Tema 08: Generosidade Aprende na Família

INTRODUÇÃO

Em 2015, quando vivíamos em Huambo, Angola, minha filha e eu fomos realizar um semi-nário em uma igreja na cidade de Lobito.

No retorno, em uma vila chamada Bocoio, deparamo-nos com uma cena muito triste: uma pessoa na beira da estrada tentando se levantar. Mas o problema é que ela estava com as mãos presas para trás, seus tornozelos, presos por correntes, e sua cabeça, coberta por um saco. Quando paramos o carro para tentar ajudar, fomos informados por alguns jovens de que se tratava de uma pessoa com doença mental. Para evitar que desaparecesse, a família a mantinha naquelas condições.

Gabriela logo lhe ofereceu água e laranjas – único alimento que tínhamos conosco. Ainda com as mãos presas, mas já para a frente, devorou as duas laranjas como alguém que não comia há dias. Não havia condições de nos comunicarmos, e, então, depois de dialogarmos com os meninos, afastamo-nos, seguindo nosso caminho.

Após alguns instantes, olhei para minha filha, na época com 10 anos, e ela chorava enquanto olhava pela janela do carro. Perguntei-lhe: “Filha, vamos voltar? Vamos fazer alguma coisa?” Imediatamente ela me disse: “Sim pai, vamos voltar”. Não sabíamos o que fazer, mas sentimos que alguma coisa precisava ser feita. Infelizmente, não a encontramos mais. Procuramos, mas não deu tempo. Não sei se alguém a escondeu com receio do que “os estrangeiros” poderiam fazer. Fiquei pensando: “Por quê? Por que as pessoas precisam sofrer assim? Por que eu posso ter a vida que tenho enquanto outros vivem do jeito que vivem?” Perguntas sem respostas, pelo menos por enquanto.

Nossas lágrimas naquele dia não se comparam às que caíram dos olhos de Jesus no dia em que Adão e Eva caíram em pecado. Os filhos queridos haviam se tornado escravos do mal, algemados pelas correntes de Satanás. Mas, graças a Deus, por pouco tempo.

DESENVOLVIMENTO

O pecado trouxe terríveis consequências para todo o mundo criado, especialmente para o homem em suas relações. O amor, a paz, a harmonia e o altruísmo deram lugar ao ódio, à guerra, à opressão, ao abuso e à indiferença. Tudo isso começou lá no jardim e se estendeu através das gerações.

Em Sua misericórdia, porém, Deus providenciou meios e instruções para que o que parecia incontrolável pudesse ser evitado. Através de Seu relacionamento com pessoas como Adão e Eva, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó, o Senhor mostrou Sua disposição em restaurar o que o pecado havia destruído. Uma vez que, por nossa origem, estamos todos ligados (CBV, p. 345), essa restauração deveria ser compartilhada, através de atos de justiça, compaixão e amor. De certa forma, portanto, recebemos uma responsabilidade diretamente de Deus. O que fazemos impacta a vida de nossos semelhantes, positiva ou negativamente.

Embora muitas vezes difícil, frustrante ou até mesmo inconveniente de se aceitar, as palavras de Caim para Deus expressam a verdadeira relação entre nós e nossos semelhantes. De fato, somos, sim, responsáveis por nossos irmãos.

ESTRATÉGIA DE DEUS

Através do povo de Israel, o Senhor quis demonstrar ao mundo os princípios que deveriam orientar as relações humanas. Deus queria estabelecer através deles um novo modelo de sociedade: uma sociedade mais justa e sustentável que demonstrasse ao mundo os princípios de Seu Reino.

Os Dez Mandamentos eram a constituição dessa nova sociedade. Embora curtos e objetivos, expressavam princípios muito abrangentes. Por exemplo: o sexto mandamento (Êx 20:13) inclui “todos os atos de injustiça que tendem a abreviar a vida” assim como “uma negligência egoísta de cuidar dos necessitados e sofredores”. O oitavo (Êx 20:15) condena “o furto de homens e tráfico de escravos, e proíbe a guerra […]”. Ele exige “o pagamento de débitos e salários justos” assim como proíbe “toda a tentativa de obter-se vantagem pela ignorância, fraqueza ou infelicidade de outrem”.

