Sermonário | Semana da Esperança 2019 (Textos)

 


 


TEMA 01: A MAIOR DECISÃO: CONHECER A DEUS 

TEXTO-CHAVE

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho” (Hb 1:1, 2).

INTRODUÇÃO

Deus sempre buscou Se dar a conhecer. Antes que o pecado impusesse uma barreira entre Ele e nós, a comunicação com Deus era pessoal e direta. A última vez que esse tipo de comunicação ocorreu foi por ocasião da entrada do pecado no mundo. Deus foi ao encontro do primeiro casal, no Jardim do Éden, e lhes anunciou as consequências de sua desobediência (Gn 3:8-11). Nunca mais o ser humano desfrutaria desse grau de intimidade com Deus ao se comunicar com Ele. Ou será que, de alguma forma, essa comunicação seria novamente possível? Um homem tomou a pior decisão de sua vida, ao perder a comunicação com Deus, face a face, devido ao pecado. Será que outro homem poderia restabelecer a comunhão com Deus?
Vários séculos se passaram e a Bíblia registra a experiência de um homem que mantinha comunicação sumamente íntima e direta com Deus. Seu nome era Moisés. Dele nos é dito: “Todo o povo via a coluna de nuvem que se detinha à porta da tenda; todo o povo se levantava, e cada um, à porta da sua tenda, adorava ao SENHOR. Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda” (Êx 33:10, 11).
Depois da morte de Moisés, é provável que Josué tenha acrescentado o seguinte à biografia desse grande líder: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face” (Dt 34:10). Deus conhecia Moisés face a face e, nessa experiência, Moisés também conheceu a Deus.
A forma de comunicação entre eles era muito simples e direta. Eles conversavam. Você consegue imaginar? Falar com Deus como você fala com seu amigo! Em diversas ocasiões, a Bíblia assinala que Deus tomou a iniciativa de chamar e falar com Moisés, além de responder às suas inquietações.

DESENVOLVIMENTO

Depois de fugir do Egito, Moisés passou 40 anos no deserto de Midiã. Para trás ficaram os dias da realeza e de seu poder na corte egípcia. Devem ter sido anos difíceis, marcados por um passado com erros e um futuro como pastor de ovelhas, que contrastava com o potencial que ele tivera. Ele não desconhecia a triste condição de Israel no Egito, mas agora nada podia fazer. Agora era um mero expectador de sua própria vida. Pelo menos era isso o que ele pensava.
Contudo, chegou o dia em que “[…] Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui!” (Êx 3:4). Ele poderia ter perfeitamente rejeitado o apelo de Deus e, até mesmo, não se sentiu digno de tão honroso convite para servi-Lo, mas tomou a melhor decisão de sua vida: a partir daquele momento, tudo mudaria.
Desde aquele dia, os diálogos entre Deus e Moisés foram muitos e profundos. Houve ocasiões nas quais algumas pessoas acompanharam Moisés no trajeto de suas entrevistas com Deus; no entanto, era apenas Moisés que se acercava e falava com Deus (Ex.: Êx 24:1, 2). Sem sombra de dúvida, essas entrevistas a sós com Deus devem ter marcado profundamente a vida desse líder. Porém, poderíamos perguntar como as demais pessoas do povo de Israel tinham uma experiência de proximidade com Deus.
Houve momentos importantes na experiência do povo, nos quais Deus não apenas falou com Moisés, mas lhe pediu que compartilhasse suas palavras e experiências, por escrito, com o povo. Alguns episódios foram muito positivos, outros, muito lamentáveis por parte do povo. Mesmo assim Deus pediu para Moisés fazer registro de Sua misericórdia e fidelidade, para ficar na memória. Daí em diante, Moisés serviu ao Senhor. Quando mantemos relação estreita com Ele, necessariamente somos Sua voz para aqueles que nos rodeiam. Vejamos alguns exemplos:
• Êxodo 17:14. O povo acabara de murmurar contra Moisés e contra Deus. Duvidara da presença de Jeová no meio deles e estavam com sede, sem encontrarem água (v. 7). A intervenção divina foi surpreendente, e todo o povo testemunhou a água brotando de uma rocha, em Horebe. A despeito de sua rebeldia, Deus manteve Sua fidelidade, provendo-lhes para as necessidades. Pouco depois desse incidente, os amalequitas saíram a guerrear contra Israel. Moisés recebeu instruções diretas de Deus e, enquanto elas foram seguidas, eles venceram os amalequitas. Jeová os havia livrado. Porém, o incidente da água nos faz lembrar quão rebelde e esquecido o povo era. Por isso, Deus disse a Moisés: “Escreve isto para memória num livro” (v. 14). É significativo pensar que esses relatos estão em nossa Bíblia, hoje, devido ao fato de Moisés seguir essa instrução divina. Eles nos servem como lembretes constantes da fidelidade e da paciência de Deus. A Palavra de Deus, que hoje temos, sem dúvida, é o melhor registro de um homem que tomou a melhor decisão de sua vida: ter uma vida ligada a seu Senhor. Você possui uma Bíblia? Consiga uma, pois é a melhor forma que temos de iniciar uma relação íntima com nosso Deus. Através de suas linhas você O conhecerá profundamente.
• Êxodo 24:4, 7. Esse episódio registra o otimismo do povo. Eles desejavam guardar todas as instruções de Deus (capítulos 20-23). Essas instruções foram escritas no “Livro da Aliança” (v. 7). Provavelmente, esse livro foi sendo ampliado com o tempo, até que foi colocado ao lado da arca da aliança, que continha as tábuas da lei (ver Dt 31:9-11, 26). O otimismo do povo serve de pano de fundo para a narração que se segue. Moisés sobe ao monte para receber mais instruções da parte de Deus quanto à forma pela qual Ele Se revelaria a eles no santuário (capítulos 25-31). Contudo, quando Moisés volta para o acampamento, encontra o povo que- brando todas as promessas que havia feito: o famoso episódio do bezerro de ouro (capítulo 32). Que contraste! O livro escrito por Moisés e ouvido pelo povo era um poderoso testemunho contra eles. Porém, como é lindo ver o diálogo íntimo entre Deus e Moisés, dando uma nova oportunidade ao povo: “E disse: Senhor, se, agora, achei graça aos teus olhos, segue em nosso meio conosco; porque este povo é de dura cerviz. Perdoa a nossa iniquidade e o nosso pecado e toma-nos por tua herança” (Êx 34:9).

CONCLUSÃO

A comunicação íntima entre Deus e Moisés dá forma ao que hoje conhecemos como o Pentateuco: os cinco primeiros livros da Bíblia. Ele é um testemunho irrefutável de nossa debilidade, como seres humanos; e, ao mesmo tempo, proclama quão grande é o amor de Deus para conosco.
Sua Palavra nos lembra das maravilhas que Ele nos prometeu. Assim como agiu no passado, irá fazer o mesmo conosco no presente. Porém, quão facilmente nos esquecemos de que temos um Deus poderoso ao nosso lado! Devemos permitir que a Bíblia refresque a nossa memória e nos convide a confiar nas vitórias que Deus nos dará.

Ao mesmo tempo, quão gratificante é poder recordar as experiências do povo de Deus. Nada foi oculto: o bom e, especialmente, o mau são relatados com total honestidade. A Bíblia não procura esconder as imperfeições e, ao assim fazer, permite-nos entender que Deus está disposto a Se relacionar com seres imperfeitos. Deus é um Deus de oportunidades. Cada erro que cometemos é uma oportunidade na qual Ele nos mostra Sua graça e fidelidade. A Bíblia dá testemunho disso.
A vida de Moisés não foi perfeita. Ela foi marcada por lutas, pelo desânimo, pelo cansaço e, em certas ocasiões, pela frustração. Contudo, ele tomou a melhor decisão de sua vida. O tempo todo o diálogo íntimo com seu Deus o susteve e o fez perseverar.

