O jejum que agrada a Deus

O verdadeiro jejum não deve ser feito com espírito egoísta e orgulhoso, mas com humildade e reconhecimento de que Deus é a nossa prioridade.

Desde tempos antigos até hoje, o jejum é parte essencial da praxe de algumas religiões orientais. Os muçulmanos, por exemplo, observam estritamente o jejum do Ramadan (o nono mês do calendário islâmico). Em todos os dias deste mês, do nascer ao pôr do sol, é proibido comer, beber, tomar banho, cheirar perfumes ou qualquer outra forma de alegria carnal. Existem algumas exceções, mas o muçulmano que não observá-lo, deve compensar essa isenção jejuando uma quantidade equivalente de dias em outro momento do ano.

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Para os judeus dos tempos bíblicos, as três grandes obrigações da vida religiosa eram a oração, a esmola e, novamente aqui, o jejum. Por mais elevado que fosse o ideal desta prática, o judeu que jejuava corria o sério risco de fazê-lo na intenção de mostrar aos outros uma disciplina e devoção superior. Observe: o jejum era realizado na segunda e na quinta-feira. Estes eram, também, os dias de mercado, quando todos os vilarejos e cidades, inclusive Jerusalém, recebiam multidões vindas do campo. Logo, era a oportunidade perfeita para “ostentar” piedade a um público imenso. Era comum ver pessoas andando pelas ruas com os cabelos despenteados, com a roupa suja e rasgada e até com o rosto coberto de pó branco para parecerem pálidas; tudo isso feito de forma deliberada, para que todos ao redor percebessem que estavam jejuando e admirassem a sua religiosidade.

Definitivamente, aquele não era um ato de humildade, mas de orgulho e vaidade espiritual. O que deveria ser uma ação dirigida a Deus acabava sendo focada nos homens. No entanto, o verdadeiro jejum ensinado por Deus não envolve essas práticas, nem tem como objetivo um reconhecimento por parte das outras pessoas. O próprio Jesus afirmou: “Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa” (Mateus 6:16-18). Comentando esse texto, Martinho Lutero afirmou: “Cristo não tinha a intenção de desprezar nem rejeitar o jejum, sua intenção era restaurar o jejum correto”.

Propósitos do jejum na Bíblia

Nos tempos bíblicos, o jejum sempre envolvia algum propósito. Em alguns casos, era um ato de penitência nacional, como quando todo o povo judeu jejuou após o desastre da guerra civil contra Benjamim (Juízes 20:26), ou quando Samuel fez o povo jejuar por ter-se afastado de Deus e seguido a Baal (1 Samuel 7:6), ou quando Neemias fez com que o povo jejuasse e confessasse seus pecados (Neemias 9:1). Nestas ocasiões, o jejum foi uma manifestação de arrependimento a Deus. “O espírito do verdadeiro jejum e oração é o espírito que rende a Deus mente, coração e vontade” (Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 189).

Já em outros momentos, o jejum foi usado como preparação para um encontro com Deus. Moisés, no monte Sinai, jejuou durante quarenta dias e quarenta noites (Êxodo 24:18); Daniel jejuou enquanto esperava receber a palavra de Deus (Daniel 9:3); o próprio Jesus jejuou enquanto esperava a prova da tentação (Mateus 4:2). O princípio, aqui, é o de submeter o corpo a uma disciplina para manter a mente mais acordada e alerta. O foco dos pensamentos passa da comida física para o alimento espiritual. “O verdadeiro jejum, que deve ser recomendado a todos, é a abstinência de qualquer espécie estimulante de alimento, e o uso apropriado de alimento saudável e simples, que Deus proveu em abundância. Precisam os homens pensar menos acerca do que hão de comer e beber de alimento temporal, e muito mais acerca do alimento do Céu, que dará tono e vitalidade à experiência religiosa toda” (Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 188).

Benefícios do jejum

… para a saúde

A realidade é que alguns de nós estamos vivendo para comer, e não comendo para viver. Neste sentido, praticar algum tipo de jejum periodicamente é um excelente remédio para muitos dos males que nos afligem. “A intemperança no comer é muitas vezes a causa da doença, e o que a natureza precisa mais é ser aliviada da indevida carga que lhe foi imposta. Em muitos casos de doença, o melhor remédio é o paciente jejuar por uma ou duas refeições, a fim de que os sobrecarregados órgãos digestivos tenham oportunidade de descansar. Um regime de frutas por alguns dias tem muitas vezes produzido grande benefício aos que trabalham com o cérebro” (Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 188).

para a nossa disciplina

É nossa tendência satisfazer todos os nossos impulsos. Muitos somos, inclusive, escravos de algum hábito e achamos impossível superá-lo. Desenvolvemos uma ansiedade tal por certas coisas que passamos a depender delas. Ao jejuarmos, percebemos que podemos, com a graça e o auxílio de Deus, ser mais fortes que as nossas vontades; ser senhores dos nossos prazeres, e não o contrário. “Quando Cristo Se via mais tenazmente assaltado pela tentação, não comia nada. Confiava-Se a Deus, e mediante fervorosa oração e perfeita submissão à vontade de Seu Pai, saía vencedor. Os que professam a verdade para estes últimos dias, acima de todas as outras classes de professos cristãos, devem imitar o grande Modelo na oração” (Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 186).

