Bullying. Nós o vemos em todos os lugares da nossa sociedade: na escola, no trabalho, nos grupos sociais, na internet… e, infelizmente, até mesmo em nossas igrejas. Em algum momento, alguém já sofreu bullying ou presenciou uma situação de bullying e não soube como reagir — ou tentou resolver a situação por conta própria, e as coisas não terminaram bem. No fim das contas, sofrer bullying ou praticá-lo não é algo bom, e ninguém merece ser vítima de bullying.
Muitas vezes me pergunto como lidar com essa situação — como reagir e me defender… e defender os outros. Mas o principal ponto no qual realmente quero me concentrar ao lidar com o bullying é pensar em como Cristo agiria. O que Jesus faria?
Há uma história na Bíblia, em João 19:1-4, na qual o próprio Jesus estava sendo vítima de bullying por parte dos soldados romanos, pouco antes de Sua morte. Os soldados “teceram uma coroa de espinhos e a puseram na cabeça de Jesus. Também o vestiram com um manto de púrpura.” Enquanto faziam isso, eles também zombavam Dele, dizendo: “Salve, Rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas”.
Ler isso me deixa horrorizado com o que os soldados fizeram com Jesus. Fico pensando: Será que os soldados sabem com quem estão mexendo? Mas algo que realmente me tocou foi o fato de que Jesus nunca reagiu quando todas aquelas coisas horríveis estavam sendo feitas contra Ele.
Isso significa que, quando sofremos bullying, devemos simplesmente aceitar tudo e não fazer nada?
Quando você sofre bullying
1 Pedro 2:22, 23 explica muito bem como Jesus reagiu quando essas coisas estavam acontecendo com Ele. O texto diz que Ele “não cometeu pecado, nem foi encontrado engano em sua boca. Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que julga retamente”. Jesus não tinha pecado, nem era mentiroso ou enganador. Mesmo sendo insultado pelos soldados romanos, Ele não revidou. Mesmo sofrendo nas mãos dos soldados, jamais os ameaçou. Em vez disso, Jesus entregou-Se a Deus, que julga retamente.
“Muitas vezes me pergunto como lidar com essa situação — como reagir e me defender… e defender os outros.”
Durante toda aquela situação, Ele tinha poder para fazer cair fogo do céu e matar aqueles soldados, ou algo parecido com isso, mas não fez. Em vez disso, entregou-Se a Deus e, na cruz, levou sobre Si os pecados daqueles soldados. Ele veio para morrer por eles porque eles próprios estavam perdidos no pecado e não sabiam o que era certo ou errado — estavam cegos para os próprios pecados. Ele veio por eles para que também pudessem participar de Sua justiça e receber o dom gratuito da salvação e da vida eterna.
Como podemos aplicar essa história à nossa vida quando se trata de bullying? A primeira coisa a lembrar é que todos somos filhos de Deus — desde o Jardim do Éden, passando pelos romanos, até os dias de hoje. Todos pecamos e estamos aquém da glória de Deus, mas podemos agradecer a Deus por Jesus, que morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ser um com Deus.
A segunda coisa é considerar como reagimos quando lidamos com o bullying e as palavras que saem da nossa boca. Um versículo que devemos considerar ao enfrentar essa situação é Provérbios 10:12: “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (ARA). Quando Jesus estava sendo vítima de bullying, o amor era o fator principal e Sua prioridade ao reagir e falar com aqueles que O maltratavam. Se Sua resposta tivesse sido motivada pelo ódio, isso teria causado todo tipo de caos: brigas acaloradas e constantes e ódio uns pelos outros — algo que Jesus nunca nos chama a fazer. Pelo contrário, Ele nos diz: “Amem uns aos outros. Assim como Eu os amei, que também vocês amem uns aos outros” (João 13:34).
Terceiro, devemos perdoar e orar por aqueles que praticam bullying contra nós. Pense em Estêvão, em Atos 7:54-60, quando ele estava sendo apedrejado. Ele se ajoelhou e orou a Deus, dizendo: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (verso 60). Devemos orar por aqueles que praticam bullying contra nós porque eles próprios estão perdidos no pecado e, muitas vezes, não sabem que o que estão fazendo é errado nem quanto estão nos machucando.
Em Mateus 5:44, Jesus diz: “[…] orem pelos que perseguem vocês”.