APELO

Quais dificuldades você enfrenta hoje? Você quer falar, mas não tem quem o ouça? Você teme contar o que apenas poderia lhe acarretar problemas ou levá-lo a sofrer preconceito? Há um Deus que ouve e que fala com todo aquele que está disposto a manter diálogo íntimo com Ele. A Bíblia é o resultado desse diálogo e está à sua disposição. O segredo de Moisés foi simples: ele falava com Deus. Você tem a mesma oportunidade. Você pode viver a vida com esperança ao confiar na Palavra de Deus. Lembre-se: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15:4). Você está disposto a aceitar a palavra de Deus? Permitirá que haja um diálogo honesto com Deus? Deseja ser testemunha de como a Palavra de Deus o guiará? Então, viva ao lado do Deus que fala e ouve.


TEMA 02: A MAIOR VITÓRIA

TEXTO-CHAVE

“Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei” (Sl 40:8).

INTRODUÇÃO

“Como vai você? ”, perguntamos. Na maioria das vezes, ouvimos apenas uma resposta: “Bem”. Parece que é importante ao ser humano estar bem. Ou, visto de outra forma, não estar mal. Se ampliarmos essa tendência básica, também podemos notar que isso se aplica à conduta. Até mesmo os que erraram farão o impossível para minimizar o impacto de sua má conduta diante da opinião pública. Parece que há algo no ser humano que lhe diz que lhe corresponde o bem e não o mal. Em nosso esforço para sermos bons, realizamos boas obras. Não há nada mau nisso. Porém, parece não ser suficiente para as situações onde as coisas andam mal. Quando ocorrem aqueles momentos escuros, perguntamo-nos de que nos adiantou “comportarmo-nos bem”. Se o fato de ser bom não é garantia para a ausência de problemas, então por que ser bom? Nesse cenário, muitos optam por abraçar a ética que diz que “o fim justifica os meios”. Ainda mais quando se trata de alcançar a salvação, sou bom; não faço mal a ninguém e creio que a mereço e muito mais.
A Bíblia nos apresenta a vida de um homem que era bom. Ele fez muitas coisas admiráveis, mas chegou um momento em sua vida quando se deu conta de que nunca poderia alcançar o bem máximo que lhe daria paz. Percebeu que sua conduta impecável igualmente o deixava em “dívida”, se comparada com Deus. O que aconteceu com ele? Ficou desesperado? Deprimido? Revoltado com Deus?

DESENVOLVIMENTO

Vejamos sua história. O relato de sua vida aparece resumido em dois livros na Bíblia. 2 Reis 22 e 2 Crônicas 34. Neste caso, seguiremos os detalhes oferecidos pelo cronista. Os primeiros versos (1, 2) nos informam a respeito do que ele “fez certo”; até mesmo o reinar desde os oito anos de idade. Parece que um menino dessa idade já sabe fazer distinção entre o bom e o mau.
No oitavo ano de seu reinado (aos 16 anos; v. 3) ele procurou buscar a Deus com maior dedicação. Na história de Judá houve muitos reis antes dele, tanto bons quanto maus, que poderiam servir-lhe de referência. Ele escolheu a melhor referência possível: o rei Davi, “seu pai”; seu grande antepassado.
Ao seguir esse bom exemplo, erradicou muito do que diz respeito à idolatria, que fora introduzida na vida diária do povo (Ler e destacar alguns marcos dos versos 4-7.). Alguns reis anteriores haviam feito algumas reformas similares. Ele estava seguindo esse exemplo. Isso nos mostra que é possível servir e fazer as coisas bem feitas se nos dispusermos a isso.
Porém, no 18º ano de seu reinado (aos 26 anos), ele decide avançar um pouco mais na busca do bem para si e para seu povo. Satisfeito com haver “purificado a terra e a casa” (a nação de Judá e o templo; v. 8), decide que a casa de Deus necessitava ser reparada. Não seria o primeiro a reparar a casa de Deus, mas era algo que ele ainda não havia realizado. Não surpreende que, à medida que ele avançava em idade, igualmente em suas boas ações, Josias sentia que algo mais deveria ser feito.
Como seres humanos, ocorre o mesmo conosco. Em nossa busca pelo bem ou por estarmos satisfeitos conosco mesmos, sentimos que algo mais falta para que nossa vida esteja completa. Ellen White afirmou: “A educação, a cultura, o exercício da vontade, o esforço humano, todos têm sua devida esfera de ação, mas neste caso são impotentes. Poderão levar a um procedimento exteriormente correto, mas não podem mudar o coração; são incapazes de purificar as fontes da vida” (Caminho a Cristo, p. 18). Talvez essa declaração explique, em parte, a busca constante de Josias. Ao mesmo tempo, temos aí uma grande lição: Se dependermos de boas ações para nos sentirmos bem, como poderíamos estar bem quando nos equivocamos ou simplesmente não temos forças para realizar a “próxima boa obra”? Consideremos como a experiência de Josias nos oferece uma resposta.
Deus havia preparado uma surpresa para o rei Josias. Em sua boa iniciativa de reparar o templo, ele estava dando oportunidade a Deus para que Se revelasse de forma mais clara. Em meio à logística necessária para a reparação do templo, ocorreu algo inesperado: “Quando se tirava o dinheiro que se havia trazido à Casa do SENHOR, Hilquias, o sacerdote, achou o Livro da Lei do SENHOR, dada por intermédio de Moisés” (2Cr 34:14). Esse achado representaria tanto um desafio quanto uma oportunidade para o rei.
O livro da lei chegou às mãos e aos ouvidos de Josias por meio do escriba Safã: “O sacerdote Hilquias me entregou um livro. Safã leu nele diante do rei. Tendo o rei ouvido as palavras da lei, rasgou as suas vestes” (v. 18, 19). Que resposta foi a de Josias! Em seu encontro com Deus, por meio de Sua lei, foram-lhe abertos os olhos para uma grande verdade: tudo o que ele havia feito, embora bom, jamais estaria à altura do elevado ideal de Deus. Entendeu que não bastava fazer coisas boas. Por mais que sua história fosse impecável, assim mesmo sentiu sua indignidade ao perceber a santidade da vontade de Deus. O que fazer? Josias buscou a orientação da profetisa Hulda: “Ide e consultai o SENHOR por mim e pelos restantes em Israel e Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR, que se derramou sobre nós, porquanto nossos pais não guardaram as palavras do SENHOR, para fazerem tudo quanto está escrito neste livro. Então, Hilquias e os enviados pelo rei foram ter com a profetisa Hulda, mulher de Salum, o guarda-roupa, filho de Tocate, filho de Harás, e lhe falaram a esse respeito. Ela habitava na Cidade Baixa, em Jerusalém” (2Cr 34:21, 22).
A resposta de Hulda foi dupla: uma parte para o povo, que se obstinava no pecado (v. 23-25); outra, para o rei. Leiamos estes versos: “Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar o SENHOR, assim lhe direis: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca das palavras que ouviste: Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, quando ouviste as suas ameaças contra este lugar e contra os seus moradores, e te humilhaste perante mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o SENHOR. Pelo que eu te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua sepultura, […]” (v. 26-28, itálico acrescentado). Hulda não respondeu: “Não se preocupe, você se comportou bem, portanto as suas boas obras anulam as suas faltas”. É significativo que, diante da consulta sincera de Josias, Hulda o anima e destaca sua atitude diante de Deus: humildade e arrependimento. A lei de Deus permitiu que Josias percebesse que nunca chegaria a ser suficientemente bom, visto que reconhecia sua necessidade de Deus e de Seu perdão.
Temos de entender algo: fazer o que é correto e agir com justiça é sempre melhor do que viver fazendo o mal. Contudo, quando mesmo em nossa boa conduta não temos paz, Deus nos lembra de que esse não é o caminho e que devemos entregar-Lhe nossas faltas e fracassos. Ele nos dá a paz que as nossas ações jamais nos poderão dar. Mas há a lei de Deus. Ela se torna um espelho que nos permite olhar francamente para nossa realidade e perceber o que é bom ou mau.

