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Saúde emocional masculina ainda esbarra no silêncio

No Setembro Amarelo, psicóloga e pastor explicam por que eles evitam falar sobre o que sentem e buscar apoio

O Setembro Amarelo amplia, todos os anos, o debate sobre saúde mental, e um recorte chama atenção quando o assunto é saúde emocional masculina. Os homens representam 78,4% das mortes por suicídio no Brasil, enquanto as mulheres correspondem a 21,6%, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O cenário levanta questões sobre a forma como os homens aprendem a lidar com as próprias emoções e sobre as barreiras que dificultam a busca por ajuda.

“Vira homem, rapaz. Engole o choro” ou “homem não chora”: você provavelmente já ouviu alguma dessas frases. Crescer acreditando que demonstrar tristeza é sinal de fraqueza pode dificultar que muitos homens reconheçam e expressem o que sentem. Quando medo, frustração ou sofrimento não encontram espaço para ser verbalizados, pedir ajuda também se torna difícil.

O que dificulta o cuidado com a saúde emocional masculina

A diferença entre os sexos não significa que os homens enfrentem mais sofrimento emocional que as mulheres, mas evidencia uma desigualdade importante. De acordo com a psicóloga e palestrante Ellen Pedreira, não existe uma única causa para o suicídio, mas fatores sociais e culturais contribuem para esse cenário, entre eles as expectativas associadas à masculinidade.

Os homens tendem a procurar menos ajuda e têm mais dificuldade de falar sobre as suas emoções quando estão sofrendo emocionalmente, devido às normas culturais associadas muitas vezes à masculinidade, à questão de força e à ideia de que têm que ser autossuficientes”, explica.

Segundo Ellen, essas expectativas são construídas desde a infância. “Muitos homens crescem com a ideia de que não precisam de ajuda, que precisam ser fortes e independentes e que não podem demonstrar vulnerabilidade. Isso pode fazer com que escondam seus sentimentos e dificuldades e demorem mais para buscar ajuda”, afirma.

Entender para prevenir

Na psicologia, o chamado paradoxo de gênero do suicídio descreve as diferenças observadas entre homens e mulheres: embora as mulheres possam apresentar mais tentativas em determinados contextos, os homens estão mais presentes entre os casos fatais. Para Ellen, reconhecer essas particularidades ajuda a ampliar o olhar sobre o sofrimento masculino.

“Homens também precisam de ajuda, homens também passam por questões emocionais, e isso não significa fraqueza. Nesse sentido, compreender o sofrimento masculino e criar espaços seguros para que eles possam falar sobre o que sentem também é uma forma de prevenção. Afinal, aquele que é chamado a cuidar da família também precisa ter a liberdade de ser cuidado”, pontua.

O peso de cuidar de todos

Na perspectiva cristã, o tema também passa pelo papel do homem na família. Para o pastor Paulo Chaves, líder do Ministério da Família da Igreja Adventista do Sétimo Dia no norte de Rondônia e no Acre, essa responsabilidade vai além da provisão material. “A Bíblia sempre mostra o homem sendo o cabeça da família. Ele tem o seu papel social e espiritual, o papel mais importante do homem é poder guiar os seus e ser a âncora, o apoio de sua família”, disse.

haves também chama atenção para o peso dessas expectativas. “O homem hoje acaba sendo sobrecarregado por muitas responsabilidades. Ele gosta de cumprir o seu papel, mas hoje se torna cada vez mais difícil cumprir esse papel justamente pela elevada demanda econômica e emocional que é despejada em cima do homem”, reforça.

Para o pastor, a pressão pode se somar ao orgulho e afastar os homens do apoio de que precisam. “A figura masculina vem sendo descredibilizada e os homens também, por orgulho, não buscam ajuda, pois acham suas necessidades básicas demais para procurar apoio. Isso precisa ser refutado, pois, já que os homens têm esse papel superimportante de sacerdócio, eles deveriam estar saudáveis para exercer essa função”, finaliza Chaves.

Onde buscar ajuda

Buscar ajuda profissional, conversar com pessoas de confiança e encontrar espaços seguros para falar sobre o que se sente são atitudes de cuidado e prevenção. Para quem vive a fé, a oração, a comunhão e o apoio da igreja também podem fazer parte desse processo. Quem precisa conversar pode ligar para o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, com atendimento gratuito 24 horas por dia.

 

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