Sermonário| Quebrando o Silêncio 2020-2021

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SERMONÁRIO EM TEXTO:

DEUS E A VIOLÊNCIA

INTRODUÇÃO

“Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra” (Gênesis 6:13).

A violência tem estado presente em diferentes contextos socioculturais ao longo da história da humanidade. E em nosso mundo pós-moderno, vivemos momentos turbulentos, ou melhor, em um estado de violência latente. Em todo o mundo, mais de 50 mil mulheres são assassinadas anualmente por companheiros atuais ou passados, por pais, irmãos, outras mulheres, e até irmãs e outros parentes, simplesmente por causa do papel que exercem em sua condição de mulher. No Código Penal brasileiro, o feminicídio, crime considerado hediondo, é o assassinato de uma mulher cometido por razões em torno da condição de ser uma pessoa do sexo feminino. Esse tipo de crime tem como origem a violência doméstica e familiar e/ou o menosprezo ou discriminação à condição de mulher. No Brasil, o feminicídio ocupa o quinto lugar no ranking mundial de mortes contra mulheres e violência doméstica. As pesquisas apontam também que o aprendizado da violência está no cerne do comportamento masculino violento: 70% dos homens que praticam atos violentos presenciaram violência na infância. E esse tipo de convivência faz com que incorporem um padrão de violência nas suas relações afetivas. Outras pesquisas mostram que na maioria das vezes o perfil do agressor é de pessoas “normais”, cidadãos “de bem”, isto é, são brancos, negros, jovens, adultos, idosos, ricos, pobres, desempregados, assalariados, pais de família. Apesar de não haver um perfil único que caracterize o agressor, algumas das características mais descritas na literatura sobre esses homens são a inflexibilidade cognitiva, a presença de pensamentos distorcidos, a impulsividade e o fato de não assumir responsabilidade pelos próprios atos. Quanto à idade dos agressores, os dados apontam que desde adolescentes até idosos podem agredir. A faixa etária não é algo determinante. A maioria é sem antecedentes criminais, e pouquíssimos possuem histórico de doença mental. Sobre a escolaridade, 47,6% dos homens que agridem não completaram o ensino fundamental. Ainda segundo a análise, o fato de o parceiro ser desempregado, ser aposentado ou ter um trabalho informal aumenta em quase duas vezes o risco de ele cometer violência. Dessa forma, podemos constatar que os agressores de mulheres não são monstros, nem loucos. São homens comuns. Existe um dado novo e desconcertante em relação ao feminicídio: as pesquisas atuais mostram que em 45% dos casos os homens que assassinaram seu par não tinham nenhum antecedente violento conhecido; entrariam num amplo grupo que pode ser classificado como de agressores “eventuais”, e, portanto, imprevisíveis. A grande massa de agressores e assassinos de mulheres leva uma vida socialmente normal. E, dessa forma, percebe-se que não há um padrão único; a violência de gênero não pode ser tratada como um fenômeno homogêneo, porque é heterogêneo e multicausal. O feminicídio é um crime de ódio. Esse tipo de ódio se espalha pelo mundo moderno, se encontra em São Paulo, na Geórgia, em Berlim, na Síria, na Rússia, no Iraque, em Los Angeles, e em muitas outras partes do mundo. Esse ódio alcança o cidadão comum e ocorre, na maioria das vezes, no contexto da relação de um casal. A agressividade pode ser considerada uma qualidade natural humana, uma vez que precisamos dela para nos impulsionar, dar o start, por meio da energia que despende, para diversas atividades da vida. É possível afirmar que parte dessa energia se junta à nossa intuição para a defesa contra predadores, ou seja, é uma porção do instinto de sobrevivência. Porém, o desequilíbrio dessa agressividade pode transformar muitos de nós nos verdadeiros e perigosos predadores, em uma sociedade já saturada de pressões psicológicas e exigências morais que desafiam nosso equilíbrio mental. O resultado da soma desses desequilíbrios com nossa herança genética e o ambiente no qual somos expostos desde a infância, cria condições favoráveis para o surgimento de ações odiosas e danosas a nós mesmos e à sociedade.

I – DE ONDE VEM A VIOLÊNCIA, SEGUNDO A ESCRITURA?