CONCLUSÃO

Muitos dizem que é impossível guardar toda a lei de Deus. Em certo sentido, eles não estão errados. Em nosso estado caído e pecaminoso, naturalmente fracassaremos em tentar alcançar a ética de Deus. Porém, guardar a lei também significa reconhecer o diagnóstico que ela faz de nós: erramos; mas quando reconhecemos o erro, há um Deus disposto a perdoar. Este último sim está ao nosso alcance. Reconhecer que Deus nos oferece a Sua lei como lembrete de que podemos confiar nEle é um grande presente!
Devemos ter bem claro que a Lei não nos confere a salvação, antes, ela nos leva a ela, ao preferirmos fazer sempre a vontade de Deus. Ela não nos livra de tudo ao que hoje estamos expostos: idolatria, falsa adoração de imagens, excesso de trabalho, relação ruim com os pais, assassinatos, infidelidade, roubo, problemas de relacionamento, inveja. Nosso Deus nos quer livrar de tudo isso e, embora você acredite que esteja vivendo de forma perfeita, perceberá que, quanto mais perto de Deus você estiver, mais imperfeito você se sentirá e terá maior desejo de acertar sua vida com Ele.
Para ser salvo você não necessita simplesmente ser bom, mas sim fazer a vontade do Senhor, crer nEle, seguir Seus conselhos e, por meio dEle, reconhecer sua condição, confessar seu pecado, arrepender-se e entregar-Lhe sua vida, pois Ele está disposto a recebê-lo.

APELO

Você tenta viver presumindo a existência de Deus, mas sem reconhecer sua necessidade dEle? Até um homem bom, como Josias, viu como a lei de Deus o livrou de um dos questionamentos que o acompanhava desde pequeno: “Se eu me comporto bem, por que sigo sentindo que algo me falta?” Assim como ocorreu com ele, a lei de Deus o pode livrar do engano de confiar em si mesmo; ela o fará lembrar-se de suas limitações e o levará Àquele que lhe pode dar a paz. “Assim, observarei de contínuo a tua lei, para todo o sempre. E andarei com largueza, pois me empenho pelos teus preceitos” (Salmos 119: 44, 45).


TEMA 03: SERÁ QUE HOJE É O MOMENTO DA DECISÃO? 

TEXTO-CHAVE

“Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões” (Sl 51:1).

INTRODUÇÃO

Quando medito na Bíblia e nos seres humanos que ela apresenta, louvo o nome de Deus porque não vejo nela super-homens; vejo nela seres humanos como eu e você, com virtudes e muitos defeitos. Os personagens bíblicos foram homens e mulheres reais, com lutas, defeitos, pecados acariciados, assim como você e eu.
Hoje, iremos nos concentrar em algumas experiências do rei Davi. Ele é conhecido como o homem “segundo o coração de Deus”. Como é o coração de Deus? A Bíblia descreve a Deus como a expressão máxima do amor, não apenas como algo que Ele manifesta, mas como o traço distintivo de Seu ser. A partir disso, adjetivos como misericordioso, justo, paciente e tantos outros simplesmente não bastam para descrever a Deus. Se uma pessoa é descrita como alguém que vive em conformidade com o coração de Deus, nossa tendência seria pensar que isso se deve referir a alguém perfeito em todo o sentido. Ou não?
Não é necessário conhecer detalhadamente a vida de Davi para saber que ele não foi perfeito. Ele cometeu erros e negligências, assim como qualquer um de nós. Então, por que se diz que ele foi um homem “segundo o coração de Deus”?

DESENVOLVIMENTO

Devemos ir ao texto bíblico que cunha essa expressão. Em 1 Samuel 13, lemos: “homem segundo o seu coração” (v. 14, ARC). Esse era o tipo de homem que Deus estava buscando para substituir Saul como rei. Por que Deus faria isso?
Saul e seu exército estavam preparados para ir à batalha contra os filisteus. O profeta Samuel havia dito a Saul que chegaria em sete dias para oferecer holocausto, antes da batalha. Porém, Saul sentiu que Samuel estava demorando. Além disso, viu muitos de seu exército inquietos e vários o abandonaram. Não mais suportando a situação, assumiu uma atribuição que não lhe correspondia: ofereceu o holocausto e, assim sendo, desobedeceu a Deus. Por ser rei, cria que estava acima do que Deus havia estabelecido. Não se humilhou e nem tampouco esperou pelo tempo divino. Ao crer que ele era o único caminho para que a batalha fosse bem-sucedida diante dos inimigos, fez o que apenas aos sacerdotes era permitido realizar. Momentos depois, chega Samuel. Se tão somente ele tivesse esperado e confiado em Deus, não entrando em desespero! Em sua desobe- diência, não agiu conforme o coração de Deus e Jeová Se proveria de um que guardaria e respeitaria os preceitos divinos.
Ser alguém conforme o coração de Deus, à luz desse fato, não indica perfeição. Antes, enfatiza a disposição para reconhecer e se humilhar diante da vontade de Deus. Isso é fundamental, se desejarmos que Deus nos livre, tanto de nossas lutas diárias quanto deste mundo mau e doente pelo pecado.
Davi, cedo, aprendera a confiar em Deus. Antes de ser ungido rei, quando era um simples pastor de ovelhas, ele já havia testemunhado o poder de Deus. Quer com leões ou ursos (1Sm 17:36, 37), Jeová o havia livrado e ele sabia que confiando em Deus, ganharia todas as batalhas. Essa confiança plena em Deus o preparou para encontrar redenção diante de seus maiores erros e pecados. O mais conhecido de todos foi o seu envolvimento com a esposa de Urias, o heteu, Bate-Seba.
Conhecemos a história: “Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, com ele, e a todo o Israel, que destruíram os filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém. Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa. Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É BateSeba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu. Então, enviou Davi mensageiros que a trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela. Tendo-se ela purificado da sua imundícia, voltou para sua casa” (2Sm 11:1-4).
Como pode um homem segundo o coração de Deus cometer esse pecado? Como pode tal homem enviar o marido da mulher à morte, a fim de ocultar seu pecado? O homem segundo o coração de Deus não é perfeito. Então, o que isso quer dizer?
Para responder, leiamos como Deus vai ao encontro dele através do profeta Natã. “O SENHOR enviou Natã a Davi. Chegando Natã a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. Tinha o rico ovelhas e gado em grande número; mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma cordeirinha que comprara e criara, e que em sua casa crescera, junto com seus filhos; comia do seu bocado e do seu copo bebia; dormia nos seus braços, e a tinha como filha. Vindo um viajante ao homem rico, não quis este tomar das suas ovelhas e do gado para dar de comer ao viajante que viera a ele; mas tomou a cordeirinha do homem pobre e a preparou para o homem que lhe havia chegado. Então, o furor de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem, e disse a Natã: Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso deve ser morto. E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu. Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. […]” (2Sm 12:1-7).
Voltemos à pergunta: O homem segundo o coração de Deus não é perfeito. O que isso significa? Depois de haver sido confrontado com a verdade, com os elevados preceitos de Deus, Davi nos mostra que ele é um homem segundo o coração de Deus: “Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR” (v. 13a). O homem segundo o coração de Deus não busca desculpas. Não se sente acima do que Deus estabeleceu como bom ou mau; nem tampouco foge de Deus, na busca de acalmar sua consciência. A pessoa conforme o cora- ção de Deus reconhece e confia no perdão divino. “Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás” (v. 13b).
Davi encontrou redenção em um caminho muito diferente do escolhido por Saul. Ao invés de “oferecer seu próprio sacrifício”, ele entendeu que deveria estar inteiramente nas mãos da misericórdia e do perdão de Deus. O que significa oferecer nosso próprio sacrifício, assim como o fez Saul? Basicamente, é supor que qualquer bem estar, presente ou futuro, depende de mim, de minhas ações, de minhas decisões, de minha conduta… de meus feitos, do que eu creio merecer. Como se justificou Saul: “forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos” (1Sm 13:12).

