Sermão | Mutirão de Natal 2020

Arquivo em PDF do sermão do Mutirão de Natal 2020.

FAZER DOWNLOAD AQUI


Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?

Reload Reload document
| Open Open in new tab

 

SERMÃO EM TEXTO: MUTIRÃO DE NATAL 2020

COM- PAIXÃO

Pr. Eber Soares Nunes

Diretor do Ministério Pessoal

União Sudeste Brasileira

Quem é o meu próximo? Essa pergunta costumava intrigar os judeus e era, com frequência, assunto de discussão entre eles. Na verdade, a única dúvida que eles, de fato, tinham era saber quem, dentre os de sua família, amigos e compatriotas israelitas, podia ser considerado como próximo, pois, com certeza, pagãos e samaritanos estavam excluídos dessa categoria.Quando defrontado com essa pergunta (Lc 10:29), Jesus preferiu, como de costume, responder com uma parábola. É curioso perceber que, ao todo, Jesus usou cerca de 44 parábolas, ou seja, 1/3 de Seus ensinos foi proferido em forma de analogia. Com certeza, Ele fazia isso para deixar Sua verdade bem ilustrada e clara na mente de Seus ouvintes.A palavra grega traduzida por “parábola” significa “comparação”, “tipo”, “figura”. Sendo as-sim, o propósito de uma parábola é despertar inquirição, indagação, ensinar por associação com objetos comuns, apelar a diferentes corações, despertar os indiferentes, impressioná-los com a verdade e cativar o ouvinte, levando-o a pensar em suas próprias ações. O fato é que Jesus normalmente usava parábolas porque Seu objetivo era chocar as pessoas. Mas, além desse interesse, perguntamo-nos se Seu objetivo era impressionar as pessoas de todos os tempos. Será? Se a resposta é tão clara, por que parece que hoje Suas palavras não provocam o mesmo tipo de reação? Sem dúvida, as palavras estão tão corroídas atualmente que raramente nos surpreendem. É como ouvir uma anedota quando já se conhece a piada. Para sermos impressionados, portanto, temos que redescobrir o sentido da Palavra, a beleza e a surpresa do novo sentido.

A PARÁBOLA

Primeiramente, é interessante ressaltar que a parábola do Bom Samaritano se referia a uma narrativa verdadeira, conforme afirmam muitos estudiosos. Portanto, Jesus corria grande risco ao contar uma história em que os judeus eram apresentados de modo negativo e os samarita-nos, de modo positivo. Além do mais, Seu relato poderia, facilmente, ser usado contra Ele. Sen-do esse um incidente conhecido da época, que talvez tivesse ocorrido pouco antes, podemos dizer que, provavelmente, muitos em Jericó sabiam até onde viviam o sacerdote e o levita da história. Na verdade, dificilmente alguém apresentaria um sacerdote e um levita de forma tão dura se não tivesse um incidente real e possível de ser relacionado com a história.Segundo Ellen G. White, essa parábola não só era uma história real, mas também bem conhecida daqueles que a escutavam. Além disso, ela afirma que aquele sacerdote e aquele levita estavam presentes ali escutando a narrativa fiel dos lábios do Mestre. Na verdade, quando eles se depararam com o moribundo, pensaram estar sozinhos, pensaram que ninguém os havia visto, mas agora, para espanto deles, o papel que desempenharam no episódio foi revelado como se houvesse ali uma testemunha ocular. Na verdade, ao encontrarem o homem semimorto, “todo o Céu observava, para ver se o coração desses homens seria tocado de piedade pela desgraça humana”1. Mas, que grande decepção! Eles ignoraram o fato e passaram de lado!Entretanto, deve ficar bem destacado que essa não é uma parábola do sacerdote mau, dos ladrões ou do levita maldoso. Essa é a história do BOM samaritano, ensinando-nos que, diante dos cinismos, das hipocrisias e dificuldades da vida, o lado bom da história deve ser mais destacado que o ruim.