1ª – A VIOLÊNCIA NÃO VEM DE DEUS A criação é um ato de amor e poder, não de violência. Nós que somos cristãos precisamos e devemos ter uma compreensão mais profunda das raízes da violência. Na mensagem de Deus a Noé, Ele deixa claro que não é cúmplice da violência humana: “Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra” (Gênesis 6:13). Após serem expulsos do Jardim do Éden, Adão e Eva tiveram seus dois primeiros filhos, Caim e Abel. “Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor. Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador” (Gênesis 4:1, 2). Segundo Ellen White, os dois irmãos “estavam cientes da providência tomada para a salvação do homem, e compreendiam o sistema de ofertas que Deus ordenara. Sabiam que nessas ofertas deveriam exprimir fé no Salvador a quem tais ofertas tipificavam, e ao mesmo tempo reconhecer sua total dependência dEle, para o perdão; e sabiam que, conformando-se assim ao plano divino para a sua redenção, estavam a dar prova de sua obediência à vontade de Deus” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 40).

2º – A VIOLÊNCIA PROVÉM DO ÓDIO, CIÚME E INVEJA QUE CULTIVAMOS EM NOSSO CORAÇÃO

É razoável supor que Caim imaginava que, como primogênito, seria o escolhido por seu pai para receber sua bênção e um papel de liderança na família. Mas ele foi preterido. Dessa forma, Caim, sentindo-se inferiorizado em relação ao irmão mais novo, fechou-se e deixou-se invadir pela inveja que criou ódio contra quem tinha o que ele desejava. Esse sentimento cultivado no coração está na raiz dos nossos atos violentos. E segundo o relato bíblico, esse ódio contra quem tem o que você deseja, é o verdadeiro responsável pelo primeiro ato homicida da humanidade (Gênesis 4:1-16). Caim matou Abel por uma razão que veio de dentro do coração – seu egoísmo gerou ciúme e inveja a ponto de transformar seu amor em ódio. Esse desequilíbrio envolvendo o ciúme e a inveja torna-se nítido quando Caim o expressa de forma violenta e assassina, chegando a negar o valor e a importância do outro para afirmar a existência de seu próprio valor. Isso acontece porque o ciúme agrega consigo um complexo de vários sentimentos como raiva, inveja, ódio, posse e baixa-autoestima, gerando insegurança e desenvolvendo um desequilíbrio entre o desejo e a posse.

3º – A INDEPENDÊNCIA DE DEUS TAMBÉM PROVOCA ATOS VIOLENTOS

Segundo Ellen G. White, Caim “preferiu a conduta de dependência própria. Viria com seus próprios méritos. Não traria o cordeiro, nem misturaria seu sangue com a oferta, mas apresentaria seus frutos, produtos de seu trabalho. Apresentou sua oferta como um favor feito a Deus, pelo qual esperava obter a aprovação divina” (Patriarcas e Profetas, p. 40). Caim se tornou um idólatra, e essa idolatria provocou uma cisão interna e uma separação de Deus, geradoras de angústia e infelicidade,as quais o fizeram ter sentimentos hostis e violentos em relação ao outro. O outro era culpado pelo seu atual estado de infelicidade, e por isso deveria ser eliminado ou punido de alguma forma. Para ser bem-sucedido nessa sua jornada de vingança, Caim se tornou desumano, agiu como animal indomável. Sua racionalidade se transformou em violência e despotismo. Existiu uma falta de Deus absurda. Mas Deus insistiu em estar presente na vida de Caim e fez uma advertência a Caim ao perguntar: “Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gênesis 4:6, 7). Essa orientação divina buscou fazer com que Caim refletisse sobre si mesmo, levando-o a se responsabilizar pela frustação que experimentava, parando assim de jogar a culpa no outro para olhar a real causa de seus sofrimentos, pois negar essa realidade não é o caminho para resolvê-los. Deus estava promovendo essa reflexão como uma oportunidade para que Caim pudesse olhar para si mesmo, ficar quieto, a sós, para se conhecer, autoanalisar e assim buscar do alto a força para ter o domínio próprio. A decisão de Caim foi de não fazer essa reflexão proposta por Deus. Em sua arrogância, ele começou a escutar seus próprios desejos contaminados pelo pecado. Caim não aceitou a soberania de Deus, recusou-se a obedecê-Lo, e fez de si mesmo um deus. Com uma ação egoísta em sua forma mais perversa, convertido em inveja, em ressentimento, e finalmente em ódio, concretizou o que sentia com ações de violência. O pecado é predatório, traiçoeiro e fica escondido atrás da porta, de tocaia, à espreita para alimentar esse desejo de violência assassina.

II – O QUE PODEMOS FAZER PARA CONTROLAR ESSA VIOLÊNCIA?