CONCLUSÃO

Quando pensamos nos erros que cometemos e olhamos para a condição do mundo, entramos em “desespero” para fazer algo que nos tranquilize, que nos ajude a acreditar que “tudo acabará bem”. Mas nossos esforços fazem tão pouco. A autora cristã, Ellen White, assinala: “O caráter se revela, não por boas ou más ações ocasionais, mas pela tendência das palavras e atos costumeiros” (Caminho a Cristo, p. 57). Quantas “boas obras” anulam uma “má obra”? Quanto tempo pode transcorrer sem que consigamos apagar nem mesmo um segundo de nosso passado? Na verdade, apenas uma vida voltada para a paz e para o perdão oferecidos por Deus pode encontrar o bem-estar. Ao ouvirmos falar da cruz, ficamos impressionados e emocionados, mas isso muda nossa forma de buscarmos o bem-estar? Deus não enviou o Seu Filho para morrer por pessoas perfeitas e boas. Nas palavras do apóstolo Paulo: “[…] Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15). O homem e a mulher segundo o coração de Deus não temem reconhecer seu pecado. Admitem que se afastaram dos ideais de Deus para sua vida, mas estão dispostos a não oferecer nada que substitua o sacrifício de Jesus em seu lugar. Assim como disse Davi, ao recordar esse episódio e ao reconhecer a enormidade do amor de Deus por ele: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo. Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confesseite o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado” (Sl 32:1-5, itálico acrescentado).

APELO

Qual tendência você deseja para sua vida? Oferecer “seu sacrifício”, uma mescla de boas e más obras, que somente o deixam frustrado? Ou você deseja focar sua vida no perdão oferecido por Deus e no poder transformador de Sua graça? Provavelmente, hoje eu esteja pregando a alguém que caiu, que de alguma forma ou outra desonrou a Deus, que desonrou a si mesmo e à sua família, mas que sente o chamado de Deus para viver com integridade, para viver de forma justa, sóbria e piedosa e que deseja, agora, dar uma oportunidade a seu Criador, que deseja receber Seu perdão e viver para Ele. Se você estiver ouvindo este apelo, decida-se por Jesus; reconheça seus pecados e receba Seu maravilhoso perdão. Eu desejo orar por você. Seria possível você ficar em pé para proferirmos essa oração de gratidão ao Céu? Amigo e amiga, hoje é o dia da sua salvação (2Co 6:2).


TEMA 04: O MAIOR BENEFÍCIO DE UMA DECISÃO EM CRISTO 

TEXTO-CHAVE

“Eles foram para Cafarnaum e, logo que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar” (Mc 1:21, NVI).

INTRODUÇÃO

Alguns dias atrás eu visitei um menino de 10 anos. Perguntei-lhe do que mais ele gostava na escola. “Do recreio”, foi a resposta. Parece que aprender e ser ensinado são tarefas cada vez mais difíceis.
Ensinar era um dos componentes principais do ministério de Jesus. “E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 9:35, itálico acrescentado). As coisas que Ele ensinava preparavam o caminho para que as verdades divinas fossem compreendidas e, ao mesmo tempo, para estimular a fé daqueles que seriam os protagonistas de Seus milagres.
Para nós, é natural entender a escolha de Jesus das sinagogas como o lugar de ensino. Contudo, é significativo que, salvo por uma ocasião (Lc 4:18-27), nenhum evangelho registra as palavras expressadas nos ensinos de Jesus nesse lugar. Os evangelhos nos dão a entender que os ensinos que mais marcaram os discípulos foram os que ocorreram enquanto estavam com Jesus em Suas viagens e nos diferentes encontros ou entrevistas.
Um certo dia, Jesus combinou ambos os cenários para ensinar: tanto na sinagoga quanto em Sua vivência com os discípulos. O fato ocorreu no sábado, no dia de repouso. Encontramos esses dois cenários em Mateus 12. Seus discípulos aprenderam grandes lições quanto a Seu relacionamento com o Mestre.

DESENVOLVIMENTO

O capítulo inicia com algo do cotidiano e necessário. Enquanto os discípulos caminhavam com seu Mestre, sentiram fome “[…] Ora, estando os seus discípulos com fome, entraram a colher espigas e a comer” (v. 1). Eles estavam passando pela plantação e colhiam o que lhes cabiam nas mãos. Essa conduta não era proibida; até mesmo era uma norma moralmente aceita (cf. Dt 23:25). Porém, a Mishná (a tradição dos rabinos) considerava essa ação como sega e debulha o que era proibido no sábado, além de outras 37 restrições. A queixa dos fariseus veio de imediato: “Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado” (v. 2, itálico acrescentado). Embora a acusação fosse contra os discípulos, a crítica maior era contra Jesus: como Ele não os ensinara o que dizia a tradição?
Jesus ensinava de acordo com as Escrituras que, em caso de necessidade, os mesmos privilégios dados aos sacerdotes pertenciam a todo filho de Deus que O serve, inclusive no sábado (v. 3-5). Ellen White assinala: “Se era lícito a Davi satisfazer a fome comendo do pão que fora separado para um fim santo, então era lícito aos discípulos prover a sua necessidade colhendo umas espigas nas sagradas horas do sábado. Ademais, os sacerdotes no templo realizavam maior trabalho no sábado que em outros dias. O mesmo trabalho, feito em negócios seculares, seria pecado, mas a obra dos sacerdotes era realizada no serviço de Deus. Estavam praticando os ritos que apontavam ao poder redentor de Cristo, e seu trabalho achava-se em harmonia com o desígnio do sábado. Agora, porém, viera o próprio Cristo. Os discípulos, fazendo a obra de Cristo, estavam empenhados no serviço de Deus, e o que era necessário à realização dessa obra, era direito fazer no dia de sábado” (O Desejado de Todas as Nações, p. 194, 195, itálico acrescentado).
Duas coisas ficam claras: (1) o sábado não ignora as necessidades do ser humano; e o próprio Deus zela para que aqueles que O servem tenham supridas as necessidades: é parte integral do descanso que Deus nos oferece no sábado. A cada sábado, Deus nos lembra de que, embora imperfeitos e necessitados, somos úteis em Sua causa e Ele aprecia compartilhar uma caminhada conosco, pelas “plantações” deste mundo.
Então, Jesus continua em Seu trajeto, até chegar à sinagoga desses fariseus (v. 9). Entre todas as pessoas presentes, havia um homem com um problema em uma das mãos (paralisada ou deformada). Certamente, os frequentadores dessa sinagoga o conheciam e os fariseus não eram exceção. Acreditando terem uma oportunidade ímpar de intensificar suas acusações contra Jesus, perguntaram: “É lícito curar no sábado?” (v. 10). Eles já tinham uma resposta. Sua própria tradição ensinava que, no caso de vida ou morte, toda proibição quanto ao sábado era suspensa. A única forma de entender essa pergunta é presumindo que eles consideravam que o problema do homem não representava um risco vital. Seria correto ajudar, no sábado, a um homem sofredor, embora sem que sua vida corresse risco? Olhando por esse aspecto, a pergunta dos fariseus era muito fria. Vejamos a resposta de Jesus: “Ao que lhes respondeu: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo o esforço, tirando-a dali? Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem” (v. 11, 12).
Neste caso, Ele não cita a Escritura, mas apela à lógica por nós chamada de senso comum. O argumento de Jesus gira em torno do valor do ser humano diante dEle. Por ser precioso à vista de Deus, é natural que Ele deseje “o bem” (v. 12) para cada um; ainda mais no sábado. Permitir e realizar o bem no sábado é algo aprovado por Deus. Não é necessário esperar uma emergência para honrar o objetivo do sábado e levar alívio e bondade. Somos tão valiosos à vista de Deus que Ele mesmo separou um dia para estar conosco.
Quando Deus estabeleceu o sétimo dia, Seu propósito era claro: “No Éden, Deus estabeleceu o memorial de Sua obra da criação, depondo a Sua bênção sobre o sétimo dia. O sábado foi confiado a Adão, pai e representante de toda a família humana. Sua observância deveria ser um ato de grato reconhecimento, por parte de todos os que morassem sobre a Terra, de que Deus era seu Criador e legítimo Soberano; de que eles eram a obra de Suas mãos, e súditos de Sua autoridade” (Patriarcas e Profetas, p. 20).
Súditos, autoridade. Para muitos, essas não são palavras agradáveis. No entanto, naquele sábado, o homem da mão ressequida reconheceu a autoridade de Jesus e Lhe obedeceu. Qual foi o resultado? Pôde ver na própria carne como a autoridade de Jesus atuou para assegurar seu bem-estar. A cada semana, ele se lembraria da ação restauradora de Jesus em sua vida. Jesus lhe disse: “Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra” (v. 13).

