Ações simples e generosas transformam os dias e podem proporcionar um Natal diferenciado e repleto de boas memórias. Atitudes simples e bondosas podem tornar o Natal mais acolhedor.
Durante as festas, é fácil focar no que pode ser comprado, embrulhado, e colocado embaixo da árvore. No entanto, os momentos que ficam conosco muitas vezes vêm de presentes que não custam nada – um vizinho tirando a neve da calçada, um amigo sentado quieto ao nosso lado quando estamos tristes, ou um estranho dando indicações com um sorriso. Esses são os tesouros da generosidade que enriquecem tanto quem doa quanto quem recebe, nos lembrando que a verdadeira generosidade está na presença, bondade e cuidado.
Esse espírito de generosidade sempre foi central na própria história do Natal. Desde o início, a Natividade foi sobre a oferta de Deus do presente supremo de seu Filho. Paulo lembrou sobre a mesma verdade: “Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável” (2 Coríntios 9:15). Dessa abundância, também somos convidados para viver generosamente. Como Hebreus 13:16 nos lembra: “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus se agrada”. Deuteronômio 16:17 ecoa o mesmo: “Cada qual, conforme o dom da sua mão, conforme a bênção que o Senhor, teu Deus, te tiver dado”.
Esse tipo de doação vai muito além das listas de compras ou tradições festivas. Isso se estende a organizações que levam alívio e esperança – como a ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais), Maranatha Voluntários Internacional, e a Cruz Vermelha. Isso apoia escolas, programas extracurriculares, e grupos de liderança jovem que moldam a próxima geração. Ela sustenta a igreja, tanto local quanto global, onde a missão prospera porque os membros compartilham fielmente o que podem. Como uma Divisão (escritório administrativo da Igreja Adventista do Sétimo Dia para uma determinada região) descreve, ofertas são como derramar em um rio – fluindo adiante para abençoar o mundo. [*]
A medida dessa generosidade não é sobre o tamanho. Jesus deixou isso claro em Marcos 12, quando louvou a pobre viúva que deu apenas duas moedas, declarando seu dom maior que todos os outros, pois ela deu de todo coração.
Mas generosidade nunca é apenas sobre dinheiro.
Retratos de generosidade
Em Lucas 9:3, Jesus envia seus discípulos para ministrar o povo, dizendo a eles “Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas vestes”. E eles o fazem com entusiasmo, não dando dinheiro a Jesus, mas seu tempo, sua energia, e sua disposição de renunciar a tudo o que possuem para fazer o que Ele os chama para fazer.
“As comunidades prosperam quando muitos trazem o que podem – dinheiro, habilidades, energia, defesa ou a simples presença”.
Mais tarde, em Lucas 10, ouvimos uma história de Jesus sobre um homem que faz algo completamente fora do âmbito cultural aceitável, e ajuda alguém que deveria ser seu inimigo. O estranho está morrendo, e o Bom Samaritano não apenas cuida de seus ferimentos, mas o levanta e o leva à estalagem, paga alguém lá para cuidar dele até que esteja curado – a epítome da compaixão.
Em Atos 9:36-42 lemos sobre Dorcas (ou Tabita), que entendemos ter dedicado sua vida para confeccionar roupas para os pobres de sua comunidade. Quando ela morreu, Pedro foi bombardeado com histórias de mulheres locais enlutadas que queriam garantir que a bondade de Dorcas fosse notada. Durante sua vida, Dorcas doou seus materiais e seus talentos para servir a Deus, e seus esforços silenciosos significaram o mundo para muitos.
A Bíblia está repleta de retratos semelhantes: Bezalel e Oliabe, que usaram seu trabalho artesanal para construir a beleza dos santuários de Deus (Êxodo. 31); Rute, que deu lealdade (Rute 1); e Boaz que ofereceu proteção (Rute 2-4). Cada exemplo revela uma face diferente da generosidade: coragem, compaixão, influência, criatividade, presença e liderança.
Esse é o ponto. Nenhuma pessoa pode manter uma organização financeiramente ou de outra forma. As comunidades prosperam quando muitos trazem o que podem – dinheiro, habilidades, energia, defesa ou a simples presença. Tudo são os dons espirituais, confiados a nós por um Deus que valoriza a diversidade e a colaboração, e todos são necessários para que sua obra floresça.
Em nossas vidas modernas do dia a dia, isso pode se manifestar como:
- Voluntariando-se para fazer som ou slides para o culto na igreja.
- Ajudar na limpeza de igrejas ou escolas, paisagismo ou manutenção.
- Oferecer carona a um vizinho idoso para compromissos ou recados.
- Ajudar seus filhos (ou outras pessoas na escola!) com as tarefas ou projetos.
- Oferecer a alguém toda a atenção.
- Doar sangue ou se registrar como doador de órgãos.
- Atuar em comissões ou comitês.
- Ensinar na Escola Sabatina.
- Levar a alguém uma refeição caseira ou biscoitos recém assados.
- Treinar esportes para os jovens.
- Oferece serviços profissionais, como jurídico, design, encanamento ou comunicação.
- Liderar ministérios.
Natal ou não, a generosidade é maior do que dinheiro. Trata-se de oferecer tudo o que Deus colocou em suas mãos para fortalecer famílias, vizinhos, igrejas e comunidades.
Poet Christina Rossetti capturou essa verdade em 1871, quando ela escreve o que se tornaria um amado hino: “No sombrio solstício de inverno”. Imaginando-se na manjedoura, ela se perguntou o que poderia dar a Cristo.
Sua conclusão tão profunda quando simples:
“Se eu fosse pastor, traria um cordeiro;
Se eu fosse um homem sábio, faria minha parte;
Mas o que posso dar-Lhe: dou meu coração”.
A generosidade, afinal, não se mede apenas em dinheiro, mas na disposição de doar de nós mesmos.
A versão original deste artigo foi publicada pela Adventist Review.
Becky St. Clair é uma escritora freelancer que vive com sua família em Angwin, Califórnia.
[*] Divisão Norte-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, “Dízimos e Ofertas”, Departamento de Mordomia, 2020., https://www.nadstewardship.org/tithes-offerings/. Acesso em: 19.out.2020.
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