Interpretação bíblica sobre a homossexualidade

A Bíblia, considerada a Palavra de Deus para os cristãos, apresenta um conceito claro sobre sexualidade.

Especialista em lei bíblica, teólogo analisa a homossexualidade, no relato bíblico, especialmente em textos do Antigo Testamento como Levítico.

Recentemente, alguns artistas do chamado mundo gospel foram confrontados com uma série de críticas por conta de posicionamentos contrários à prática da homossexualidade. O tema é recorrente nos meios de comunicação e redes sociais. Inclusive algumas reportagens procuraram ouvir alguns teólogos que possuem uma visão específica sobre a interpretação bíblica do tema. A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias também resolveu ouvir um teólogo acerca do assunto. Ele é Roy Gane, natural da Austrália, professor de Bíblia Hebraica e Línguas do Oriente Médio Antigo do Seminário Teológico Adventista na Universidade Andrews, nos Estados Unidos.

A especialidade do doutor Gane é lei bíblica, incluindo instruções para o sistema ritual israelita no santuário. Ele foi, também, um dos editores de Homosexuality, Marriage, and the Church: Biblical, Counseling, and Religious Liberty Issues, editado por ele, Nicholas P. Miller e H. Peter Swanson. Neste material publicado em 2012, o entrevistado da ASN escreveu um ensaio intitulado Algumas alternativas tentadas à condenação bíblica atemporal de atos homossexuais.

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Por que uma interpretação correta do texto bíblico em seu contexto é importante?

O texto bíblico orienta o que fazemos porque comunica as instruções de Deus, o amoroso e sábio Criador e Redentor. Ele que conhece e quer o que é melhor para nós (Deuteronômio 10:13— “mandamentos … para o seu próprio bem”) e por quem somos responsáveis (Eclesiastes 12:13-14).

A sabedoria humana e o “politicamente correto” podem ser boas na medida em que concordam e aplicam os princípios de Deus, conforme revelados na Bíblia. Mas não são guias confiáveis para a verdade e a retidão moral porque vêm de seres humanos finitos e falhos. O texto da Bíblia foi escrito por humanos decaídos e é como qualquer outro texto no sentido de que comunica por meio de uma linguagem que só pode ser devidamente entendida dentro de seu contexto. Porque os contextos determinam os significados das palavras.

Contudo, o texto bíblico é diferente de um livro comum porque Deus usou escritores humanos de uma maneira especial para nos ensinar sabedoria para a salvação, transmitindo Seus próprios pensamentos (2 Timóteo 3:15-17; 2 Pedro 1:20-21).

Ideia geral

Sabemos que o conceito bíblico de homossexualidade é apresentado em vários textos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Você pode resumir qual é a ideia principal?

Deus criou seres humanos complementares, masculino e feminino, que poderiam desfrutar de intimidade sexual que poderia resultar em descendência, continuando assim o processo de criação, dentro da sagrada instituição do casamento (Gênesis 1:26-28; 2:18, 20-24). A queda no pecado gerou afastamentos desse ideal de criação, incluindo a homossexualidade. A Bíblia em nenhum lugar condena uma pessoa por ser homossexual no sentido de que ela simplesmente se sente atraída por membros do mesmo sexo.

Ao mesmo tempo, é errado alguém ter uma intenção lasciva para com alguém com quem não é casado (Mateus 5:28). Não há casamento homossexual na Bíblia, e a atividade homossexual não é natural de acordo com Deus e a fisiologia humana. Então, qualquer paixão sexual ou desejo de uma pessoa por um membro do mesmo sexo, ou expressão física de tal paixão, é errado (Romanos 1:26-27).

A Bíblia ensina consistentemente que a atividade homossexual é errada (ver também (Levítico 18:22; 20:13; 1 Coríntios 6:9-10; 1 Timóteo 1:9-10; Judas 7, referindo-se a Gênesis 19:4-5). A solução redentora para uma pessoa homossexual ativa não é o casamento homossexual monogâmico, que a Bíblia não reconhece, mas a conversão dessa vida para a pureza sexual (seja para a abstinência da atividade sexual seja para o casamento heterossexual) por meio do Evangelho de Jesus Cristo que transforma moralmente as pessoas pelo Espírito Santo (1 Coríntios 6:11; compare com Tito 3:3-7 e Judas 24).

Levítico 18 e 20

Os capítulos 18 e 20 do livro de Levítico são apresentados por algumas linhas teológicas como um texto mal interpretado sobre questões sexuais e em um contexto cultural diferente do de hoje. O que exatamente este texto diz sobre sexo e prática homossexual?

Levítico 18:22 proíbe um homem de se deitar com um homem da mesma forma que se “deitaria” com uma mulher, ou seja, como ele se deitaria sexualmente com uma mulher (compare Números 31:17-18, 35; Juízes 21:11-12 de uma mulher que experimentou o “deitar” sexual de um homem).

Isso proíbe explicitamente a atividade homossexual masculina e, por implicação, também a atividade homossexual feminina (lésbica). Assim como o sétimo dos dez mandamentos (Êxodo 20:14) na língua hebraica masculina se aplica às mulheres, assim como aos homens. O que é proibido em Levítico 18:22 é todo processo de fazer sexo, não apenas a penetração, para o qual o hebraico tem outra expressão (Levítico 18:20, 23; 20:15; Números 5:20).

A terminologia hebraica em Levítico 18:22 é clara, inequívoca e não técnica. Não há nenhum elemento nesta lei que a limite à cultura israelita antiga. É uma lei moral transcultural, colocada no contexto de Levítico 18, em que todos os outros mandamentos divinos são leis morais contínuas contra atividades sexuais proibidas, incluindo incesto, relação sexual quando o casal sabe que a mulher está menstruada, adultério e bestialidade (versos 6-20, 22-23), e sacrifício de crianças ao deus Moloque (verso 21). Tanto em Levítico 18:22 e 20:13, a atividade homossexual é chamada de “abominação”, isto é, algo extremamente ofensivo a Deus.

Levítico 20:13 é uma jurisprudência que usa a mesma terminologia para a atividade homossexual que Levítico 18:22 e adiciona a penalidade de pena de morte sob a teocracia israelita. Essa pena não pode e não deve ser aplicada pela igreja cristã, na qual as leis morais do Antigo Testamento que impõem a pena de morte sob a teocracia são punidas com a desassociação dos transgressores (1 Coríntios 5). Mas, de acordo com Levítico 18:29, qualquer pessoa que comete qualquer uma das práticas abomináveis identificadas neste capítulo está sujeita à pena divinamente infligida de ser “cortada” de seu povo, pela qual lhe é negada uma vida após a morte (compare Levítico 20:2-3, onde “cortar” é além da morte).

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