CONCLUSÃO

Que conceito herdamos ou aprendemos a respeito do sábado? “É estar ‘debaixo da lei’”, alguns dizem. “Não se pode fazer nada”, afirmam outros. Depois de estudar essas passagens, podemos chegar a essas mesmas conclusões?
Os discípulos foram testemunhas das palavras e das ações de Jesus quanto ao sábado. Dificilmente eles pensariam que o sábado fosse um fardo. Jesus lhes ensinou a desfrutarem do sábado ao resgatar os objetivos de Deus quando o instituiu. Como o “Senhor do sábado” (v. 8), Jesus destacou que, no que dependesse dEle, nenhuma necessidade de Seus filhos deixaria de ser atendida. Destacou que somos úteis como Seus colaboradores. Ao mesmo tempo, elevou o valor do ser humano acima de toda tradição e preconceito humanos. Lembrou que a relação com Ele significa restauração e bem estar. A cada semana, sábado após sábado, temos o privilégio de descansar no que Deus nos oferece.

APELO

Faço-lhe a seguinte pergunta: Você realmente deseja ser feliz? O ser humano busca a felicidade de uma forma ou outra porque quer ser feliz; mas, muitas vezes, não sabe como. No tempo em que aqui estamos, mostrei-lhes os benefícios produzidos pela decisão de Cristo e um deles é respeitar o dia do Senhor. Assim sendo, desejo convidá-los a juntos procurarmos na Bíblia o livro do profeta Isaías 56:2 que diz: “Bem-aventurado o homem que faz isto, e o filho do homem que nisto se firma, que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de cometer algum mal”.
Iremos permitir a Jesus caminhar conosco, semana após semana? Desfrutaremos da obra restauradora que Ele deseja realizar? Permitamos que Jesus nos ensine a desfrutarmos do descanso oferecido. Isso requer que façamos o que Deus nos pede: estar dispostos a sermos fiéis em Seu dia. Convido-o a provar as delícias do dia de repouso. Convido-o a desfrutar dos benefícios de ser fiel observador de Seu dia. Você está disposto a isso?


TEMA 05: A IMPORTÂNCIA DE DECIDIR HOJE 

TEXTO-CHAVE

“E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele” (At 22:16).

INTRODUÇÃO

Essas palavras fazem parte do primeiro relato de Paulo sobre sua conversão. Ele já tinha traçado uma caminhada cristã, mas nem sempre foi assim.
A Bíblia não oculta nada do passado de Paulo, antes conhecido como Saulo. Isso é bom ou ruim? Muito bom! Se alguém com um passado como o de Paulo pôde ser chamado por Cristo, há esperança para nós!

DESENVOLVIMENTO

O primeiro cristão que foi morto devido à sua fé foi Estevão. Ele foi um dos primeiros diáconos, um homem cheio do “Espírito e de sabedoria” (At 6:3). A influência de Estevão e dos diáconos era reconhecida pela comunidade em Jerusalém, e até mesmo “muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (v. 7). No entanto, Saulo esteve envolvido na morte de Estevão. Ele não foi um mero expectador, antes, com a autoridade que lhe foi concedida pelo Sinédrio, supervisou e aprovou a morte de Estevão (v. 58, 60).
A descrição do que se segue na vida de Saulo nos pode dar calafrios: “E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande pranto sobre ele. Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8:1-3). Saulo maltratava, atacava e destruída a quantos cristãos conseguia prender.
Até então, o raio de ação de Saulo se restringira a Jerusalém e a seus arredores, mas isso não lhe bastava. “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém” (At 9:1, 2). Damasco se achava a aproximadamente 225km ao norte de Jerusalém. Era uma viagem cansativa e, contudo, suas ameaças e ânsia de matar os cristãos eram combustíveis mais do que suficientes para Saulo. Ele era um homem convencido e determinado a destruir a igreja cristã. Que história! Que referências! É muito tentador buscar ocultar um passado dessa natureza.
Cristo vai ao encontro de Saulo e, a caminho de Damasco, tudo mudou para esse perseguidor da igreja. “Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (At 9:4-6). “Então, se levantou Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada podia ver. E, guiando-o pela mão, levaram-no para Damasco. Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu” (v. 8, 9, itálico acrescentado). No que será que ele pensou nessas 72 horas? Aquele a quem perseguia havia saído a seu encontro com poder. Tudo o que alguma vez ele considerou como correto estava agora sendo desafiado, depois do encontro com Jesus. Ele existia, era real … e desaprovava suas ações! O que será que passou pela mente de Saulo nesses três dias?
Deus não permitiu que transcorressem mais de três dias. Pensar muito em seus erros do passado não poderia se estender para sempre, nem tampouco faria bem a Saulo. Com isso em mente, o Senhor envia Ananias, um discípulo que vivia em Damasco (v. 10). Ele deveria visitar Saulo para que recuperasse a visão e se preparasse para ser um instrumento valioso nas mãos de Deus. Como será que o discípulo Ananias recebeu essa tarefa? No mínimo, fez uma pequena manifestação imediata: “Ananias, porém, respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e para aqui trouxe autorização dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” (At 9:13-15). Isso foi suficiente para Ananias. Quem era ele para dar mais credibilidade à reputação de Saulo do que a apreciação de Deus a respeito dele? Qualquer que tenha sido a reputação de Saulo, seu passado e suas ações, a ordem do Senhor foi suficiente para que Ananias a obedecesse. O primeiro que ele diz a Saulo é: “irmão” (v. 17).
Irmão? Aquele que pouco tempo atrás perseguia e matava os cristãos … irmão? Isso mesmo. Quando Deus nos declara dignos de estar em Sua presença, de servi-Lo e de sermos transformados por Ele, já fazemos parte de sua família; somos filhos de Deus e cada cristão é nosso irmão e irmã. Ananias entendeu isso e para ele era o suficiente.
E quanto a Saulo? O capítulo nove nos diz que “Imediatamente, lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e tornou a ver. A seguir, levantou-se e foi batizado” (v. 18). Mas parece que Saulo tinha uma dúvida que ele mesmo compartilha conosco. Em Atos 22 vemos algo mais que Ananias teve de dizer a Saulo. Isso deve ter feito uma grande diferença para ele, já que ao narrar pela primeira vez sua conversão, inclui estas palavras: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele” (At 22:16).

CONCLUSÃO

Ananias viu algo no olhar de Saulo. Viu um homem que ainda lutava com seu passado, com a reputação que ele mesmo construíra. “Por que te demoras”? Por quê? É suficiente um passado de erros e até mesmo de ataques contra Deus para não nos aproximarmos dEle? Talvez, por um momento, essa ideia tenha passado pela mente de Saulo. Com profunda convicção, Ananias proferiu essa pergunta e o chamou à ação. Saulo tinha motivos para “deter-se”? Sim. Eram suficientes para que ficasse fora do alcance da graça de Deus? Não. Seu passado lhe traria algum problema em seu ministério como discípulo de Jesus? Olhando pelo lado realista e humano, provavelmente, sim. Mas, cada um desses “porquês” o impediam de se levantar e de ser batizado e de começar uma nova vida? Através de Ananias, Deus confirmou a Saulo que não, claro que não!