O CAMINHO

A narrativa começa apresentando um judeu que vai, a pé, pela estrada que ligava Jerusalém a Jericó. Jerusalém, a capital, a cidade amada do povo de Deus, local onde estava o famoso templo, orgulho da nação. Jericó, por sua vez, a segunda cidade mais importante da Judéia. Entre seus habitantes se encontravam milhares de sacerdotes e levitas que, de tempos em tempos, iam a Jerusalém para oficiar no templo e participar ativamente da adoração a Deus. O caminho de Jerusalém a Jericó era um caminho reconhecidamente perigoso. “Jericó, fica 240 metros abaixo do nível do mar morto. […] e Jerusalém está 765 metros acima do nível do mar.” Portanto, “o caminho de Jerusalém para Jericó, que em apenas 25 quilômetros abaixa cerca de 1000m até chegar ao vale do Jordão, passa por lugares desertos, e era conhecido pelos frequentes assaltos de bandidos a viajantes”. Era um caminho que corria entre desfiladeiros rochosos com curvas imprevistas, o que fazia dele um lugar ideal para os salteadores.

CERTO HOMEM: A VÍTIMA

O homem assaltado aparece na história como um anônimo abandonado: um viajante que, nesse momento, estava carente, desprotegido, marginalizado, sem dinheiro e sem ninguém por ele. Jogado à beira da estrada, caído na sarjeta, o desafortunado viajante, nu e ferido, encontrava-se jogado à sorte. Se estava acordado, não tinha forças nem para pedir socorro e temia pela própria vida.

O SACERDOTE E O LEVITA: SEM DESCULPAS

Entram em cena, casualmente, aqueles que poderiam mudar a sorte desgraçada daquele homem: um sacerdote e um levita. Curiosamente, os indivíduos da parábola não são identificados pelos nomes, mas caracterizados pelas funções e ações.Quanto ao sacerdote, naquela época, eram tantos os sacerdotes disponíveis para atuar em apenas um templo, que eram divididos em turmas, cada qual servindo apenas duas semanas por ano nos serviços do templo. Mas, passando por ali, viu o homem ferido e maltratado, envolto em seu próprio sangue. Após uma rápida olhadela, o sacerdote apressou o passo e passou de largo. Em uma atitude de completo desamor, ele ignorou completamente aquela situação e procurou não se envolver nem se incomodar com o pobre miserável. Quem sabe ele tivesse trabalhado todo o fim de semana e estivesse cansado, com saudades de casa. Depois de trabalhar tanto para o Senhor, nada mais justo do que ir diretamente para o descanso merecido. Bom, o fato é que o sacerdote nem sequer olhou para o ferido viajante e continuou seu caminho.Então, veio o levita e, encontrando-se na mesma situação, passou de largo, a exemplo do sacerdote, e deixou ali o infeliz quase a morrer. Se aquele infeliz estivesse morto, tocá-lo significaria contaminação ritual. Além disso, existia a possibilidade de que ele fosse samaritano ou gentil. E agora? Era ilegal para um sacerdote tocar o cadáver de qualquer um que não fosse um parente próximo (Lv 21:1-4). Além do mais, se esse sujeito se aventurou a viajar por aqueles caminhos, desacompanhado, é porque era mesmo um irresponsável e imprudente. Teve, portanto, o que merecia. Pensando bem, aquela situação poderia ser uma emboscada. Ele poderia estar fingindo e, assim que alguém se aproximasse, salteadores cairiam sobre o levita tornando-o a verdadeira vítima da história. Por outro lado, a lógica, a obrigação e o bom senso indicavam que, indubitavelmente, tanto o sacerdote quanto o levita teriam que ajudar o próximo. Mas suas desculpas interiores sugeriam-lhes que não haveria nada mais inteligente a fazer, a não ser sair dali o mais rápido possível.