O decálogo foi entregue a Moisés algumas semanas após a libertação de Israel da escravidão egípcia. Todos eles sabiam, por experiência, o que significava ser oprimido, excluído e negligenciado. Sabendo que mesmo assim poderiam se esquecer do que isso significava,

o Senhor lhes entregou leis de como tratar de maneira apropriada os escravos, estrangei-ros, órfãos e viúvas, ou seja, os mais vulneráveis entre eles.

 

As instruções dadas sobre a consideração, o respeito e o cuidado com os mais vulnerá-veis deveriam fazer parte do dia a dia do povo. Estudos sugerem que um israelita que vivia segundo os princípios estabelecidos em Levítico compartilhava, em média, ¼ de toda a sua renda anual com a obra de Deus, mantendo o templo e o sacerdócio, e aju-dando os pobres.

 

Em outras palavras, Deus criou meios para ajudar Seu povo a ser solidário, a se preocupar com os outros, a se compadecer dos mais vulneráveis. Ele sabia que, mesmo após terem sido escravos, mesmo depois de terem experimentado todo o sofrimento decorrente da opressão e da injustiça, eles teriam dificuldades em lembrar por si sós que deveriam agir de maneira diferente com seu próximo. Talvez por isso o incentivo à solidariedade veio por intermédio de leis.

ALGUNS EXEMPLOS

 

  1. JESUS

Ler Mateus 14:14.

Jesus Cristo exemplificou com a própria vida o que ordenara séculos antes. Ele é o exem-plo por excelência de compaixão e solidariedade.

Em primeiro lugar, por entregar Sua própria vida em nosso favor. Estávamos totalmente alienados e destituídos de qualquer tipo de direito a salvação ou misericórdia (Ef 2:4, 5). Contudo, Ele Se compadeceu da raça humana e, deixando tudo o que era e tinha, veio ao nosso encontro. De escravos, Ele nos fez livres. De condenados, fez-nos perdoados. De estrangeiros, Ele nos incluiu em Sua família.

  1. MACEDÔNIOS

Ler 2 Coríntios 8:1-4.

Muitas vezes, pensamos que ser solidário é “para quem pode”. Precisa ter “condição” para ajudar. Erroneamente, achamos que aquele que possui mais tem maior responsabilidade em ser generoso, uma vez que “sofrerá” menos o impacto de se desprender de algo. No entanto, a generosidade genuinamente bíblica não brota do bolso. Não diz respeito à condição financeira de alguém e a generosidade bíblica diz respeito ao coração. E uma coisa é fato: coração todo mundo tem! Por isso, todo mundo pode ser generoso

A experiência dos crentes da Macedônia nos diz exatamente isso. Em meio à mais severa tribulação e à mais extrema pobreza, eles foram generosos e ajudaram seus irmãos em necessidade. Que coisa linda!

Recentemente, em meio à crise causada pela pandemia da COVID-19, pudemos testemunhar a mesma demonstração de solidariedade vinda, em grande parte, das camadas mais pobres da população brasileira. Proporcionalmente, segundo pesquisas, os pobres foram os que mais compartilharam durante a pandemia. Por quê? Porque têm coração e não porque têm dinheiro.2

  1. PIONEIROS

Li o livro Vida e Ensinos ainda na adolescência e me emocionei ao imaginar como Deus trabalha com as diferentes circunstâncias da vida para nos moldar e aperfeiçoar. No início de sua vida de casados, Tiago e Ellen viveram em um cômodo emprestado por uma família igualmente pobre. Naquela época, Tiago trabalhava carregando pedras, mas não ganhava o suficiente por seu esforço. Deixou as pedras para cortar lenhas desde a madrugada até o pôr do sol por apenas cinquenta centavos de dólar por dia. Em meio às dificuldades, eles procuravam manter a confiança em Deus e não murmurar, mesmo diante da falta do essencial.