APELO

Podemos ter muitos motivos para nos aproximarmos de Jesus e para nos deter no momento de Lhe entregar nossa vida. Por que você se detém? Você pode ter toda uma lista… e “muito convincente”. Contudo, assim como Deus vê as coisas, uma lista de “porquês” não impede que Sua graça o alcance e que você possa se levantar, ser batizado, lavar seus pecados e invocar Seu nome.
Deus convidou Saulo e o aceitou. Hoje, Deus o convida. Você aceitará o convite? Deixará seus “porquês” aos pés de Jesus? Levante-se, e seja batizado; o perdão e a graça de Deus tornam isso possível.


TEMA 06: O PROBLEMA DE DECIDIR DEPOIS 

TEXTO-CHAVE

“Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:37).

INTRODUÇÃO

Alguns dizem que a história se repete. Quando se destaca essa máxima, ninguém supõe que os eventos literais voltem a se repetir. Antes, fica entendido que os diferentes fenômenos, movimentos e ambições que moldaram o passado seguem atuando no presente. Isso levou o homem mais sábio do mundo a declarar: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol” (Ec 1:9, itálico acrescentado). DESENVOLVIMENTO • Uma olhada no mundo de hoje. Se o anterior for certo, muitas das coisas que ocorrem ao nosso redor não nos deveriam surpreender. Há tempos que o mundo nos apresenta um quadro no qual o bem o e mal coexistem; quando bons períodos são seguidos por períodos ruins ou, simplesmente, acabamos aceitando que não podemos controlar nem limitar as coisas que nos acontecem. Pessimista? Não, antes, realista… mas, capazes de confiar que há um futuro melhor.
Muitos líderes sociais e religiosos prometeram um futuro melhor, porém, assim como surgiram, desapareceram. Deus, por outro lado, nos assinala que logo esse “mundo melhor” será uma realidade. Já não mais teremos de esperar que, na alternância entre o bem e o mal, nos saiamos bem. Logo chegará o momento em que o mal já não existirá. Quanto falta para isso? Será isso possível, diante das circunstâncias do mundo atual?
• Mateus 24: um mapa do futuro. É muito provável que, ao olhar para a condição atual do mundo, perguntemos para onde tudo está se dirigindo. Jesus sabia que essa inquietação já estava no coração de Seus discípulos, há dois mil anos. A resposta mais completa de Jesus a esse respeito se encontra em Mateus 24.
Este capítulo pode ser abordado em duas dimensões (passada e futura), e onde cada uma delas se concentra em dois aspectos (sinais dos tempos e as atitudes dos que esperam).

Ao nos referirmos à dimensão passada, vemos o que sucederia em Jerusalém e à sua destruição final nas mãos dos romanos, em 70 d.C. Em sua dimensão futura, vemos a iminente volta de Jesus e o fim desde mundo convulsionado.
Quanto aos sinais como um de seus aspectos, dizemos que, tanto no passado quanto no futuro, certos eventos pressagiam a proximidade do desenlace. Esses eventos não deixariam a ninguém indiferente. Vejamos alguns desses sinais:
a. “E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores” (Mt 24:6-8).
Antes da destruição de Jerusalém, houve um período de muita instabilidade, como exemplo: guerras constantes nesse império romano, pestes e fomes (At 11:28), terre- motos (At 16:26) e falsos cristos (At 5:36, 37; 21:38). Um cenário similar irá se repetir no final da história deste mundo.
No aspecto que aborda as atitudes, vemos que essa passagem também antecipa como será a reação de várias pessoas diante desses acontecimentos: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. […] Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamen- to, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:12, 39-39).
• Noé: um homem que viveu antes do fim de sua civilização. É significativo que, ao dar uma resposta tão contundente, Jesus tenha escolhido apenas um personagem da história bíblica, com o qual nos podemos identificar. Entre todos os sinais, eventos, atitudes e reações, apenas ele aparece como referência a nós: o patriarca Noé. Por meio de sua experiência, podemos encontrar a resposta para um dos questionamentos mais sensíveis diante de tudo o que ocorre no mundo: Como faço para viver em um mundo assim? O que faço para não temer enquanto espero a vinda de Jesus?

a. Ser justo e perfeito: É pedir muito? De Noé nos é dito que era um “homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus” (Gn 6:9); “Matusalém, Noé, e muitos outros, trabalhavam para conservar vivo o conhecimento do verdadeiro Deus, e conter a onda dos males morais” (Patriarcas e Profetas, p. 56). Não devemos entender que Noé não pecava ou que jamais cometeu um erro; antes, sua perseverança em conhecer melhor a Deus foi o que o definiu como justo e perfeito. Sua vida piedosa nos anima a perseverarmos em meio a toda a decadência de nosso tempo.

b. Agir com base em nossas convicções: justo, perfeito, perseverou em buscar a Deus. Muitos poderiam dizer que fazem o mesmo, porque não fazem mal a ninguém e creem em Deus. Porém, Noé não se conformou com o viver uma fé passiva. O apóstolo Paulo destacou: “Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa” (Hb 11:7). Nunca ninguém havia visto chuva; embarcações dessa magnitude não tinham sido necessárias e, além disso, a terra jamais havia sofrido uma catástrofe natural. No entanto, Noé decidiu agir em obediência à ordem divina. “Enquanto Noé estava a apregoar sua mensagem de advertência ao mundo, suas obras testificavam de sua sinceridade” (Patriarcas e Profetas, p. 56). Ao não ser passivo diante das circunstâncias, ele revelou que sua fé em Deus era sincera.

c. Reconhecer as evidências dadas por Deus: Quando a arca foi concluída, ocorreu um fato que poderia ser suficiente para que toda pessoa sincera se convencesse de que eram verdadeiras as palavras de Deus quanto ao dilúvio. Uma semana antes de caírem as águas (Gn 7:4, 10), Deus ordenou a Noé que entrasse na arca. No entanto, ele não entrou sozinho com a família. Sete pares de cada animal limpo e um de cada dos impuros entraram ordenadamente, de dois em dois, na arca (Gn 7:8, 9). Que espetáculo! Ficou claro que Deus estava interessado em preservar todo ser no qual houvesse “fôlego de vida” (v. 15). Quando todos entraram, somente então Jeová “fechou a porta” (v. 16).
• Uma demora fatal. Por que ninguém mais entrou? Para os que estavam dispostos a crer, mas que talvez quisessem estar mais seguros, essa evidência do poder de Deus não lhes foi suficiente? “Os animais obedeciam ao mandado de Deus, enquanto os homens eram desobedientes. Guiados por santos anjos, ‘entraram de dois em dois para Noé na arca’ (Gn 7:9), e os animais limpos em porções de sete. O mundo olhava com admiração, e alguns com medo. Foram chamados filósofos para explicarem a singular ocorrência, mas em vão. Era um mistério que eles não podiam penetrar. Mas os homens se haviam tornado  tão endurecidos pela sua persistente rejeição da luz, que mesmo esta cena não produziu senão uma impressão momentânea” (Patriarcas e Profetas, p. 59).
Para Noé, essa foi uma evidência que confirmou a fé sobre a qual agia até aquele momento. Os sinais do fim devem fortalecer nossa fé de igual modo.
• Caminhar com Deus: uma decisão de salvação. “Noé andava com Deus” (Gn 6:9). Enquanto caminhava, Noé achou graça diante de Deus e, em meio das águas turbulentas, Deus Se lembrou dele (Gn 8:1). A Bíblia afirma que, para Noé, caminhar com Deus significou ser conhecido por Deus e ser alcançado por Sua graça. E poderia ser de outra forma? Quanto mais conhecemos como Deus nos vê, mais nos damos conta de nossa necessidade de Sua graça; uma graça que Ele está disposto a manifestar a nós. Embora Noé fosse justo e reto, o que definiu sua caminhada foi a graça de Deus, não sua integridade. Sua justiça deu força a seus passos, mas o caminho foi marcado pela graça de Deus. O mesmo deve ser visto em nossa experiência, enquanto aguardamos a breve volta de Jesus.