1º – É NECESSÁRIO NASCER DE NOVO

Se quiser ver-se realmente livre do domínio do pecado, é necessário nascer de novo para ganhar um novo coração e um novo espírito (Salmo 51:10,; Ezequiel 36:25-27,; Isaías 57:15). Somente o sacrifício de Jesus pode purificar o ser humano de sua imundície, tornando-o capaz de oferecer um sacrifício que expresse a vontade de Deus, puro e do agrado do Senhor. Para Ellen G. White, “é unicamente pelos méritos de Jesus que nossas transgressões podem ser perdoadas. Aqueles que não sentem necessidade do sangue de Cristo, que acham que sem a graça divina podem pelas suas próprias obras conseguir a aprovação de Deus, estão cometendo o mesmo erro de Caim. Se não aceitam o sangue purificador, acham-se sob condenação. Não há outra providência tomada pela qual se possam libertar da escravidão do pecado” (Patriarcas e Profetas, p. 41).

2º – É NECESSÁRIO MAIS DE CRISTO EM MINHA VIDA

Existem muitos que acreditam que a espécie humana necessita não de redenção, mas de “desenvolvimento”, que a espécie humana pode aperfeiçoar-se, elevar-se e regenerar-se. Porém, a humanidade não consegue fazer isso sozinha; ela precisa de Cristo. “A humanidade não tem poder para regenerar-se. Ela não tende a ir para cima, para o que é divino, mas para baixo, para o que é satânico. Cristo é a nossa única esperança” (Patriarcas e Profetas, p. 41). O fim da violência se resume em se aproximar cada vez mais de Deus e buscar ter um caráter semelhante ao dEle. Gênesis 4:9 diz: “Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Caim se afastou da presença do Senhor e se deixou dominar pela violência. Avançou tanto no pecado que perdeu a intuição da contínua presença de Deus e de Sua grandeza e onisciência. Assim, recorreu à falsidade para esconder sua culpa. Por não permitir que Deus cuidasse de suas emoções, o desejo homicida dominou, e Caim passou a ser um fugitivo e errante sobre a face da Terra. E, assim, a violência que ocorreu no caso de Caim e Abel acontece hoje com muitas mulheres que clamam por justiça!

CONCLUSÃO

Todos nós temos um enorme potencial para produzir violência. A fábrica produtora da violência está dentro do ser humano, e não fora dele! O apóstolo Tiago vai na mesma direção ao fazer a pergunta: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras” (Tiago 4:1, 2). A resposta de Tiago é direta: a violência é fruto do que está dentro, das paixões que guerreiam dentro de cada um. A violência não deve ser aceita, sob nenhuma forma e em nenhuma hipótese. Deus não criou a violência, nem a quer entre Seus filhos. Deus deu o seguinte testemunho de Seu filho Jesus e Sua missão: “Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios. Não contenderá, nem gritará, nem alguém ouvirá nas praças a sua voz. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça vencedor o juízo. E, no seu nome, esperarão os gentios” (Mateus 12:18-21). A igreja deve ser uma comunidade de paz, e essa paz deve ser levada para todos aqueles que agem com violência em seu lar. Será que vamos notar essas pessoas? Será que vamos ajudar essas pessoas a não se aproximarem da borda do penhasco? A polícia não pode e nem conseguirá supervisionar a vida de todos. Nossas leis definem o comportamento civil, mas não podem domar a natureza humana pecaminosa. Atirar de volta é sempre pior do que parar o tiroteio antes que ele comece. Trabalhar para barrar a violência é muito melhor do que consertar seus estragos. Jesus nos chama para amenizar e curar as feridas onde pessoas são rejeitadas e abusadas por outros, para nos conectarmos aos machucados antes que ataquem e firam mais pessoas na vã tentativa de reduzir o nível de tensão e violência ao redor, quando essa tensão e violência estão instaladas dentro de cada coração e mente.

 

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É um grande privilégio de elaboração do site PORTAL ADVENTISTA DE BAIXO GUANDU/ES, no dia 18 de Setembro 2014 para a divulgação aqui na cidade local, regional e em todos os Países. Nosso Objetivo é divulgarmos os programas, materiais entre outros que se realizam na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em prol do Evangelho Eterno, assim diz o Senhor: “ Breve Jesus Cristo Voltará” Apocalipse 22:1-21. Portanto não será então em benefício próprio, sim a necessidade desse divulgação nessa cidade que todos se entregam sua vida a Jesus Cristo, nosso Salvador. Att: Thiago Amaral de Oliveira - Baixo Guandu/ES.

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