da igreja não é fácil. Porém, Ellen White escreveu: “Ao procurardes tornar claras as verdades concernentes à salvação, e encaminhar as crianças a Cristo como Salvador pessoal, os anjos estarão ao vosso lado” (O Desejado de Todas as Nações, p. 385).

Que Deus nos capacite a ajudar as crianças a desenvolver os hábitos que nortearão toda a sua experiência religiosa! Um legado de fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

ARIANE M. OLIVEIRA, editora de livros infantojuvenis da CPB, é autora de As Grandes Aventuras da Bíblia e do recém-lançado Guerra no Céu

 

Dia das crianças na Bíblia

  • Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”.
    Mateus 19:14

 

  • Naquele momento, os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” Chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: “Eu asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus.
    Mateus 18:1-4

 

  • Os filhos são herança do Senhor,
    uma recompensa que ele dá.
    Salmos 127:3

 

  • Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor. Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem.
    Colossenses 3:20-21

 

  • Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. “Honra teu pai e tua mãe” – este é o primeiro mandamento com promessa – “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”. Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.
    Efésios 6:1-4

 

  • Instrua a criança segundo os objetivos
    que você tem para ela,
    e mesmo com o passar dos anos
    não se desviará deles.
    Provérbios 22:6

 

  • “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste.
    Mateus 18:10

 

  • E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disse-lhes: “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou”.
    Marcos 9:36-37

 

  • Mas, quando os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei viram as coisas maravilhosas que Jesus fazia e as crianças gritando no templo: “Hosana ao Filho de Davi”, ficaram indignados, e lhe perguntaram: “Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo?”
    Respondeu Jesus: “Sim, vocês nunca leram:
    ” ‘Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos
    suscitaste louvor'”?
    Mateus 21:15-16

 

  • Todos os seus filhos
    serão ensinados pelo Senhor,
    e grande será a paz de suas crianças.
    Isaías 54:13

 

  • Digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”. Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou.
    Marcos 10:15-16

 

  • “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer
    o seu rosto sobre ti
    e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto
    e te dê paz.
    Números 6:24-26
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