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O que precisamos saber sobre traduções da Bíblia em português?

Entenda o que é interessante levar em conta quando o assunto são as diferentes versões e traduções da Bíblia Sagrada.

Talvez uma das dúvidas que muitos estudantes da Bíblia Sagrada possuem é quanto à tradução. Alguns se perguntam: qual a melhor versão se o interesse é fazer um estudo mais aprofundado? Ou, com qual tradução conseguirei compreender melhor textos antigos escritos em contextos muito diferentes?

Segundo a Sociedade Bíblia do Brasil (SBB), em 2024 as sociedades bíblicas ao redor do mundo concluíram traduções do livro sagrado do cristianismo em 105 línguas. Pelo menos 74 línguas receberam suas primeiras traduções das Escrituras, incluindo 13 línguas de sinais, acessíveis a 100 milhões de pessoas.

Próximo do Dia da Bíblia, que se comemora no Brasil no segundo domingo de dezembro, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou sobre traduções com um especialista.

O entrevistado é José Roberto do Nascimento. Ele é diretor de Tradução e Publicações da SBB; bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP); além de pastor, professor de Teologia, História e Literatura do Novo Testamento, com ênfase na Obra e Teologia Lucana.

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Com a popularização da Bíblia, inclusive em formato digital, existem múltiplas traduções em português. Quais critérios o estudante da Bíblia deve levar em conta para decidir qual tradução é a mais adequada em termos de fidelidade às melhores cópias e manuscritos disponíveis?

Diante da multiplicidade de traduções bíblicas disponíveis em língua portuguesa, a Sociedade Bíblica do Brasil entende que a escolha deve considerar, antes de tudo, o propósito de leitura e as necessidades espirituais e acadêmicas do leitor.

Para estudos mais aprofundados da Palavra de Deus, recomenda-se que se privilegie traduções que sigam métodos reconhecidos internacionalmente e que utilizem as melhores edições dos textos nas línguas originais, hebraico, aramaico e grego. Critérios como fidelidade aos manuscritos, precisão terminológica, clareza, transparência metodológica e rigor acadêmico são essenciais para quem deseja compreender o texto sagrado com responsabilidade e reverência.

Além disso, é importante observar se a tradução resulta de um trabalho interdenominacional e comprometido com o serviço às igrejas e ao anúncio do Evangelho, como é a prática da SBB. Assim, o leitor pode prosseguir confiante de que está se aproximando da Escritura por meio de um texto que honra tanto os fundamentos da fé cristã quanto a integridade acadêmica necessária para manusear a Palavra com seriedade.

Processo de tradução

Fale um pouco sobre como funciona atualmente o processo de tradução da Bíblia ao português. Esse processo inicia quando e de que forma o texto sagrado do cristianismo finalmente chega até as pessoas?

A tradução bíblica contemporânea é fruto de um processo profundamente responsável, amplamente reconhecido internacionalmente. Ela ocorre por meio de comitês que reúnem tradutores especializados nas línguas originais, revisores, consultores de crítica textual, linguistas, teólogos e especialistas em estilo. Trata-se de uma obra essencialmente comunitária, já que nenhuma tradução nasce da vontade individual de uma pessoa, mas de um discernimento colegiado que busca servir às igrejas e fortalecer a missão de tornar a Palavra acessível a todos.

As revisões de traduções existentes surgem em resposta às necessidades reais das comunidades cristãs: ajustes para maior compreensão, atualizações decorrentes de novos estudos bíblicos e arqueológicos ou, ainda, adequações decorrentes das transformações naturais da língua ao longo do tempo.

Como a língua é viva, revisões amplas costumam ocorrer a cada 20 ou 25 anos, garantindo que a Bíblia permaneça clara, fiel aos manuscritos e compreensível para novas gerações de leitores e discípulos. Após esse processo, a Escritura é disponibilizada em diversos formatos, para que ninguém deixe de ter acesso à Palavra de Deus: edições impressas, versões digitais, gravações em áudio, textos em braille, edições de estudo, porções bíblicas, seleções temáticas e, cada vez mais, vídeos em Línguas de Sinais (como a Libras).

Programas de difusão bíblica, iniciativas missionárias, trabalho com capelanias hospitalares, escolares e prisionais, projetos de impacto bíblico e social, além de plataformas de acesso gratuito ampliam ainda mais o alcance da Palavra, cumprindo o chamado cristão de levar a boa-nova às diversas comunidades do país e do mundo.

Paráfrases do texto bíblico

Qual a visão da SBB sobre versões parafraseadas da Bíblia e versões modernas que costumam adaptar o texto bíblico em português a linguagens consideradas mais familiares a determinados grupos sociais?

A Sociedade Bíblica do Brasil adota uma postura respeitosa diante da diversidade de traduções e projetos bíblicos existentes. Cada iniciativa serve a um propósito específico e busca alcançar determinados públicos com a mensagem cristã. No entanto, a SBB se dedica exclusivamente à tradução, e não à paráfrase. A paráfrase é compreendida como um recurso complementar, derivado do texto bíblico, útil para meditação, acessibilidade e aproximação inicial ao texto, mas que envolve maior liberdade interpretativa.

Por isso, é importante que o leitor cristão saiba distinguir entre tradução (cujo compromisso é transmitir com precisão o sentido do texto original) e paráfrase (cujo foco é comunicar o conteúdo de maneira adaptada). A SBB não estabelece juízo comparativo entre versões “melhores” ou “piores”, mas encoraja cada pessoa a escolher aquela que melhor a auxilia em sua jornada de aprendizado e conhecimento da Palavra de Deus, compreendendo claramente o tipo de obra que está utilizando. Em tudo, permanece o compromisso de servir às igrejas e de honrar a verdade bíblica que ilumina e transforma vidas.

Achados e história

Descobertas arqueológicas e históricas em geral podem ajudar a tornar diferente ou aperfeiçoar o texto bíblico que conhecemos (em português)?

Sim. A SBB acompanha de perto os avanços da crítica textual, da arqueologia e dos estudos históricos. Novas descobertas, como manuscritos, inscrições e materiais que iluminam o contexto sociocultural do mundo bíblico, podem contribuir para um entendimento mais apurado dos textos originais. Esses avanços ajudam, por exemplo, a esclarecer variantes textuais, revisar escolhas lexicais ou confirmar tradições manuscritas. Por isso, revisões periódicas de traduções são práticas comuns, não apenas em português, mas em dezenas de outras línguas. O compromisso é sempre garantir que o texto bíblico em circulação reflita, da melhor forma possível, o estado atual do conhecimento acadêmico e das melhores fontes disponíveis.

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