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O Deus que vivifica os mortos

Entenda o que a Bíblia ensina sobre a ressurreição dos mortos e como o Deus Criador pode restaurar a vida na volta de Jesus

•Deus que criou a vida pode restaurá-la, mesmo quando o corpo já voltou ao pó.
•A esperança da ressurreição depende do poder do Criador e da vitória de Jesus sobre a morte, não de uma alma imortal.
•Na volta de Cristo, os mortos nEle ressuscitarão com corpos transformados para viver eternamente com Deus.

Imagine alguém que morreu há séculos. Depois de tantos anos, o que resta dessa pessoa? Às vezes, nem os ossos existem mais. Voltou ao pó da terra e se espalhou com o tempo e o vento (Gênesis 3:19). Mas, se o corpo volta ao pó, como Deus pode trazer de volta a mesma pessoa? Essa não é uma dúvida moderna. Os cristãos de Corinto já perguntavam: “Como é que os mortos ressuscitam? E com que corpo virão?” (1 Coríntios 15:35). A resposta da Bíblia nos leva de volta ao início de tudo: “no princípio, Deus criou” (Gênesis 1:1).

Feitos do pó e fôlego da vida

Na criação, Deus formou o homem do pó da terra e soprou nele o fôlego de vida (Gênesis 2:7). Só então ele se tornou um ser vivente. O sopro divino mostra que não possuímos vida em nós mesmos; recebemos o dom da vida de Deus (Atos 17:25, 28).

Desde o Éden, mesmo antes da entrada do pecado neste mundo, o ser humano já dependia de Deus para viver. Mas, por causa do pecado, fomos separados de Deus, a Fonte da Vida, e a morte passou a fazer parte da nossa realidade (Gênesis 2:17; Isaías 59:2; Romanos 6:23). É como uma flor cortada: pode continuar vivendo por alguns dias se for colocada num vaso com água. Mas, aos poucos, vai perdendo sua beleza, e a morte é inevitável, porque não está mais conectada à sua raiz.

Da mesma forma, desde a queda do homem, a dor, a doença e o envelhecimento fazem parte da experiência humana, até que a morte chega (Gênesis 3:16–19). Na morte, o processo da criação se inverte: o corpo volta ao pó e o fôlego volta a Deus, que o deu (Eclesiastes 12:7; Salmo 146:4). Nenhuma parte do ser humano continua existindo. Não há mais vida, nem mais consciência, tudo volta a ser como era antes da criação. Do ponto de vista humano, a morte é o fim (Eclesiastes 9:5). Mas, para o Criador, ela não é a última palavra.

Ressurreição: solução para a morte

Se a nossa vida sempre dependeu de Deus, o nosso futuro também depende unicamente dEle. Não há nada em nós que possa resolver o problema da morte. E o nosso estado pecaminoso só torna a nossa situação ainda mais precária. A solução precisa vir de Deus, e ela veio por meio de Cristo. Com Sua morte na cruz, Ele pagou o preço pelos nossos pecados e, assim, resolveu o problema do pecado (Isaías 53:5–6; Romanos 5:8; 2 Coríntios 5:21).

No terceiro dia, Ele ressuscitou, mostrando Sua vitória definitiva sobre a morte (Atos 2:24; Romanos 6:9–10; 1 Coríntios 15:54–57). E, como Cristo é nosso representante, todo aquele que está unido a Ele pela fé recebe a vida que vem dEle (João 3:16; Romanos 5:1–2; 1 Coríntios 15:20–22). Cristo já venceu a morte, e Ele declara: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25).

Mas como Deus pode trazer de novo à vida?

Voltemos à nossa pergunta inicial: se não resta nada quando uma pessoa morre, como Deus pode trazê-la de volta? Ao responder à pergunta dos coríntios, Paulo nos leva de volta à criação: menciona as sementes do terceiro dia (I Coríntios versos 36–38; cf. Gênesis 1:11), os corpos celestes do quarto dia (versos 40–41), os peixes, as aves e os animais do quinto e sexto dias (versos 39) e Adão, formado do pó da terra (versos 45–49).

Com isso, Paulo afirma que o mesmo Criador formou o ser humano do pó e pode fazê-lo de novo na ressurreição. Ele não precisa que nenhuma parte de nós seja preservada, porque Ele é o Deus “que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Romanos 4:17). A ponte entre esta vida e a ressurreição não depende da preservação dos ossos nem de uma alma imortal, que sobreviva à morte. Ela depende unicamente do Deus Criador, que nos conhece pelo nome e jamais se esquece daqueles que são Seus.

Nesse sentido, a ressurreição é verdadeiramente uma nova criação. E temos uma garantia: Cristo é chamado de “primícias”, o primeiro fruto da colheita (1 Coríntios 15:20–22). O que aconteceu com Ele é a promessa do que acontecerá com todos os que crerem nEle. Assim como a semente que desaparece na terra e brota transformada, nosso corpo fraco e mortal será ressuscitado forte e glorioso, recriado à imagem de Cristo (1 Coríntios 15:42–44; Filipenses 3:20–21).

Esperança final na volta de Jesus

A mensagem bíblica da ressurreição é uma mensagem de vida e esperança que exalta a Deus como o Criador e a Fonte da Vida. É Ele “quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” e “nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:25, 28). O Deus que, no princípio, chamou o universo à existência com Sua palavra (Salmo 33:6, 9) chamará Seus filhos de volta à vida com a mesma voz (João 5:28–29; 1 Tessalonicenses 4:16).

E Ele nos deu o Seu Filho para que pudéssemos ter vida em abundância (João 10:10). Cristo é a ressurreição e a vida, e a nossa esperança está unicamente num relacionamento transformador com Ele (João 17:3). Quando Ele voltar para nos buscar, seremos transformados e receberemos o dom da vida eterna para vivermos para sempre ao Seu lado, assim como era a intenção de Deus desde o princípio. E, se permanecermos unidos a Ele pela fé, nada neste universo, nem mesmo a morte, “poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38–39).

Kéldie Paroschi é PhD em Novo Testamento pelo Asbury Theological Seminary. Já atuou como capelã, editora e professora. Atualmente, exerce a função de diretora associada do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.

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