… para nosso crescimento espiritual

Deus age em nós e nos auxilia quando demonstramos o desejo ardente de nos aprofundarmos nas coisas espirituais e fazermos a Sua vontade. “Pontos difíceis da verdade presente têm sido compreendidos pelos fervorosos esforços de uns poucos que eram dedicados à obra. Jejum e fervente oração a Deus têm levado o Senhor a abrir-lhes ao entendimento os Seus tesouros de verdade” (Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 186).

Dificuldades para jejuar

Existem pessoas cujo quadro clínico exige um acompanhamento médico antes da realização do jejum, e há outros casos em que esta prática é desaconselhada ou proibida (como para gestantes e pessoas com problemas crônicos de saúde). Mas, mesmo nestas circunstâncias, é possível fazer um jejum frugal, seguindo orientações médicas.

Para outras pessoas, jejuar é algo muito difícil e penoso. Uma das razões para isso é o hábito de comer liberalmente. Se você não está habituado ao jejum, provavelmente sentirá pontadas de fome ou desconforto durante o período de abstenção. Durante anos, seu estômago foi condicionado a emitir sinais de fome em momentos determinados; de certa forma, ele é como uma criança mimada, e crianças mimadas não precisam de pronto atendimento, mas de disciplina.

“As pessoas que condescenderam com o apetite para comer livremente carne, molhos altamente temperados e várias espécies de substanciosos bolos e conservas não podem imediatamente ter prazer num regime simples, saudável e nutritivo. Seu paladar está tão pervertido que não têm apetite para um regime saudável de frutas, pão simples e verduras. Não devem esperar que logo de início tenham prazer em alimento tão diferente daquele com que têm estado condescendendo. Se não podem, a princípio, ter prazer em alimento simples, devem jejuar até que o possam. Esse jejum se lhes demonstrará de maior benefício do que remédios, pois o abusado estômago encontrará o descanso de que há muito vinha necessitando, e a verdadeira fome pode ser satisfeita com um regime simples” (Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 190).

Jejum sem resultados

Algumas pessoas jejuam mas não veem efeito algum por não o estarem realizando da forma correta. A Bíblia é clara ao descrever a essência do verdadeiro jejum, que agrada a Deus:

“(…) ‘Por que jejuamos, se tu nem notas? Por que nos humilhamos, se tu não levas isso em conta?’ Acontece que, no dia em que jejuam, vocês cuidam dos seus próprios interesses e oprimem os seus trabalhadores. Eis que vocês jejuam apenas para discutir, brigar e bater uns nos outros; jejuando assim como hoje, o clamor de vocês não será ouvido lá no alto. Seria este o jejum que escolhi: que num só dia a pessoa se humilhe, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? É isso o que vocês chamam de jejum e dia aceitável ao Senhor? Será que não é este o jejum que escolhi: que vocês quebrem as correntes da injustiça, desfaçam as ataduras da servidão, deixem livres os oprimidos e acabem com todo tipo de servidão? Será que não é também que vocês repartam o seu pão com os famintos, recolham em casa os pobres desabrigados, vistam os que encontrarem nus e não voltem as costas ao seu semelhante? Então a luz de vocês romperá como a luz do alvorecer, e a sua cura brotará sem demora; a justiça irá adiante de vocês, e a glória do Senhor será a sua retaguarda. Então vocês pedirão ajuda, e o Senhor responderá; gritarão por socorro, e ele dirá: ‘Eis-me aqui’” (Isaías 58:2-9).

Sim, o jejum nos traz promessas divinas, mas também, responsabilidades. O descumprimento dos deveres da vida cristã nos leva a perder o objetivo das disciplinas espirituais e, consequentemente, a bênção de Deus que as acompanha. Se não vemos a nossa luz romper como o alvorecer, a nossa cura brotar, ou não sentimos a glória do Senhor sendo a nossa retaguarda durante o jejum, é bem provável que não estejamos fazendo a nossa parte no cumprimento da promessa.

Neste sentido, Ellen White cita um interessante fato histórico: “Quando Lord Palmerston, premier da Inglaterra, foi pedido pelo clero Escocês para designar um dia de jejum e oração, a fim de livrar o país da cólera, respondeu, com efeito: Limpai e desinfetai vossas ruas e casas, promovei a limpeza e a saúde entre os pobres, e providenciai para que tenham abundância de bom alimento e vestuário, e executai corretas medidas higiênicas, em geral, e não tereis nenhuma ocasião para jejuar e orar. Tampouco o Senhor ouvirá vossas orações enquanto estas Suas precauções permanecerem desatendidas” (Ellen White, Santificação, p. 30).

Por fim, precisamos entender a necessidade e a urgência que temos do jejum. Vivemos tempos difíceis, em que carecemos de força e sabedoria divinas para enfrentar as provações. “Vieram, depois, os discípulos de João e perguntaram a Jesus: Por que nós e os fariseus jejuamos muitas vezes, mas os seus discípulos não jejuam? Jesus respondeu: Como podem os convidados para o casamento estar tristes enquanto o noivo está com eles? No entanto, virão dias em que o noivo lhes será tirado, e então eles vão jejuar” (Mateus 9:14-15). Nós, hoje, estamos sem o noivo, e por isso precisamos buscá-lo em fervoroso jejum e oração.

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