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SAÚDE

Deus se interessa pela nossa saúde emocional?

A Bíblia apresenta o ser humano de maneira integral e mostra que cuidar da mente, das emoções e dos relacionamentos também faz parte de nossa vida espiritual.

Quando pensamos em cuidar da nossa saúde, geralmente pensamos em dieta, exercício, descanso ou prevenção de doenças. No entanto, há outra área que merece a mesma atenção: nossa saúde emocional.

A Bíblia apresenta o ser humano como uma unidade. O físico, o emocional, o relacional e o espiritual não são setores separados. O que acontece em uma área de nossa vida afeta as demais. Por isso, cuidar de nossa mente não é algo separado da nossa vida espiritual, mas faz parte de nossas práticas espirituais e santas como cristãos.

Há mais de um século, Ellen G. White escreveu: “Muito íntima é a relação que existe entre a mente e o corpo”. Ela também observou que “O ânimo, a esperança, a fé, a simpatia e o amor promovem a saúde e prolongam a vida” (A Ciência do Bom Viver, [CPB, 1997], p. 241).

Sua reflexão antecipava algo que hoje reconhecemos com muito mais clareza por meio da psicologia e das ciências da saúde: nossos pensamentos, emoções, relacionamentos, hábitos e experiências espirituais interagem profundamente com nosso bem-estar físico e psicológico. E, neste momento em que a longevidade ocupa as manchetes da maioria dos artigos sobre saúde, Ellen White já falava sobre como a saúde emocional prolonga a vida.

Deus se importa com a minha saúde emocional?

A Bíblia não esconde o sofrimento emocional. Elias experimentou exaustão e desesperança. Davi expressou angústia, medo e tristeza. Jó passou por um sofrimento tão intenso que chegou a lamentar o dia de seu nascimento. Até mesmo Jesus, no Getsêmani, disse aos Seus discípulos: “A minha alma está profundamente triste até a morte […]” (Mateus 26:38).

Essas histórias nos lembram de algo importante: experimentar angústia emocional não significa necessariamente ter pouca fé. A vida cristã não consiste em negar o que sentimos, mas em aprender a levar nossa experiência completa a Deus. O salmista pergunta: “Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim?” (Salmo 42:11).

Aqui encontramos um princípio que também reconhecemos na psicologia: podemos observar nossos pensamentos e emoções sem permitir que eles definam nossa realidade. Podemos identificar o que sentimos, examinar o que pensamos e escolher onde colocar nossa esperança.

Renovando nossa maneira de pensar

Paulo escreveu: “[…] transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12:2, ARC).

A psicologia cognitiva tem demonstrado a importância que nossos pensamentos exercem sobre a maneira como interpretamos as experiências e respondemos emocionalmente a elas. Nem tudo que você pensa é verdadeiro. E a única coisa que nos liberta é a verdade, como Jesus disse.

“Isso nunca vai mudar.”

“Não sou suficiente.”

“Se eu fracassar nisso, não tenho valor algum.”

“Deus Se esqueceu de mim.”

Podemos aprender a reconhecer esses pensamentos, examiná-los e substituir interpretações distorcidas por perspectivas mais equilibradas e verdadeiras. Para o cristão, esse processo também pode incluir perguntas como: O que é verdade sobre mim, sobre esta situação e sobre Deus?

Paulo expressou isso de forma extraordinariamente prática: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama […] seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Filipenses 4:8).

Não se trata de um pensamento positivo superficial nem de negar as dificuldades. Trata-se de treinar nossa mente para que a dor não tenha a última palavra. A última palavra é sempre do túmulo vazio e do triunfo de Jesus sobre este mundo.

Não fomos criados para sofrer sozinhos

Um dos pilares mais importantes da nossa saúde mental são nossos relacionamentos. “Melhor é serem dois do que um”, diz Eclesiastes, pois “se caírem, um levanta o companheiro” (Eclesiastes 4:9, 10). A comunidade de cristãos (a igreja) deveria ser exatamente um desses lugares onde uma pessoa pode ser levantada, encorajada e inspirada.

Por isso, uma igreja que promove a saúde mental não é apenas aquela que fala sobre o assunto. É uma comunidade onde podemos dizer “não estou bem” sem sentir vergonha; onde ouvimos antes de julgar; onde acompanhamos aqueles que sofrem; e onde pedir ajuda profissional quando necessário não é considerado falta de fé, mas uma atitude de coragem.

Orar e buscar ajuda psicológica não são ações opostas. Podemos confiar em Deus e procurar um profissional. Podemos estudar a Bíblia e aprender ferramentas para lidar com a ansiedade, viver o luto, melhorar nossos relacionamentos ou modificar padrões de pensamento que nos causam sofrimento. Desde o surgimento da Igreja Adventista, sempre entendemos a relação entre a fé e a saúde. A Igreja foi formalmente organizada em 1863 e, apenas três anos depois, abrimos as portas do primeiro hospital adventista, em Battle Creek, Michigan, nos Estados Unidos. Ali, havia uma ênfase especial na saúde emocional e física.

Deus pode agir por meio de muitos recursos para restaurar nossa vida, se formos humildes o suficiente para pedir ajuda a uma pessoa de confiança ou procurar um lugar seguro e adequado.

Quatro decisões simples

O cuidado com nossa saúde emocional pode começar com práticas muito concretas: atenção aos nossos pensamentos, especialmente àqueles que repetimos automaticamente; cuidar do nosso corpo por meio do descanso, exercício físico, alimentação e ritmos saudáveis; cultivar relacionamentos significativos, evitando o isolamento quando passamos por momentos difíceis; e nutrir nossa vida espiritual, separando momentos para a oração, a Palavra, a gratidão, o sábado e a confiança em Deus.

Sim, é tão simples quanto parece. Mas não vamos nos enganar: o simples nem sempre é fácil. E quando o sofrimento se torna persistente ou começa a interferir significativamente em nossa vida diária, buscar ajuda também é uma decisão sábia.

A fé não elimina todos os nossos momentos de ansiedade, tristeza ou incerteza. Ela nos oferece algo diferente: um lugar a partir do qual podemos atravessá-los. A fé não exclui os problemas; ela nos dá forças para enfrentá-los. Pedro expressou isso com um simples convite: “Lancem sobre ele todas as suas ansiedades, porque ele cuida de vocês” (1 Pedro 5:7).

Talvez seja aí que comece uma compreensão verdadeiramente cristã da saúde mental: reconhecer que somos seres integrais, aceitar que precisamos de cuidado e lembrar que nossa vulnerabilidade não é falta de fé, mas um convite à coragem de confiar que Deus nos ajudará e, muitas vezes, Ele fará isso por meio de outra pessoa que seja Suas mãos e Seus pés neste mundo. E essas pessoas muitas vezes podem ser profissionais cristãos e comunidades de fé saudáveis e seguras.

Deixe-me perguntar: Em sua opinião, em que parte de Seus planos Deus o convida hoje para o seu florescimento pessoal e o de sua comunidade na área de saúde emocional?


Néstor Bruno é pastor e psicólogo clínico e desenvolveu seu ministério na Argentina, no Brasil, na África do Sul, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Atualmente, lidera a PsySon.org, uma plataforma que conecta pessoas de fé a profissionais de saúde mental que compartilham seus princípios espirituais, oferecendo apoio em 145 países. Ele também é autor de três livros sobre saúde mental e espiritualidade e dedica grande parte de seu trabalho ao cuidado emocional das famílias ministeriais.

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