Na Bíblia, nem sempre a palavra anjo ou mensageiro se refere a um ser celestial. Em Apocalipse 14, por exemplo, há o entendimento de que os mensageiros ali possam ser pessoas como eu e você, redimidas por Cristo. Isso fez mais sentido na minha vida e na de minha família há alguns anos, em duas oportunidades bem distintas, mas que estão conectadas pelo mesmo fenômeno, que eu considero sobrenatural.
Era o ano de 1994. Eu já trabalhava como repórter de um jornal na cidade de Montenegro, no interior do Rio Grande do Sul. Havia concluído o ensino médio e precisava escolher um curso universitário. Pelo fato de já trabalhar em uma empresa jornalística e por gostar de ler e falar, o caminho mais natural foi escolher jornalismo. E, então, obviamente precisava fazer as provas do vestibular.
A universidade escolhida ficava a cerca de 44 quilômetros da minha cidade. Era para lá que grande parte dos jovens se dirigia a fim de cursar o ensino superior. As provas aconteciam em dois dias. Não sei exatamente a razão, mas minha família resolveu que eu iria de carro para fazer o vestibular no primeiro dia. Meu pai, um policial civil constantemente envolvido em operações, teve um contratempo, por isso pediu a um colega do trabalho para me levar até a universidade.
Dilemas no caminho
No horário combinado, entramos no carro. Conversávamos no caminho quando, subitamente, o veículo começou a dar pane. Por fim, o policial constatou que o motor havia fundido. “Ótima notícia”. Estávamos talvez na metade do caminho, e se eu não chegasse a tempo perderia a prova e teria de esperar pelo menos um ano para fazer um novo vestibular naquela universidade. Fechei os olhos, falei com Deus e me vi em uma situação bem complicada.
Naquele tempo, os aparelhos celulares não eram tão inteligentes como hoje e o sinal tampouco costumava ter qualidade. Resultado: não havia como chamar táxi ou algum tipo de socorro veicular. Serviços como Uber e apoio privado em rodovias nem existiam. Mas o que existia e sempre existiu era a providência divina.
Meu tio, que morava na mesma cidade que eu, costumava ir de carro até uma cidade próxima da universidade. Naquele dia, especificamente naquele horário, ele passou por ali. E o mais curioso: ele me viu na estrada. Parou o carro e perguntou o que tinha ocorrido.
Depois de rápidas explicações, me levou a tempo de eu fazer a primeira prova. Para mim, meu tio foi um mensageiro de esperança, porque ele apareceu de forma sobrenatural quando eu mais precisava. A mensagem era bem clara: podemos sempre confiar em Deus e saber que Ele fará o melhor!
A outra história, conectada com essa mesma ideia de mensageiro de esperança, ocorreu anos mais tarde. Creio que tenha sido em 2003. Já casado, morava em Florianópolis, Santa Catarina. Na sexta-feira à noite, eu e minha esposa fazíamos o culto para receber as bênçãos do sábado antes de irmos para um ensaio no coral em que cantávamos.
Lembro claramente de ter lido o texto de Isaías 43:2. Lá diz que “quando passares pelas águas, estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti”. Oramos e saímos de carro. O trajeto era relativamente curto e fomos até uma igreja adventista onde ocorriam alguns dos ensaios. Passando por uma curva, subitamente o carro em que estávamos perdeu o controle e saiu bruscamente da pista, parando em um matagal às margens da estrada. O susto foi muito grande e houve um dano material significativo no carro, impedindo que continuássemos.
Não víamos solução
No meio da noite, sem poder sair do matagal, eu e minha esposa orávamos e nos preocupávamos. O que fazer? O local não era muito apropriado para se ficar naquele horário. Foi quando dois homens apareceram e pararam um carro ali mesmo na curva. Até hoje, não consigo lembrar dos rostos deles. Mas os dois rapidamente se prontificaram a retirar o nosso carro do matagal e ajudaram a, literalmente, levantar o veículo. Eu e minha esposa sentimos algo diferente. Era um misto de alívio, proteção e cuidado. Subitamente, quando pensei em falar com eles, os dois sumiram. Despareceram. Nunca consegui os identificar. Entendi que eles foram mensageiros de esperança. Sua mensagem? Deus nunca nos abandona, nem nos momentos mais difíceis!
Para mim, confiança em Deus é o mesmo que a vida cristã. Ainda que existam dificuldades menores, como da primeira história, ou um pouco maiores, como ocorreu na segunda história, não tenho dúvidas do amor, do cuidado e da misericórdia divina fazendo parte de nossa vida o tempo inteiro. Confiar em Deus é maravilhoso!
Felipe Lemos é comunicador, natural de Montenegro (RS) e atualmente mora em Brasília (DF). É casado com a psicóloga Joseane e pai de Gabriela, de 13 anos.