O SAMARITANO: A COERÊNCIA DA PAIXÃO

Os samaritanos eram inimigos dos judeus, considerados como cães, o que daria ao samaritano da nossa história um bom motivo para passar de largo, também, só pela possibilidade de encontrar ali, um judeu. Mas ele “passou-lhe perto” (Lc 10:33). Viu o drama do homem abandonado, sentiu por ele, envolveu-se e ajudou-o. Por mais estranho e ilógico que pareça, quem ajudou era um rejeitado, um inimigo, aquele considerado um cão.A expressão “ter compaixão” é uma das mais importantes do Novo Testamento. Significa ser tocado no âmago do próprio ser, nas próprias entranhas. Ele primeiro teve compaixão em seu coração, e tudo o que ele fez daí em diante foi apenas o resultado da misericórdia, do amor que foi despertado em sua alma.Não havia qualquer motivo lógico para que aquele samaritano mudasse seus planos e gastas-se seu dinheiro só para ajudar um “inimigo” necessitado, mas sua atitude provou que a misericórdia não precisa de motivos. Sem dúvidas, ele percebeu que a vítima era um desses judeus arrogantes por quem os samaritanos nutriam um desprezo sistemático, mas isso não o impediu de se aproximar e ajudar. Importou-se com o semimorto, mesmo sabendo que, se a situação fosse inversa e ele fosse o ferido atirado junto ao caminho, talvez não encontrasse misericórdia por parte de um judeu. Correndo o risco de ser ele também tomado de assalto e terminar do mesmo jeito que aquele que estava diante de si, ele se deteve para cuidar de seus ferimentos.Além de tudo, a compaixão do samaritano transtornou seus planos. Preparara-se para a via-gem com comida, bebida e dinheiro. No entanto, usou tudo o que tinha para um fim totalmente inesperado. Ele deu seu vinho para que as feridas fossem limpas, deu seu azeite para aliviar a dor, seu dinheiro para pagar o preço da recuperação e fez tudo quanto pôde, dispondo até de seu próprio animal para que o enfermo fosse carregado em segurança e recuperasse sua saúde. “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?” (Lc 10:36).Diante dessa pergunta, o escriba respondeu sem hesitar: “Aquele que usou de misericórdia para com ele” (Lc 10:37).

JESUS: O BOM SAMARITANO

A misericórdia manifestada pelo samaritano reflete muito de perto o espírito que moveu o Filho de Deus a vir a este mundo para resgatar a humanidade. Deus não era obrigado a resgatar o homem sofredor e poderia ter passado de largo diante de nossa situação. Mas o Senhor Se dispôs a ser “tratado como nós merecemos a fim de podermos ser tratados como Ele merece”.Cristo, o Bom Samaritano, teve compaixão do homem caído, cobriu seus ferimentos e levou-o a um lugar seguro. Ele estava presente na hora de dor e abrigou o homem em Seus braços, cuidou de suas feridas e não o deixou só. Cristo deu tudo quanto possuía, deu a Si mesmo para dar a vida novamente ao homem criado à imagem de Deus. “Jesus mostrou que não faz referência a raça, cor ou distinção de classe. Nosso próximo é toda pessoa que carece de nosso auxílio.Nosso próximo é toda alma ferida e magoada pelo adversário. Nosso próximo é todo aquele que é propriedade de Deus.”Hoje, Jesus diz o mesmo que falou ao escriba: “Vai e procede tu de igual modo” (Lc 10:37). “Se alguma coisa gastares a mais eu to indenizarei quando voltar” (Lc 10:35).Três tipos de pessoas entraram em contato com o samaritano naquela ocasião e podem re-presentar três grupos de pessoas modernas com atitudes e filosofia de vida bem características:

OS ASSALTANTES

Os primeiros a entrar em contato com aquele homem foram os assaltantes e, em sua ação, demonstraram cobiça e ganância, procurando preservar, ao máximo, tudo quanto possuíam e se empenhando em conseguir pegar o que era do próximo para si. Hoje, vemos que essa classe aumenta à medida que o fim se aproxima. O apóstolo Paulo escreveu: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, […] implacáveis, […] cruéis” (2 Tm 3:1-3).