CONCLUSÃO

Tal como nos dias de Noé, nosso mundo vive desordenado e desenfreado. Porém, como naqueles dias, pode haver homens e mulheres como Noé. Devemos aprender a caminhar com Deus, enquanto estamos atentos aos sinais que Ele deixou. Cada sinal é um apelo para seguirmos cultivando uma fé obediente e sincera. Essa é a única fé que, assim como no caso de Noé, nos tornará herdeiro da “justiça que vem da fé” (Hb 11:7).

APELO

Permita que a graça de Deus o alcance. Sua graça é um refúgio, assim como o foi a arca nos dias de Noé. A graça e a justiça de Deus lhe permitirão estar em pé, mesmo que o mundo desmorone ao seu redor. Nos dias de Noé havia apenas dois grupos: os que obedeciam fielmente à vontade salvadora de Deus ao prepararem uma arca e nela entrar e os que questionaram, duvidaram e, por fim, riram de Deus. Você conhece o final da história; os que se salvaram e os que tiveram uma morte fatal.
Você deseja caminhar com Deus? Deseja aceitar o plano maravilhoso que Ele tem para sua vida e para aqueles que O amam? Você deseja viver uma experiência de fé e vitória, pondo sua vida e confiança na Palavra de Deus?


TEMA 07: UMA DECISÃO REPLETA DE ESPERANÇA 

TEXTO-CHAVE:

“Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme” (Mc 5:39).

INTRODUÇÃO

“A morte faz parte da vida”, ouvimos dizer. Mas isso não é verdade. A morte é uma intrusa que jamais fez parte do plano de Deus. O que a Bíblia de fato ensina é que nossa vida é breve e passageira: “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg 4:14). Essa é a nossa realidade, desde a entrada do pecado no mundo.
• A origem da vida. Quando Deus criou o primeiro ser humano, Ele o formou do pó da terra e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida. Como resultado, Adão se tornou um ser vivente (nefesh jaiá; Gn 2:7). Literalmente, deve ser traduzido como “alma vivente”. Portanto, você e eu somos uma alma vivente. Não temos uma alma, antes, somos alma: um corpo que respira.
Quando Adão e Eva pecaram, a morte se tornou realidade. Não seria prudente que vivêssemos para sempre em um mundo que iria se degradar mais e mais. Como um ato de misericórdia, Deus impediu o acesso à árvore da vida (Gn 3:22). Mesmo assim, a morte não deixou de ser uma tragédia: é a última consequência por nos termos distanciado de Deus. Contudo, Deus fez provisão para que a morte não dominasse Seus filhos para sem- pre. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23).
• Jesus derrota a enfermidade e a morte. Quando Jesus caminhou entre nós, ensinou muito a respeito do Reino de Deus. “Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:14, 15). Em todo ato de bondade, em seus ensinamentos e milagres, Jesus estava antecipando o que seria viver no reino de Seu Pai. Nesse contexto, não surpreende que não apenas Ele curava os enfermos ou ensinava ou realizava milagre, mas que atendia às necessidades das multidões. Ele também ressuscitou mortos. Não todos, mas o suficiente para dar poderoso testemunho sobre esta verdade: vencer a morte era possível e, agora, isso se evidenciava pelo ministério de Jesus.
• Uma cerimônia fúnebre que acabou em celebração. Um homem foi testemunha do poder de Deus em meio a uma tragédia que se abateu sobre sua família. Ele pôde vislumbrar as glórias do reino de Deus em meio à sua dor. Seu nome era Jairo. Ele era um dignitário da sinagoga, provavelmente, da cidade de Cafarnaum (cf. Mt 9:1, 4, 13). Certamente, ele teve que ouvir alguns ensinamentos de Jesus, e dar resposta às inquietudes daqueles que buscavam sua opinião a respeito do Mestre de Nazaré. O fato é que ele sabia quem era Jesus, reconhece-O entre e multidão e se apressa em fazer-Lhe o pedido: “Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá” (Mt 9:18). O evangelho de Lucas esclarece que se tratava da filha única, com doze anos (Lc 8:42). É difícil enfrentar a morte, até mesmo quando já se viveu bastante, muito mais ainda quando a enfrentamos em tenra idade.

a. Jesus sempre está atento às necessidades de todos: Jesus atende ao pedido e Se dirige à casa de Jairo. Contudo, no trajeto, uma mulher que padecia de uma enfermidade há doze anos se aproximou “por trás dele e lhe tocou na orla da veste” (Mt 9:20). Não foi um toque casual; ela cria que nesse toque estaria a chave para a sua cura. Ela não se equivocara. Jesus Se deteve evitando que a mulher ficasse no anonimato e lhe assegura: “a tua fé te salvou” (v. 22).
Até aqui o relato nos apresenta dois personagens: Jairo e a mulher. Ambos estavam enfrentando a morte… Mas, como? A mulher estava apenas enferma. É verdade, mas sua enfermidade a catalogava como “morta em vida”. O fluxo de sangue do qual padecia tornava-a pessoa não grata, tanto nos círculos sociais quanto nos religiosos. Os evangelhos de Marcos e Lucas dão a entender que ela possuía recursos financeiros… possuía. Havia gastado e perdido tudo devido a essa enfermidade.
Uma morte literal, da filha de Jairo; outra, mais representativa, porém, igualmente aguda e dolorosa. Jesus já demonstrou, ao curar a mulher, que no reino de Deus não apenas pode haver vida, mas vida abundante e saudável. Então, e quanto à morte como tal? Depois de uma espera, que deve ter parecido eterna para Jairo, prosseguiram até sua casa. A morte de sua filha revolucionou toda sua casa. Estava cheia de pessoas que vieram mostrar simpatia para com a família; mas essas pessoas não eram muito discretas. “Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse: Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele” (Mt 9:23, 24). Lucas, que era médico, explica o motivo da zombaria contra Jesus: “E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta” (Lc 8:53, itálico acrescentado). O que as pessoas sabiam e podiam comprovar (que a menina estava morta) entrava em choque com a declaração de Jesus: a menina apenas está dormindo.

b. Sonho ou morte?: Claramente, estava morta, mas Jesus avaliou sua condição sob a perspectiva do reino eterno. Para Aquele que tem o poder de levar Seus filhos à vida eterna, a morte é apenas um sono.
Enquanto todos riam, Jesus, acompanhado de três de Seus discípulos e dos pais da menina (Mc 5:40), entra no aposento onde a menina está. “Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados” (Mc 5:41, 42).
Quando Jesus ressuscita a menina, ela age como se apenas estivesse dormindo; não há confusão mental. Retoma suas atividades, como menina de doze anos: corre de lá para cá. Para os que observavam, também não haveria confusão se aceitassem contemplar a cena da forma como Jesus a via: sob a realidade do reino eterno.
Em seguida, Jesus “mandou que lhe dessem de comer” (Lc 8:55). Por quê? Tempos depois, ouvimos dos lábios de Jesus a resposta. Depois da ressurreição de Jesus, o evangelho de Lucas registra: “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel. E ele comeu na presença deles” (Lc 24:36-43).
Jesus comeu diante de Seus discípulos para dissipar qualquer dúvida de que estivessem diante de um fantasma ou espírito. Quando Deus ressuscita Seus filhos, Ele o faz de forma corpórea e completa. Qualquer pensamento de que é possível viver em um estado de fantasma, sem um corpo, não tem cabimento: assim, deu exemplo de Si mesmo.
Que fascinante o que Jairo e sua família puderam ver! Recuperar sua filha única das garras da morte; vê-la voltar como se nada tivesse acontecido… apenas um sono, do qual o doador da vida a despertou.

CONCLUSÃO

Esse encontro com Jesus deve ter marcado para sempre a família de Jairo. Puderam ter uma antecipação do que será viver no reino eterno de Deus, onde “[…] morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21:4).
Esse desenlace somente foi possível porque Jairo decidiu confiar na palavra de Jesus, acima da realidade da morte: “Falava ele ainda, quando veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre. Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva” (Lc 8:49, 50, itálico acres- centado).