Também podemos perdoar aqueles que praticam bullying contra nós. Em Efésios 4:32, está escrito que devemos perdoar “uns aos outros, como também Deus, em Cristo, perdoou vocês”. Eu entendo: fazer essas coisas pode ser desafiador, porque podemos nos sentir sobrecarregados e ansiosos. Talvez não saibamos o que dizer quando precisamos enfrentar aqueles que nos intimidam. Mas lembre-se de que Deus está ao nosso lado. Filipenses 4:13 diz: “Tudo posso Naquele que me fortalece”. Deus pode nos fortalecer em nossa fraqueza, porque “para Deus tudo é possível” (Mt 19:26). Em Cristo, somos “mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou” (Rm 8:37).
Quando outra pessoa sofre bullying
Outro exemplo em que podemos ver Jesus lidando com o bullying foi quando Ele foi testemunha — e defensor — de outras pessoas. Em João 8:1-11, vemos Jesus defendendo uma mulher pega em adultério. Jesus estava no templo, onde “todo o povo se reuniu em volta dele; e Jesus, assentado, os ensinava” (verso 2).
“Devemos orar por aqueles que praticam bullying contra nós porque eles próprios estão perdidos no pecado e, muitas vezes, não sabem que o que estão fazendo é errado.”
Enquanto ensinava o povo, Jesus foi interrompido pelos escribas e fariseus, que trouxeram uma mulher pega em adultério. “Mestre”, disseram-Lhe, “esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés nos ordenou que tais mulheres sejam apedrejadas […]” (versos 4, 5).
Qual foi a resposta de Jesus? Ele Se inclinou e começou a escrever no chão com o dedo. Então Se levantou e disse-lhes: “Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela” (verso 7). Depois de dizer isso, Ele Se inclinou novamente e continuou escrevendo no chão. Quando os escribas e fariseus ouviram Suas palavras, começaram a sair, um após o outro, começando pelos mais velhos, até os mais jovens, deixando Jesus e a mulher sozinhos.
Jesus Se levantou novamente e perguntou à mulher: “Mulher, onde estão eles? Ninguém condenou você?”
“Ninguém, Senhor”, respondeu ela.
Então Jesus disse: “Também Eu não a condeno; vá e não peque mais”.
O que podemos aprender com essa história sobre ser uma testemunha e um defensor de outras pessoas? Primeiro, podemos escolher não nos envolver no bullying e ser a pessoa que interrompe essa situação. Quando os escribas e fariseus levaram aquela mulher até Jesus, Ele respondeu sem dizer nada. Ele Se inclinou e começou a escrever no chão, “como se não os tivesse ouvido” (verso 6).
Segundo, podemos permanecer ao lado da pessoa que está sofrendo bullying, sem deixá-la lutar sozinha. Mesmo depois que os escribas e fariseus foram embora, Jesus permaneceu ali, sozinho com a mulher. Em nenhum momento Jesus a abandonou para proteger a Si mesmo — Ele permaneceu com ela o tempo todo, demonstrando Seu amor e Sua compaixão por ela.
Terceiro, não podemos julgar uma pessoa pelo seu passado. Devemos ser aqueles que demonstram o amor de Jesus. Vemos Jesus dizer à mulher: “Também Eu não a condeno; vá e não peque mais” (verso 11). Cristo conhecia o passado dela, mas a tratou com bondade. Ele a amou e revelou Sua graça e Seu perdão.
Ao escolhermos ser testemunhas e defensores dos outros — e de nós mesmos —, sejamos luzes para Cristo e reflitamos Seu caráter. Embora hoje vivamos em uma sociedade na qual o bullying é um problema enorme, sigamos o exemplo de Jesus e lidemos com o bullying de uma maneira que priorize o amor de Deus e demonstre como Ele deseja que vivamos em harmonia uns com os outros. E lembre-se sempre de Josué 1:9: “Não foi isso que eu ordenei? Seja forte e corajoso! Não tenha medo, nem fique assustado, porque o Senhor, seu Deus, estará com você por onde quer que você andar”.
O artigo original foi publicado pela Adventist Review e é o resultado de um convite dos editores da revista para que crianças (07 a 09 anos), pré-adolescentes (10 a 12 anos) e adolescentes (13 a 16 anos) de diferentes partes do mundo para que escrevessem sobre o tema.
Brightness: é uma estudante que vive na região atendida pela Associação Norte de Nova Gales do Sul (NNSW), sede administrativa da Igreja Adventista. A autora é menor de idade, e seu sobrenome foi omitido por questões de privacidade.



