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Quando foi a última vez que desaprendemos alguma coisa?

Desaprender pode significar um novo olhar e aprendizado sobre algo que antes havia certeza, inclusive no âmbito espiritual

O mundo está mudando mais rápido do que todos nós conseguimos compreender. Ideias familiares já não explicam o que estamos vivendo, e a incerteza pode nos deixar perplexos e paralisados. A Igreja também sente essa tensão. Métodos que antes abriam portas já não alcançam todas as pessoas. Repeti-los com mais esforço, além de gerar frustrações profundas e perdas, não substitui o discernimento necessário para reconhecermos o que mudou.

Precisamos voltar juntos às Escrituras, buscando a direção de Deus. Mas, antes de perguntar o que devemos fazer, precisamos examinar como nos apresentamos diante dEle, ou esse esforço falhará.

O livro de Daniel nos oferece um exemplo marcante. No capítulo 9, o estudo de Jeremias o conduz à oração, ao jejum e à confissão. Ele se inclui nas falhas de seu povo. Sua compreensão da profecia o leva a se ajoelhar. Antes de buscar restauração, reconhece a necessidade de misericórdia. Bate no próprio peito e, em vez de ser triunfalista, assume que todos erraram.

Quero que você reflita nisso de forma profunda.  A escritora Ellen White registrou: “Temos muitas lições a aprender, e muitas, muitas a desaprender. Somente Deus e o Céu são infalíveis.” Primeiramente eu queria que você contasse quantas vezes ela usou o termo “muitas”. A maioria está do lado do aprendizado ou do desaprender? Se a gente realmente entendeu, deveria ter nos desconsertado. Ela ainda diz, mais como advertência, que aqueles que nunca esperam abandonar uma opinião acariciada ou mudar de ideia ficarão desapontados (Review and Herald, 26 de julho de 1892, parágrafo 7).

E como Igreja, o que desaprendemos?

Se não conseguimos lembrar… o que isso revela? Será que nos tornamos tão ensináveis que nada mais precisa ser corrigido? Ou será que estamos tão seguros de nós mesmos que a correção já não consegue nos alcançar? Reconhecemos facilmente que as gerações anteriores precisavam de reforma. Concedemos a Deus a mesma liberdade com a nossa?

Podemos afirmar a infalibilidade de Deus enquanto, silenciosamente, tratamos nossas interpretações, nossos hábitos e nossas preferências como se também fossem infalíveis. Podemos pedir que Ele nos conduza, mas aceitar apenas as orientações que confirmam o caminho que já pretendíamos seguir. Uma Igreja incapaz de identificar algo que talvez precise reconsiderar deveria perguntar se ainda está ouvindo.

Desaprender exige um exame cuidadoso. As Escrituras precisam julgar nossas ideias, inclusive aquelas que o costume tornou quase invisíveis. A fidelidade exige coragem para abandonar tudo aquilo que não resiste a esse exame.

Temos essa coragem? Ou estamos procurando cada vez mais apenas nos assegurar de estarmos de fato seguros onde já estamos?

Como foi o começo?

A experiência dos pioneiros torna essa humildade concreta. Foi assim que essa Igreja nasceu, que esse movimento foi chamado por Deus! Ao recordar seus primeiros estudos bíblicos, Ellen White descreveu discussões sinceras, jejum e orações frequentes. Todos podiam expressar suas opiniões.

Quando um irmão repreendia outro por não compreender determinada passagem, aquele que havia sido repreendido tomava sua mão e dizia: “Não entristeçamos o Espírito Santo de Deus. Jesus está conosco; conservemos um espírito humilde e ensinável.” O outro reconhecia seu erro e pedia perdão. Então, ajoelhavam-se novamente em oração (Review and Herald, 26 de julho de 1892, parágrafo 4).

Suas convicções eram profundamente importantes. A atitude com que buscavam a verdade também era. Ter razão jamais justificaria humilhar um irmão. A verdade sem amor é porrete. O amor sem verdade é um sopro de ar vazio.

Desaprender ajuda no crescimento espiritual

Esse é o trabalho que precisamos realizar juntos. O estudo e a coragem individuais são indispensáveis, mas uma renovação duradoura da Igreja exige arrependimento compartilhado, disposição para ouvir uns aos outros e submissão à Palavra de Deus. Ninguém pode se render a Deus no lugar de toda a congregação.

Não podemos produzir um derramamento do Espírito Santo. Podemos confessar o orgulho pelo qual resistimos a Ele. Ao abrirmos juntos as Escrituras, abandonarmos a necessidade de fazer prevalecer nossa vontade e buscarmos reconciliação, estaremos nos preparando para receber Sua direção e Seu poder.

Talvez nosso próximo passo comece com uma confissão: Deus é infalível. Nós ainda temos muito a desaprender. É hora de voltarmos à Palavra. Juntos.

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