“Meu marido ajustou contas com seu patrão, verificando que tinha dez dólares a receber. Com cinco desses comprei roupa, de que estávamos muito necessitados, e então remendei o casaco de meu marido, remendando mesmo os remendos, a tal ponto que era difícil dizer qual era o pano original das mangas.”

Em meio a tantas dificuldades, veja o que Ellen escreveu: “Tínhamos resolvido não depender de outrem, mas sustentar-nos a nós mesmos, e ter algo com que auxiliar outros”.

Ao longo de suas vidas, o casal fez de tudo para cumprir esse propósito. Quando na Austrália, alguns anos após o falecimento do esposo, a Sra. White continuava empenhada em aliviar o sofrimento das pessoas com quem se relacionava. Ela se recusava a doar roupas usadas. Comprava material novo, que poderia ser mais bem aproveitado por famílias que talvez nunca teriam condições de tê-los. Além disso, ela procurava arrumar emprego para as pessoas. Entendia que muitos que solicitavam ajuda não eram pessoas preguiçosas, mas sem oportunidades. Compartilhava sua despensa com aqueles que tinham fome, andando às vezes

km a fim de ajudá-las. Em outras ocasiões, pagava os estudos de jovens comprometidos com Deus e Sua missão. (Ver Beneficência Social, p. 329, 330). Quanta generosidade!

  1. SEGUINDO O EXEMPLO

A generosidade é uma virtude do Reino, implantada no coração humano pelo poder do Espírito Santo. Por ela, precisamos pedir, pois não é natural do coração humano o compartilhar, ainda mais quando vivemos em um tempo em que a cultura individualista parece imperar soberana.

Precisamos pedir a Deus um coração bondoso, solidário e generoso. Ao pedirmos com fé, Ele nos dará. Agora, é necessário exercitar a generosidade, e não existe um lugar melhor para se fazer isso do que no ambiente da família.

Se você tem filhos menores, aproveite a chance de ajudá-los a ser generosos. Veja algu-mas dicas de como ensinar a generosidade a seus filhos:

 

  • Ensine seu filho a compartilhar seu lanche (quando for adequado), seus materiais es-colares, seus brinquedos, suas roupas. Jamais repreenda seu filho por desejar dividir.
  • Envolva-o na hora de separar as coisas para doar. Não se limite a doar coisas velhas, fora de uso ou vencidas. Conheça a iniciativa da Fundação Pão dos Pobres através dos links abaixo.5
  • Faça um acordo de doar um brinquedo sempre que ganhar um novo.
  • Ensine-o a ajudar de diferentes maneiras, dando seu tempo, atenção, carinho e talentos.
  • Ensine pelo exemplo. Se você é apegado aos seus bens materiais, não conseguirá ensinar seu filho a praticar o desapego. Se você não for agradecido, não conseguirá ensiná-lo a ser grato. Se não for generoso, não adianta falar para ele ajudar o amiguinho da escola.
  • Envolva seu filho em projetos de serviço.
  • Envolva-se com as atividades da ASA de sua igreja ou da ADRA de seu estado. Você e seu filho podem ser voluntários e ajudar muita gente a ser mais feliz.

 

APELO:

Generosidade não é um mandamento, mas um privilégio.

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"É um grande privilégio de elaboração do site PORTAL ADVENTISTA DE BAIXO GUANDU/ES, no dia 18 de Setembro 2014 para a divulgação aqui na cidade local, regional e em todos os Países. Nosso Objetivo é divulgarmos os programas, materiais entre outros que se realizam na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em prol do Evangelho Eterno, assim diz o Senhor: “ Breve Jesus Cristo Voltará” Apocalipse 22:1-21. Portanto não será então em benefício próprio, sim a necessidade desse divulgação nessa cidade que todos se entregam sua vida a Jesus Cristo, nosso Salvador. Att: Thiago Amaral de Oliveira - Baixo Guandu/ES."

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