Sair das grandes cidades – agora ou quando? Parte I

É gratificante constatar como Deus cuida de Seus filhos e como as orientações divinas são uma bênção em cada situação da vida. Em II Crônicas 36:15, lemos que o Senhor enviou profetas “porque se compadecera de seu povo”. A iniciativa em se comunicar por meio de profetas (Números 12:6; Hebreus 1:1) é um gesto de Sua misericordiosa compaixão. Crer no testemunho dos profetas e aceitar o espírito de profecia é uma marca identificadora do remanescente (Apocalipse 12:17 e 19:10).

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Entre os temas preferidos das transmissões das últimas semanas, estão os estudos sobre os eventos finais. E realmente esse deve ser objeto de cuidadosa reflexão. Afinal, Ellen White recomendou: “deve-se fazer um grande esforço para manter este assunto perante o povo”[1]. Nestes tempos, surgem em abundância alusões escatológicas de todos os vieses, e entre elas, as que exortam o abandono imediato das grandes cidades. O que existe de revelação sobre esse assunto nos escritos inspirados de Ellen White é o que será considerado a seguir.

Uma abordagem consciente desse tema precisa levar em conta pelo menos quatro aspectos: 1) as vantagens e desafios de se mudar agora para o campo; 2) a orientação escatológica para sair das grandes cidades e o decreto dominical; 3) o tempo de vender as propriedades; e, 4) o compromisso da igreja com os grandes centros.

As vantagens e desafios de se mudar agora para o campo

É inegável o conjunto de recomendações e razões deixadas para que os adventistas do sétimo dia possam optar agora por viver junto à natureza. Ellen White escreveu sobre isso em várias ocasiões e esses conselhos se encontram registrados em muitos de seus livros. Entre as vantagens de uma vida no campo, destacam-se alguns aspectos, dentre tantos outros:

1) proporciona melhor ambiente para a família e para a educação dos filhos; 2) gera oportunidade para uma vida mais espiritual e missionária; 3) permite afastar-se dos elementos nocivos e tentadores das cidades; 4) facilita a edificação do caráter; 5) oferece benefícios físicos, mentais e espirituais para todos os membros da família; 6) propicia cultivar os próprios alimentos; e, 7) possibilita estar em contato direto com as obras de Deus na natureza.

A seguinte citação, escrita em 1903, destaca a importância do tema: “Deve-se sair das grandes cidades o mais depressa possível e adquirir um pedaço de terra, onde seja possível ter um jardim em que os filhos vejam as flores crescer e delas aprendam lições de simplicidade e pureza”[2]. Esse parágrafo resume muito bem a resposta encontrada para o primeiro tópico deste artigo. Recomenda-se, para uma visão mais ampla e completa, a leitura do livro Vida no Campo ou do capítulo Vida no campo de Eventos Finais, ambos de autoria de Ellen G. White, publicados pela Casa Publicadora Brasileira, editora oficial dos adventistas do sétimo dia.

Fica evidente que Ellen White apresenta uma mensagem clara para deixar as grandes cidades o quanto antes, observando-se, porém, diversas recomendações de avaliação, cuidado, planejamento, prudência e oração. Na seção VII do livro Vida no Campo, encontra-se uma carta que ela escreveu, em 1892, em resposta à notícia recebida de que muitas famílias estavam se preparando para deixar a cidade de Battle Creek, então sede do adventismo. Foram separados dois trechos:

“Vossa carta me diz, meu irmão, que há muitas pessoas que estão profundamente empolgadas no sentido de mudarem de Battle Creek. Há necessidade, grande necessidade, de esse trabalho ser feito, e agora. Aqueles que têm consciência disto, finalmente, devem se mudar, mas não o façam às pressas, com excitação, de maneira precipitada ou de um modo em que, no futuro, se tenham de arrepender profundamente de se haverem mudado”[3].

“Nada se faça de maneira desordenada, para que não haja grande perda ou sacrifício de propriedade, devido a discursos ardentes e impulsivos que despertam um entusiasmo que não é segundo a vontade de Deus; para que, por falta de equilibrada moderação, da devida contemplação, e de sãos princípios e propósitos, uma vitória que necessitava ser ganha se transforme em derrota”[4].

Mais um conselho precioso: “Pode haver indivíduos que façam tudo precipitadamente e entrem em algum negócio de que nada sabem. Deus não exige tal coisa. Pensai com simplicidade, de maneira piedosa, estudando a Palavra de Deus com todo cuidado e devoção, tendo o espírito e o coração despertos para ouvir a voz de Deus. […] É uma grande coisa conhecer a vontade de Deus”[5].

Portanto, mudar para o campo, sim, e o quanto antes, melhor. Porém, que tudo se faça de maneira planejada e sob a direção divina. Fica muito claro que essa decisão é de natureza pessoal e que ninguém tem autoridade para “dar ordens” a quem quer que seja. O máximo que se pode fazer é aconselhar com espírito humilde, convidando as pessoas a pensarem e refletirem no assunto. Que cada um peça sabedoria a Deus, e depois, com oração, tome a própria decisão, sem interferências.

O segundo aspecto a ser considerado é a orientação escatológica para se deixar as grandes cidades, que juntamente com outros dois pontos, serão considerados em um próximo artigo nesta coluna. Que o Senhor nos conduza neste assunto para que, sob Sua direção, cada um estude esse tema e permita ser guiado pelo Espírito Santo a uma sábia decisão.


Referências:

[1] White, Ellen G. Fundamentos da Educação Cristã. Casa Publicadora Brasileira, 1975, p. 336.

[2] White, Ellen G. Eventos Finais. Casa Publicadora Brasileira, 2014, p. 61.

[3] White, Ellen G. Vida no Campo. Casa Publicadora Brasileira, 1983, p. 37.

[4] Idem, p. 39-40.

[5] Idem, p. 38-39.

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