OS RELIGIOSOS

O segundo tipo de pessoas é retratado pelos religiosos: o sacerdote e o levita. Sua atitude diante do infortúnio alheio foi de indiferença. Sua filosofia de vida é idêntica à deste mundo. Chega a ser intrigante, mas muitos que se dizem cristãos, são, na verdade, meros cidadãos egoístas indiferentes à dor, tristeza e infelicidade dos outros. E. G. White escreveu: “A desumanidade do homem para com o homem, eis nosso maior pecado”. Quantas vezes, mesmo empenhados na obra de Deus, nós nos entusiasmamos com novos projetos, métodos e alvos, e, contudo, somos indiferentes para com os que sofrem.

OS CRISTÃOS

A terceira classe é representada pelo Bom Samaritano. A força motivadora desse tipo de pessoa é o amor que procede de Deus (1Jo 4:7). Quem o manifesta claramente evidencia que é convertido (1 Jo 3:14; 4:7). Tal amor cumpre a lei (Rm 13:8-10; Gl 5:14). Aquele que vive sem levar Deus em conta busca apenas seus próprios interesses, vive unicamente para si. Mas aquele que busca agradar a Deus estende seu raio de ação para além de si e dos seus, e está disposto a ajudar quem se encontra em necessidade. Essa qualidade de amor é de origem celeste e só é encontrada no coração daqueles que realmente são convertidos. “Quando o eu está imerso em Cristo, o amor brota espontaneamente. A perfeição de caráter do cristão é alcançada quando o impulso de auxiliar e abençoar a outros brotar constantemente do íntimo – quando a luz do Céu encher o coração e for revelada no semblante.”

MAIS VERDADES QUE FICAM

Como o samaritano pediu que o hospedeiro cuidasse do necessitado, Cristo também pediu que cuidássemos dos que padecem necessidade: “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vi-mos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25:35-40). E da mesma forma como o samaritano disse ao hospedeiro que voltaria e o recompensaria (“Eu to pagarei quando voltar” – Lc 10:35), Cristo prometeu que voltaria e nos recompensaria: “Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25:34).Sem dúvida, essa parábola é muito apropriada para nós hoje. Ao olharmos o caráter de cada figura usada naquela ocasião, que aprendamos as grandes lições eternas que ainda estão vivas para guiar nosso caminho rumo à nossa mais nobre característica: a capacidade de amar e servir ao nosso próximo. Assim, sejamos como o Bom Samaritano, uma vela que se consome para dar luz e calor aos que a cercam. Deus nos convoca, hoje, a ajudarmos o próximo. Juntos, em amor, compaixão, bondade e misericórdia em prol de um irmão necessitado de esperança, de pão, de uma oportunidade, de uma chance para mudar sua vida.

REFERÊNCIAS: 

  1. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, CD Rom), p. 500.
  2. Bíblia de Estudo Almeida , auxílios para o leitor, dicionário p.61. Bíblia de Estudo Almeida , auxílios para o leitor, dicionário p.60
  3. Bíblia de Estudo Almeida , notas de rodapé no Novo Testamento p. 110.
  4. Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 8, p. 208
  5. Ibidem, p. 503
  6. Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, CD Rom), p. 163.
  7. Ellen G. White, Beneficência Social, (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, CD Rom), p. 82.
Facebook Comments

sobre baixoguandu

Avatar
É um grande privilégio de elaboração do site PORTAL ADVENTISTA DE BAIXO GUANDU/ES, no dia 18 de Setembro 2014 para a divulgação aqui na cidade local, regional e em todos os Países. Nosso Objetivo é divulgarmos os programas, materiais entre outros que se realizam na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em prol do Evangelho Eterno, assim diz o Senhor: “ Breve Jesus Cristo Voltará” Apocalipse 22:1-21. Portanto não será então em benefício próprio, sim a necessidade desse divulgação nessa cidade que todos se entregam sua vida a Jesus Cristo, nosso Salvador. Att: Thiago Amaral de Oliveira - Baixo Guandu/ES.

Além disso, verifique!

7 Passos Para um Mutirão de Natal Diferente

  Facebook Comments

×

Portal Adventista de Baixo Guandu/ES

Seja Bem-Vindos (as). Conheça os Materiais e Conteúdos da Igreja Local e Mundial.

× Atendimento Online!