APELO

E você, querido amigo, está disposto a crer? A crer mesmo diante da dor, a despeito das evidências? Há um reino eterno à nossa espera. Mesmo que durmamos antes que esse grande dia chegue, há uma grande verdade: Deus nos despertará. Você deseja pôr sua confiança nessa maravilhosa promessa? Você deseja pertencer a Cristo e participar da vida eterna?


TEMA 08: DECIDO HOJE SERVIR AO SENHOR COM TODO MEU SER 

TEXTO-CHAVE

“Tendo a rainha de Sabá ouvido a fama de Salomão, com respeito ao nome do SENHOR, veio prová-lo com perguntas difíceis. Chegou a Jerusalém com mui grande comitiva; com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro, e pedras preciosas; compareceu perante Salomão e lhe expôs tudo quanto trazia em sua mente” (1Rs 10:1, 2).

INTRODUÇÃO

Qual é o objetivo de conhecer a Deus? Conhecer a verdade, dizem alguns. No entanto, como vimos nesta semana, quando entramos em um relacionamento com Deus, a verdade não apenas deve ser conhecida, mas também vivida. Em cada experiência, quer boa ou má, se Deus estiver presente, a verdade sobre Ele deixa de ser teórica.
As Escrituras registram a experiência de um homem muito sábio. O paradoxo é que o segredo de sua sabedoria estava no reconhecimento de sua ignorância e falta de experi- ência. Referimo-nos a Salomão. “Agora, pois, ó SENHOR, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me. Teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, tão numeroso, que se não pode contar. Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (1Rs 3:7-9).
Esse simples reconhecimento (uma autoavaliação nada fácil de ser realizada) permitiu que Deus abençoasse Salomão com grande sabedoria. O povo se viu grandemente favorecido e a fama de Salomão se difundiu. O propósito de Deus ao colocar Seu povo em um lugar tão privilegiado era justamente o de O representarem dignamente diante das nações. Salomão foi um excelente expoente desse objetivo. Ninguém podia ficar indiferente diante do que Deus fazia em Israel.

DESENVOLVIMENTO

• A rainha de Sabá: quando a riqueza não produz paz. “Tendo a rainha de Sabá ouvido a fama de Salomão, com respeito ao nome do SENHOR, veio prová-lo com perguntas difíceis.
Chegou a Jerusalém com mui grande comitiva; com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro, e pedras preciosas; compareceu perante Salomão e lhe expôs tudo quanto trazia em sua mente” (1Rs 10:1, 2).
Essa rainha viajou de um lugar distante (possivelmente do atual Iêmen, Etiópia, ou do extremo ocidental da Arábia), pois tinha inquietações que lhe pesavam no coração. Nada lhe faltava em seu palácio; tinha riquezas e servos e, como todo monarca, acesso à melhor educação da época. Contudo, ela se apresenta diante de Salomão com perguntas difíceis que estavam em seu coração.
As aparências são uma coisa, mas o que ninguém vê, o que está no coração, é todo um mundo à parte. Se conseguisse acalmar as inquietações que ardiam em seu interior, a viagem, a pequena fortuna com a qual viajara… tudo valeria a pena.
“Salomão lhe deu resposta a todas as perguntas, e nada lhe houve profundo demais que não pudesse explicar” (1Rs 10:3). Esse verso é um resumo muito modesto em comparação com as longas horas que deve ter durado a entrevista da rainha com Salomão. Parece que não lhe faz justiça à sabedoria com a qual se encontrou a rainha de Sabá. Porém, uma coisa é clara: ela ouviu uma resposta para cada pergunta. Contudo, parece que algo está faltando na descrição do verso três. Como a rainha reagiu? Silêncio total. Parece que algo ainda a intrigava.
• A paz e a sabedoria se refletem na vida cotidiana. Os versos subsequentes esclarecem o que a rainha ainda desejava. “Vendo, pois, a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, e o lugar dos seus oficiais, e o serviço dos seus criados, e os trajes deles, e seus copeiros, e o holocausto que oferecia na Casa do SENHOR, ficou como fora de si” (1Rs 10:4, 5). Ouvir as respostas, sem sombra de dúvidas, teve seu valor, porém, depois do diálogo, ela começa a ver como toda essa sabedoria se refletia no cotidiano, na forma de viver de todos, do rei aos servos… Agora o texto está preparado para assinalar: ela ficou como fora de si (no hebraico, literalmente, ficou sem fôlego). Não se tratava apenas de teoria: na comida, nos aposentos, nas vestimentas e no culto diário… em tudo se via a marca da sabedoria divina.
A sabedoria com a qual Deus abençoara Salomão era verdadeira e resistiu à prova da vida cotidiana. Era uma sabedoria útil, prática e eficaz que não distanciava os que a praticavam de Seu autor: Deus.
• Encontrar a Deus é encontrar a vida. A rainha de Sabá descobriu que Deus não vem ao nosso encontro com meras respostas técnicas a respeito da vida. O mundo oferece muitas “sabedorias alternativas” que vão nessa direção. Muitos mestres, autores e conferencistas se levantam para proclamar verdades que soam bem, mas que, na prática, não podem ser vividas nem trazer a paz duradoura. A rainha de Sabá viu que o Deus de Salomão tinha o que ela necessitava há tanto tempo. Por fim, viu que havia como ser coerente com as verdades eternas e ser feliz; que é possível ser fiel a Deus e ser objeto de Suas bênçãos no dia a dia.
“E disse ao rei: Foi verdade a palavra que a teu respeito ouvi na minha terra e a respeito da tua sabedoria. Eu, contudo, não cria naquelas palavras, até que vim e vi com os meus próprios olhos. Eis que não me contaram a metade: sobrepujas em sabedoria e prosperidade a fama que ouvi. Felizes os teus homens, felizes estes teus servos, que estão sempre diante de ti e que ouvem a tua sabedoria!” (1Rs 10:6-8).
Muitos olham para a vida cristã com certa incredulidade. Porém, ao mesmo tempo, anelam ver e palpar que o cristianismo é mais do que uma teoria. Buscam sentido para sua vida e não descansam até encontrarem coerência entre a verdade revelada e a vida diária. Este é um desafio para os que já são cristãos, mas, ao mesmo tempo, é o segredo para aqueles que estão conhecendo, pouco a pouco, a Deus e à Sua Palavra: aquilo que você já conhece, ponha-o em prática! O que Deus já lhe revelou, não descarte! Aquilo que você sabe que Deus requer de você, não Lhe negue! Quando há coerência entre a verdade recebida e como ela é vivida, também ficamos sem fôlego diante das maravilhas de Deus.

CONCLUSÃO

É muito significativo destacar o que a rainha de Sabá, finalmente, descobriu. Ela foi entrevistar-se com um rei, mas acabou conhecendo e dando glória a Deus: “Bendito seja o SENHOR, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no trono de Israel; é porque o SENHOR ama a Israel para sempre, que te constituiu rei, para executares juízo e justiça” (1Rs 10:9). Nestes últimos dias conhecemos as experiências de homens e mulheres como nós, cujas vidas não são o que mais os enriquecem. O Deus a quem eles serviram e amaram é o mesmo que deseja operar de igual forma, ou até mais, na vida daqueles que O buscam hoje. Conhecemos verdades, mas agora devemos vivê-las, assim como o fizeram os amigos de Deus no passado.

APELO

Você deseja, hoje, ser amigo de Deus? Ninguém que busca a Deus volta de mãos vazias. A rainha veio em busca de respostas, mas voltou com a vida transformada. Permita que Deus lhe transforme a vida hoje mesmo. Você deseja isso? Você pode. Receba a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, permita-Lhe limpar seu passado e curar as feridas de sua alma. Sele seu amor por Ele batizando-se e iniciando uma nova vida, cheia de paz e sabedoria. Dê a mão Àquele que nunca falha.


Produção Executiva:

Erton Köhler, Marlon Lopes e Edward Heidinger

Autores dos sermões: Pr. Luís Gonçalves e Pr. Pablo Millanao

Coordenação: Luís Gonçalves

Secretária: Adriana Cunico dos Reis

Capa: Casa Publicadora Brasileira Diagramação: Victor Hugo Flores

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